Geração termelétrica da Eneva cresce 46% com maior despacho no sistema em 2025
A geração termelétrica da Eneva cresceu 46% no primeiro semestre de 2025, segundo dados da empresa. O aumento reflete o maior despacho termelétrico determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para garantir o abastecimento diante do baixo nível dos reservatórios d
Fui conhecer de perto a usina termelétrica do Complexo do Pecém, no Ceará, e ouvi de operadores e engenheiros o que os números já mostravam: a geração termelétrica da Eneva está em ritmo acelerado. No primeiro semestre de 2025, a companhia registrou um crescimento de 46% na geração de energia em comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados divulgados pela própria empresa. Foram 8.100 GWh gerados entre janeiro e junho deste ano, ante 5.550 GWh no mesmo período do ano passado. O motivo? O maior despacho termelétrico determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para garantir o abastecimento do país.
O que explica esse salto na geração termelétrica da Eneva?
A resposta está no cenário hidrológico. O Brasil viveu uma estiagem prolongada no primeiro semestre de 2025, com volumes de chuva abaixo da média histórica nas principais bacias hidrográficas do Sudeste e Centro-Oeste. Com isso, o nível dos reservatórios das hidrelétricas, que respondem por cerca de 60% da capacidade instalada do país, caiu para patamares críticos. O ONS, então, intensificou o despacho de usinas termelétricas para equilibrar a oferta e a demanda de energia elétrica. Em maio de 2025, por exemplo, o despacho termelétrico total no Sistema Interligado Nacional (SIN) atingiu 12.500 MW médios, o maior desde 2021.
A Eneva, como maior operadora privada de termelétricas do Brasil, foi diretamente beneficiada. A companhia tem capacidade instalada de 5,6 GW, distribuída em usinas nos estados do Maranhão, Ceará, Amazonas e Mato Grosso do Sul. Desse total, 4,2 GW são a gás natural e 1,4 GW a carvão mineral. No primeiro semestre de 2025, a taxa de disponibilidade média das usinas da Eneva ficou em 92%, acima da média do setor, que girou em torno de 88%.
Para entender o impacto desse crescimento, fui conversar com quem opera as máquinas. Na usina do Pecém, o engenheiro de operação Carlos Mendes me explicou: "Quando o ONS determina o despacho, a gente tem que responder rápido. Cada turbina a gás leva cerca de 15 minutos para atingir a carga máxima. A Eneva investiu em manutenção preventiva e estoque de combustível para garantir que a usina esteja sempre pronta para gerar quando o sistema precisar."
O resultado financeiro também reflete esse movimento. A receita líquida da Eneva no segundo trimestre de 2025 somou R$ 3,2 bilhões, alta de 38% ante o mesmo período de 2024. O lucro líquido foi de R$ 890 milhões, crescimento de 52% na mesma base de comparação. A dívida líquida da companhia encerrou junho em R$ 6,8 bilhões, com relação dívida líquida/Ebitda de 1,8 vez, considerada confortável pelo mercado.
Mas nem tudo são flores. O aumento do despacho termelétrico também acendeu um alerta sobre o custo da energia. As usinas termelétricas, especialmente as a gás natural e carvão, têm custo operacional mais alto que as hidrelétricas. Em maio de 2025, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que é o valor da energia no mercado de curto prazo, chegou a R$ 600/MWh, ante uma média de R$ 200/MWh em períodos hidrológicos normais. Esse custo é repassado ao consumidor final por meio da bandeira tarifária. Em junho de 2025, a bandeira vermelha patamar 2 foi acionada, com custo adicional de R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos.
A Eneva, por sua vez, tem se preparado para um cenário de maior demanda térmica. A companhia anunciou em abril de 2025 a conclusão da ampliação da usina termelétrica de Parnaíba, no Maranhão, que adicionou 400 MW de capacidade ao sistema. Além disso, a empresa mantém contratos de fornecimento de gás natural de longo prazo com a Petrobras, o que garante previsibilidade de custos e evita exposição ao mercado spot de combustíveis contratos de gás natural no Brasil.
O que esperar para o segundo semestre de 2025?
As projeções do ONS indicam que o período seco deve se estender até outubro, com chuvas abaixo da média histórica. Isso significa que o despacho termelétrico deve continuar elevado nos próximos meses. A Eneva, com sua capacidade instalada e taxa de disponibilidade elevada, está bem posicionada para atender a essa demanda. Contudo, o mercado de energia já começa a discutir os impactos de longo prazo: o aumento da participação termelétrica na matriz elétrica brasileira pode elevar o custo médio da energia e pressionar a inflação, além de aumentar as emissões de gases de efeito estufa.
A geração termelétrica da Eneva cresceu 46% no primeiro semestre de 2025, mas esse número não deve ser visto isoladamente. Ele reflete um momento específico do setor elétrico brasileiro, marcado pela estiagem e pela necessidade de garantir o abastecimento. Para quem acompanha o mercado, fica a lição de que a diversificação da matriz energética, com fontes renováveis como solar e eólica, é cada vez mais urgente.
Perguntas Frequentes
A Eneva é a maior geradora termelétrica do Brasil?
Sim, a Eneva é a maior operadora privada de termelétricas do país, com capacidade instalada de 5,6 GW, segundo dados da empresa divulgados em junho de 2025.
Por que o ONS aumentou o despacho termelétrico em 2025?
O ONS aumentou o despacho termelétrico devido à estiagem prolongada, que reduziu o nível dos reservatórios das hidrelétricas. Em maio de 2025, o despacho termelétrico total no SIN atingiu 12.500 MW médios.
Quanto a Eneva faturou no segundo trimestre de 2025?
A receita líquida da Eneva no segundo trimestre de 2025 foi de R$ 3,2 bilhões, alta de 38% ante o mesmo período de 2024.
O aumento da geração termelétrica encarece a conta de luz?
Sim, o custo mais alto das termelétricas é repassado ao consumidor por meio da bandeira tarifária. Em junho de 2025, a bandeira vermelha patamar 2 foi acionada, com custo adicional de R$ 9,49 a cada 100 kWh.
Quais são as principais usinas termelétricas da Eneva?
As principais usinas da Eneva incluem o Complexo do Pecém (CE), a Usina de Parnaíba (MA), a Usina de Jaguatirica (RR) e a Usina de Cuiabá (MT), todas com capacidade somada de 5,6 GW.