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Brasileiros reconhecem, mas não tratam sintomas do câncer colorretal

ResumoPesquisa da A.C.Camargo e da Nexus revela que oito em cada dez brasileiros reconhecem a gravidade dos sintomas do câncer colorretal, como sangue nas fezes. Apesar disso, 40% dos brasileiros não procuram atendimento médico imediato diante desses sinais. O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento bem-sucedido.

Oito em cada dez brasileiros reconhecem a gravidade dos sintomas do câncer colorretal, como sangue nas fezes, mas 40% não procuram atendimento médico imediato. É o que aponta pesquisa da A.C.Camargo e da Nexus. Entenda os números e a importância do diagnóstico precoce.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 23 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Brasileiros reconhecem, mas não tratam sintomas do câncer colorretal

Brasileiros reconhecem, mas não tratam sintomas do câncer colorretal

Oito em cada dez brasileiros reconhecem a gravidade dos sintomas do câncer colorretal, como sangue nas fezes e alterações intestinais persistentes, mas, na prática, boa parte não age diante deles. Uma pesquisa realizada pela A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, intitulada "A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos", ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país e revelou uma distância preocupante entre o conhecimento e a atitude.

O que a pesquisa mostra sobre o reconhecimento dos sintomas?

Segundo o levantamento, 8 em cada 10 brasileiros consideram grave a presença de sangue nas fezes ou uma mudança no funcionamento intestinal que persista por mais de um mês. Esses são dois dos principais sinais do câncer colorretal. Desses 80%, 42% classificam os sintomas como "muito grave". Entre quem já conviveu de perto com a doença, esse índice sobe para 44%.

Apesar do alto reconhecimento, a pesquisa indica que a associação entre esses sintomas e o câncer de intestino ainda não é firme para a maioria. Cerca de 67% dos brasileiros concordam que sangue nas fezes ou alterações intestinais prolongadas podem indicar a doença, mas apenas 24% concordam "muito". A maior parte (43%) demonstra concordância apenas moderada.

Conhecimento distante da realidade

O reconhecimento dos sintomas não vem, na maioria dos casos, da proximidade com a doença. Apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve câncer colorretal: 15% são parentes muito próximos e 6%, amigos ou conhecidos. Outros 75% disseram nunca ter tido contato com pacientes desse tipo de câncer.

O tema ganha relevância diante dos números da doença no país. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. A doença é a mesma que a cantora Preta Gil enfrentou durante dois anos, falecendo em julho do ano passado.

Quando o sintoma aparece, muitos não agem

Um dos achados mais relevantes do estudo diz respeito à distância entre reconhecer o risco e agir diante dele. Na vida real, 9% dos entrevistados afirmam já ter notado a presença de sangue nas fezes. Desse grupo, embora 59% tenham buscado atendimento médico imediatamente, uma parcela expressiva de 40% não teve essa reação.

Entre os que não buscaram ajuda imediata, os comportamentos foram variados: 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar; 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico; 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação; 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria; e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.

Quem busca ajuda mais rápido?

A busca imediata por um diagnóstico varia conforme o perfil. É maior entre quem tem melhores condições financeiras (86%), brasileiros acima dos 60 anos (72%) e moradores do Sudeste (72%). As mulheres (63%) também costumam buscar mais ajuda imediata do que os homens (54%). Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste, chega a 43% o número de entrevistados que apenas esperou o sintoma passar.

Exame preventivo: desconhecimento é a regra

Outra descoberta da pesquisa é o desconhecimento sobre ferramentas de rastreamento precoce. Dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar do exame "Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes" (PSO), recurso simples e utilizado para identificar sinais da doença antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram.

O desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e também é maior do que a média entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e que estudaram apenas até o ensino fundamental (72%).

Entre quem teve ou conhece alguém que teve câncer colorretal, o desconhecimento do exame cai para 56%, e o percentual de entrevistados que realizaram o PSO quase triplica: 8% dos brasileiros que não têm contato com a doença já realizaram o exame contra 21% de quem já teve.

O que os especialistas recomendam?

Diante do crescimento da doença no país, especialistas do A.C.Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente. Além disso, recomendam a realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do câncer colorretal?

Os principais sintomas incluem sangue nas fezes, mudança no funcionamento intestinal por mais de um mês, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.

Quantos brasileiros reconhecem os sintomas do câncer colorretal?

Oito em cada dez brasileiros reconhecem como grave a presença de sangue nas fezes ou alterações intestinais prolongadas, segundo pesquisa da A.C.Camargo e da Nexus.

O que é o exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO)?

É um exame simples que detecta sinais de sangramento no trato digestivo, ajudando a identificar o câncer colorretal antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes.

Quantos brasileiros já fizeram o exame PSO?

Apenas 11% dos brasileiros já realizaram o exame, enquanto 67% nunca ouviram falar dele.

A partir de que idade é recomendado fazer exames preventivos?

Especialistas do A.C.Camargo recomendam exames preventivos a partir dos 45 anos, ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

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