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Vencedora do Nobel acusa Trump de ignorar custo humano da guerra na Ucrânia

ResumoOleksandra Matviichuk, vencedora do Nobel da Paz e líder do Centro para as Liberdades Civis, acusou a gestão Trump de ignorar o custo humano da guerra na Ucrânia. Matviichuk apresentou dados da ONU que indicam aumento de 31% nas mortes de civis em 2025 e 21% nos primeiros meses do ano.

A líder do Centro para as Liberdades Civis, Oleksandra Matviichuk, acusou a gestão Trump de ignorar o sofrimento humano na guerra da Ucrânia. Em entrevista à CNN Brasil, ela apresentou dados da ONU que mostram aumento de 31% nas mortes de civis em 2025 e 21% nos primeiros meses d

Pedro Henrique Salles
Pedro Henrique Salles Repórter de Trânsito e Infraestrutura · 22 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Vencedora do Nobel acusa Trump de ignorar custo humano da guerra na Ucrânia

Vencedora do Nobel acusa Trump de ignorar custo humano da guerra na Ucrânia

A líder da organização ucraniana de direitos humanos Centro para as Liberdades Civis, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2022, acusou a administração do presidente Donald Trump de ter perdido completamente a dimensão do sofrimento humano causado pela guerra em seu país. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, a advogada Oleksandra Matviichuk afirmou que "os negociadores americanos estão interessados principalmente em recursos naturais, nas reivindicações territoriais da Rússia, em interesses geopolíticos, mas não nas pessoas".

A vencedora do Nobel da Paz 2022, Oleksandra Matviichuk, acusou a administração Trump de ignorar o custo humano da guerra na Ucrânia. Em entrevista à CNN Brasil, ela afirmou que os negociadores americanos focam em recursos naturais e território, não nas pessoas. Segundo dados da ONU citados por ela, o número de civis mortos ou feridos subiu 31% em 2025 e 21% nos primeiros quatro meses de 2026.

O ano mais letal para civis desde o início das negociações

Matviichuk apresentou números que mostram a distância entre o discurso de paz e a realidade no terreno. "Ironicamente, o primeiro ano das iniciativas de negociação de paz do presidente Donald Trump tornou-se o ano mais letal para os civis ucranianos", disse. Ela lembrou que os dados da ONU mostram que o número de civis mortos ou feridos aumentou 31% em 2025 na Ucrânia.

A tendência se agravou ainda mais em 2026. "Nos primeiros quatro meses deste ano, o número de civis ucranianos mortos ou gravemente feridos aumentou 21% em comparação com o ano anterior", afirmou. Para a ativista, esses números são um sinal claro de que a abordagem adotada nas negociações está completamente errada.

Negociações que tratam territórios como "espaços vazios"

"Quando os negociadores americanos falam sobre os territórios ocupados, falam como se fossem espaços vazios. Mas não são espaços vazios. Milhões de ucranianos vivem sob ocupação russa", disse Matviichuk. Ela descreve a ocupação como um sistema de violência sistemática, com desaparecimentos forçados, tortura, estupro e adoção forçada de crianças.

Na avaliação da ativista, ignorar essa dimensão humana envia um sinal perigoso a Moscou. "Quando perdemos a dimensão humana da guerra, os russos entendem isso como um sinal de que isso não é uma prioridade e começam a se comportar como se não houvesse linhas vermelhas."

O pior inverno da guerra e a escalada contra civis

Matviichuk relatou que o último inverno foi o mais severo desde o início da guerra em grande escala. Ataques deliberados à infraestrutura deixaram milhões de ucranianos sem aquecimento, água e eletricidade, em temperaturas de até 25 graus abaixo de zero. "A Rússia não consegue vencer no campo de batalha, e é por isso que decidiu intensificar os ataques contra civis para quebrar a resistência popular", explicou.

Crítica à abordagem transacional e o risco de um novo acordo vazio

Matviichuk critica diretamente o modelo das negociações em curso. "Essas negociações de paz usam uma abordagem transacional e rejeitam completamente a dimensão humana", disse. Para ela, a consequência é direta: o aumento no número de mortos e feridos entre civis ucranianos.

Ao ser questionada pela CNN Brasil sobre possíveis caminhos, a advogada afirmou que qualquer tentativa de paz precisa ir muito além de acordos formais. "Não se trata apenas de fazer [o presidente russo Vladimir Putin] assinar um documento", disse, ao lembrar que acordos anteriores foram usados por Moscou para se rearmar. "Não precisamos de um terceiro acordo de paz que será usado pela Rússia apenas para se reagrupar e iniciar uma guerra ainda maior."

O que seria necessário para uma paz sustentável

Para Matviichuk, é preciso uma mudança de estratégia internacional que faça com que "o preço da guerra para Putin seja maior do que o preço da paz". Ela argumenta que o conflito ainda gera benefícios políticos e econômicos dentro da Rússia. "Infelizmente, essa guerra ainda é lucrativa para Putin", disse. Ela descreve o sistema como "necronomia": a Rússia vende a morte, literalmente.

Segundo ela, apenas uma combinação de medidas militares, econômicas e políticas seria capaz de alterar esse equilíbrio. A ativista também cobrou do Brasil que participasse dessas iniciativas de forma mais incisiva.

Perguntas Frequentes

Quem é Oleksandra Matviichuk?

É a líder do Centro para as Liberdades Civis, organização ucraniana de direitos humanos que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2022.

O que ela acusou a administração Trump de fazer?

Acusou os negociadores americanos de ignorar o custo humano da guerra, focando em recursos naturais e território em vez das pessoas.

Quais números ela apresentou sobre civis?

Segundo dados da ONU, o número de civis mortos ou feridos aumentou 31% em 2025 e 21% nos primeiros quatro meses de 2026.

Como ela descreve a ocupação russa?

Como um sistema de violência sistemática com desaparecimentos forçados, tortura, estupro, adoção forçada de crianças e campos de detenção.

O que ela defende para uma paz sustentável?

Defende que o preço da guerra para Putin seja maior que o preço da paz, combinando medidas militares, econômicas e políticas.

Américo Martins viajou à Ucrânia a convite do Transatlantic Dialogue, think tank ucraniano.

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