Amcham: Tarifas colocam Brasil entre países mais restritos aos EUA
A Amcham Brasil classificou o Brasil como um dos países mais restritivos aos EUA em termos tarifários. O levantamento, que considera tarifas aplicadas e barreiras não-tarifárias, acende alerta no setor produtivo. Dados oficiais e análises de bastidor revelam a articulação em torn
A Amcham Brasil divulgou um levantamento que coloca o Brasil entre os países com maiores tarifas de importação para produtos dos Estados Unidos. O estudo, que considera tarifas aplicadas, barreiras não-tarifárias e custos regulatórios, acendeu alerta no setor produtivo e reacendeu o debate sobre a competitividade brasileira. A análise de bastidor revela que o movimento da entidade ocorre em meio a negociações bilaterais e pressões de setores exportadores americanos.
A Amcham Brasil divulgou levantamento que coloca o Brasil entre os países com maiores tarifas de importação para produtos dos Estados Unidos. O estudo considera tarifas aplicadas, barreiras não-tarifárias e custos regulatórios. Os dados acendem debate sobre a competitividade brasileira e as negociações bilaterais em curso.
O levantamento tarifário da Amcham
O estudo da Amcham Brasil, que tem como base dados oficiais do governo americano e da Organização Mundial do Comércio (OMC), classifica o Brasil entre as economias mais restritivas para produtos norte-americanos. A tarifa média aplicada pelo Brasil a produtos dos EUA é de aproximadamente 11%, percentual superior à média global e a de outros parceiros comerciais relevantes.
Segundo a entidade, o cálculo considera não apenas as alíquotas de importação, mas também barreiras não-tarifárias, como licenças de importação, exigências sanitárias e fitossanitárias, e custos de conformidade regulatória. "A soma desses fatores torna o ambiente de negócios mais complexo para o exportador americano", afirma a Amcham em nota.
O que está por trás dos números
A classificação da Amcham não é um fato isolado. Ela reflete uma percepção que circula nos corredores do Itamaraty e do Ministério da Economia há meses. Fontes graduadas ouvidas pela reportagem confirmam que o governo brasileiro está ciente do diagnóstico e que negociações técnicas já ocorrem para reduzir atritos.
O levantamento da Amcham ganha relevância em um momento em que os EUA revisam sua política comercial e pressionam parceiros por reciprocidade. A lista de países considerados "mais restritivos" pode influenciar decisões de acesso ao mercado americano.
Impactos no comércio bilateral
O Brasil e os EUA mantêm uma relação comercial que movimentou cerca de US$ 75 bilhões em 2025. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Qualquer alteração no fluxo de tarifas pode impactar setores como o de máquinas e equipamentos, produtos químicos e agrícolas.
A balança comercial entre os dois países é historicamente favorável ao Brasil, mas a percepção de barreiras excessivas pode gerar retaliações ou exigências de contrapartidas. A Amcham alerta que o Brasil pode perder competitividade se não avançar em reformas internas que reduzam o chamado "Custo Brasil".
O que diz o governo brasileiro
O Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Comércio Exterior, informou que acompanha o estudo e que mantém diálogo permanente com a Amcham e com o governo americano. A pasta destacou que o Brasil já reduziu alíquotas de importação para diversos produtos nos últimos anos, mas reconhece que há espaço para avanços.
Nos bastidores, a avaliação é de que o levantamento da Amcham serve como um alerta, mas não reflete a totalidade das negociações em curso. Uma fonte do ministério, que pediu anonimato, afirmou que "a agenda de facilitação de comércio é contínua e não se resume a tarifas".
A articulação política por trás do tema
A classificação da Amcham não pegou o governo de surpresa. Nos últimos meses, a entidade intensificou encontros com parlamentares e membros do Executivo para discutir o tema. A pauta ganhou força com a aproximação entre Brasil e EUA em outras frentes, como a defesa e a transição energética.
Segundo apuração, a Amcham busca criar um ambiente de negócios mais previsível, que atraia investimentos americanos e reduza o risco de retaliações comerciais. A entidade defende a adoção de medidas unilaterais de abertura comercial como forma de demonstrar boa-fé.
O papel do Congresso Nacional
No Congresso, o tema tarifário esbarra em interesses setoriais. Parlamentares ligados à indústria nacional resistem a reduções de alíquotas que possam prejudicar a produção local. Já a bancada do agronegócio, que exporta para os EUA, vê com bons olhos a simplificação de barreiras.
A Amcham atua nos dois flancos: oferece dados técnicos para embasar decisões e costura acordos com lideranças partidárias. O próximo movimento esperado é a apresentação de um projeto de lei que estabeleça metas de redução tarifária para os próximos anos.
Cenário internacional e riscos
O levantamento da Amcham ocorre em um contexto global de tensões comerciais. A guerra tarifária entre EUA e China, que se intensificou em 2025, gerou incertezas sobre cadeias globais de suprimento. O Brasil, que historicamente se beneficiou de conflitos entre grandes potências, agora corre o risco de ser alvo de medidas protecionistas.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) registrou aumento de 15% nas notificações de barreiras comerciais em 2025. O Brasil, sozinho, responde por 8% dessas notificações, o que o coloca em posição de destaque no radar dos parceiros comerciais.
O que esperar dos próximos meses
A tendência é que o tema tarifário ganhe ainda mais relevância na agenda bilateral. A Amcham planeja divulgar um novo levantamento em junho de 2026, com dados atualizados e comparações setoriais. O governo brasileiro, por sua vez, prepara uma proposta de redução tarifária para ser apresentada na próxima reunião da Comissão de Comércio Brasil-EUA.
No tabuleiro político, a articulação da Amcham é vista como um movimento calculado: ao expor o problema publicamente, a entidade pressiona o governo a agir, ao mesmo tempo que se posiciona como interlocutora legítima do setor produtivo. O próximo passo será observar como o Planalto responde a essa pressão.
Perguntas Frequentes
O que é a Amcham?
A Amcham (Câmara Americana de Comércio) é uma entidade que representa empresas americanas e brasileiras com interesses no comércio bilateral. Ela atua na defesa de políticas que facilitem os negócios entre os dois países.
Por que o Brasil é considerado restritivo?
O Brasil aplica tarifas de importação médias de 11% para produtos dos EUA, além de barreiras não-tarifárias como licenças e exigências sanitárias. A soma desses fatores coloca o país entre os mais restritivos, segundo a Amcham.
Quais setores são mais afetados?
Setores como máquinas e equipamentos, produtos químicos, farmacêuticos e agrícolas são os mais impactados pelas barreiras brasileiras. Exportadores americanos desses segmentos enfrentam custos adicionais para acessar o mercado brasileiro.
O governo brasileiro já tomou medidas?
O Ministério da Economia informou que mantém diálogo com a Amcham e com o governo americano. Nos últimos anos, o Brasil reduziu alíquotas para diversos produtos, mas reconhece que há espaço para avanços.
Como as tarifas afetam o consumidor brasileiro?
Tarifas mais altas sobre produtos importados encarecem bens de consumo e insumos industriais. A redução de barreiras pode baratear produtos e estimular a concorrência, beneficiando o consumidor final.