# Guerra na Ucrânia: da trincheira aos drones, como mudou em 5 anos

> A guerra na Ucrânia transformou-se de um conflito convencional com tanques e trincheiras para uma guerra de desgaste dominada por drones e tecnologia de precisão em cinco anos. O jornalista Américo Martins documentou a evolução do confronto, que passou de ataques relâmpago iniciais para um impasse prolongado e altamente destrutivo.

*Sucesso News · Eventos · 21 de julho de 2026 · Nayara Couto*

A guerra entre Ucrânia e Rússia já dura cinco anos e mudou profundamente. Do ataque relâmpago inicial ao domínio dos drones e ao impasse atual, o conflito se tornou mais tecnológico e desgastante. O jornalista Américo Martins percorreu o país em três momentos e relata as transfor

## Da trincheira aos drones: Como a guerra da Ucrânia mudou ao longo dos anos

A guerra entre a Ucrânia e a Rússia já entrou no quinto ano, mas o conflito continua muito longe de uma solução e é, hoje, muito diferente do que era no início. O que começou como uma tentativa relâmpago de invasão pelos russos se transformou em uma guerra longa, de desgaste e atrito, cada vez mais tecnológica e com impactos profundos na vida de milhões de pessoas. Ao longo desse período, o conflito deixou de ser apenas uma disputa por território e passou a envolver economia, inovação militar e resistência social em uma escala que poucos previam no início.

A guerra na Ucrânia mudou das trincheiras para os drones em cinco anos. Começou como uma invasão relâmpago russa e se tornou um conflito de desgaste, com tecnologia dominando o campo. Drones são centrais, a Ucrânia produz milhões por ano, e a linha de frente está congelada, com avanços mínimos.

## O cenário em 2023: trincheiras e otimismo

Em 2023, o cenário ainda era de trincheiras, com uma guerra que lembrava conflitos do século passado. A Ucrânia dependia fortemente da ajuda externa e aguardava bilhões de dólares e euros em apoio militar dos Estados Unidos e da Europa. Havia muita expectativa e o otimismo era visível. O entusiasmo das pessoas acompanhava o discurso oficial, impulsionado pela recuperação de parte do território nos primeiros meses da guerra, quando os russos recuaram da intenção de ocupar Kiev.

Naquele momento, o jornalista Américo Martins entrevistou o presidente Volodymyr Zelensky no Palácio Mariyinsky, sede do governo, tomado por militares e com janelas protegidas por sacos de areia. Zelensky falava em retomar territórios e descrevia os preparativos para uma grande contraofensiva. Soldados eram treinados no exterior, com doutrinas da Otan, em um esforço claro de modernização das forças armadas.

### A contraofensiva que falhou

Mas a realidade no campo de batalha foi muito diferente do imaginado pelos altos escalões das forças armadas. A contraofensiva basicamente falhou. As forças russas já tinham consolidado linhas de defesa profundas, com campos minados, obstáculos antitanque e posições fortificadas que continuam sendo um dos principais entraves até hoje.

## 2024: cansaço e a ascensão dos drones

Quando Américo Martins voltou em 2024, o ambiente era outro. O entusiasmo tinha dado lugar ao cansaço, que era visível entre militares e civis e afetava até o próprio Zelensky, que recebeu o jornalista no mesmo palácio com um semblante muito mais preocupado do que no ano anterior. Já estava muito claro que o conflito não se resolveria rapidamente e começou a crescer o temor de uma nova ofensiva russa.

Os russos avançaram, mas de forma lenta e custosa. A linha de frente passou a se mover em pequenas escalas, muitas vezes com ganhos de apenas algumas centenas de metros. O número de mortos apenas crescia, especialmente nas linhas russas, mas a iniciativa era das tropas do Kremlin, fato que se manteve até o início de 2026.

Ao mesmo tempo, a guerra começava a mudar de cara. A tecnologia passou a dominar de vez o campo de batalha. Drones se tornaram centrais nas batalhas, primeiro para reconhecimento, depois como armas de ataque. Os dois lados passaram a depender deles, e também a tentar neutralizá-los com sistemas de interferência. Esse movimento só cresceu. Segundo o governo ucraniano, o país já produz milhões de drones por ano, muitos adaptados em poucos dias, conforme a necessidade da guerra. E há um motivo simples: eles são descartáveis. Muitos são abatidos. Outros são usados como "kamikaze", carregados de explosivos para um único ataque. Para manter o ritmo, é preciso produzir em massa e a um custo muito baixo.

### Drones marítimos mudam o jogo no Mar Negro

Foi também em 2024 que Américo Martins viu uma mudança importante na prática. No Mar Negro, mesmo sem ter um único navio em sua Marinha, a Ucrânia conseguiu empurrar a frota russa para longe da costa usando drones marítimos. Botes pequenos, guiados à distância, carregados de explosivos e eficazes o suficiente para mudar o equilíbrio naquela frente.

## 2025: o impasse prolongado

Em 2025, o conflito entrou em um impasse. A Rússia pressionava em diferentes pontos, mas a Ucrânia continuava resistindo. Não houve rupturas significativas, e o cenário passou a ser descrito por muitos militares e diplomatas como um impasse prolongado. Que, na prática, se estende até hoje.

## 2026: adaptação e ataques de longo alcance

Agora, em 2026, a guerra mudou de novo e é ainda mais complexa. A Ucrânia mostra sinais claros de adaptação econômica, impulsionada pelo apoio internacional. Bilhões de dólares e euros injetados pela Europa e pelos Estados Unidos ajudaram a manter o esforço de guerra e a economia funcionando. Em Kiev, os restaurantes cheios e o comércio ativo, com as pessoas fazendo um esforço constante para manter uma aparência de normalidade, mesmo sob ameaça.

No dia 17 de maio, por exemplo, Américo Martins acompanhou um dos primeiros grandes shows ao ar livre na capital desde o início da guerra. Milhares de pessoas assistiram a uma apresentação da banda Boom Box no estacionamento de um shopping, prontas para correr para o abrigo subterrâneo ao primeiro sinal de sirene. Como se vê, a ideia de normalidade no meio da guerra é relativa.

Quanto mais perto da linha de frente, mais a guerra se impõe. No leste do território ucraniano há controle militar mais rígido, circulação limitada e adaptações visíveis, como estradas protegidas contra drones por quilômetros de redes instaladas e posições defensivas espalhadas por diferentes áreas.

### Estratégia de longo alcance

Ao mesmo tempo, a estratégia ucraniana evoluiu. O país passou a investir mais em capacidades de longo alcance, mirando alvos dentro da Rússia. Cidades como Moscou e São Petersburgo, que fica a quase 1000 quilômetros da fronteira, passaram a ser atingidas com alguma frequência, assim como instalações de petróleo e de logística. O objetivo é aumentar o custo da guerra para Moscou e pressionar a estrutura que sustenta o esforço militar russo.

## O impacto humano e a linha de frente congelada

Mas isso não muda o ponto central: a guerra continua sem uma solução clara no campo de batalha. A linha de frente segue quase congelada, com avanços mínimos de ambos os lados. Mais recentemente, a iniciativa passou a ser dos ucranianos, mas também com muita dificuldade e pouco avanço no controle do terreno. A Rússia mantém vantagens importantes em número de tropas e poder de fogo convencional, enquanto ataques com mísseis continuam sendo uma ameaça constante.

Pior do que tudo isso, no entanto, é o impacto humano do conflito. Os relatos dos civis mostram dificuldades severas para a vida, especialmente no inverno, com falta de aquecimento, energia e serviços básicos. Ainda assim, a sociedade ucraniana se adapta, tentando manter a vida em funcionamento. Essa convivência entre rotina e guerra talvez seja uma das marcas mais fortes do conflito hoje. Um conflito que não apresenta nenhum sinal de que vai acabar em breve.

Américo Martins viajou à Ucrânia a convite do Transatlantic Dialogue, think tank ucraniano.

## Perguntas Frequentes

### Como a guerra da Ucrânia mudou desde 2022?

A guerra começou como uma invasão relâmpago russa e se transformou em um conflito de desgaste, com trincheiras dando lugar a drones e tecnologia. A linha de frente está congelada, e a Ucrânia passou a atacar alvos dentro da Rússia.

### Qual o papel dos drones na guerra da Ucrânia?

Drones se tornaram centrais, usados para reconhecimento e ataque. A Ucrânia produz milhões por ano, muitos descartáveis, e também usa drones marítimos para atacar a frota russa no Mar Negro.

### A Ucrânia está vencendo a guerra?

Não há vencedor claro. A linha de frente está praticamente congelada, com avanços mínimos. A Rússia mantém vantagem em tropas e poder de fogo, mas a Ucrânia resiste e adapta sua estratégia.

### Como a economia ucraniana se adaptou à guerra?

Com bilhões de dólares e euros de apoio internacional, a economia se mantém. Em Kiev, há restaurantes cheios e comércio ativo, mas a normalidade é relativa, com abrigos e sirenes.

### O que é o impasse na guerra da Ucrânia?

É um cenário onde nenhum dos lados consegue avanços significativos. Desde 2025, o conflito é descrito como impasse prolongado, com a linha de frente quase congelada.

### Civis ainda sofrem com a guerra na Ucrânia?

Sim, especialmente no inverno, com falta de aquecimento, energia e serviços básicos. A sociedade se adapta, mas o impacto humano é severo.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/eventos/trincheira-aos-drones-como-guerra-ucrania-mudou-ao-longo-anos/
