# Rivalidade e vingança: a amarga relação entre Inglaterra e Argentina

> A rivalidade entre Inglaterra e Argentina, intensificada pela Guerra das Malvinas em 1982, persiste como um fator central na política externa de ambos os países. A disputa de soberania sobre as ilhas gera tensões diplomáticas contínuas, com movimentos geopolíticos recentes refletindo a amarga relação histórica e a busca por influência na região.

*Sucesso News · Eventos · 15 de julho de 2026 · Otávio Mancini*

A rivalidade entre Inglaterra e Argentina, marcada pela Guerra das Malvinas (1982) e por décadas de tensão diplomática, continua a influenciar a política externa de ambos os países. Este artigo revela os bastidores dessa relação amarga e os movimentos recentes no tabuleiro geopol

A relação entre Inglaterra e Argentina é marcada por uma rivalidade que vai além do discurso oficial. Nos corredores da diplomacia, o que se ouve é uma desconfiança recíproca que remonta à Guerra das Malvinas, em 1982, e que segue moldando acordos e desavenças. A apuração feita por mais de uma fonte indica que, nos bastidores, o ressentimento argentino é um dado constante, enquanto o Reino Unido adota uma postura de intransigência calculada.

A rivalidade entre Inglaterra e Argentina, marcada pela Guerra das Malvinas (1982) e por décadas de tensão diplomática, continua a influenciar a política externa de ambos os países. O conflito armado, que durou 74 dias e resultou na morte de 649 argentinos e 255 britânicos, deixou um legado de amargura que se reflete em embargos comerciais, disputas na ONU e no isolamento argentino em fóruns internacionais.

## As origens da rivalidade: da colonização à guerra

A disputa territorial pelas Ilhas Malvinas (Falklands para os britânicos) começou no século XIX, quando a Argentina, recém-independente, reivindicou a soberania sobre o arquipélago, ocupado pelo Reino Unido desde 1833. A questão, que parecia adormecida, explodiu em 2 de abril de 1982, quando a junta militar argentina, liderada pelo general Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas.

A resposta britânica, comandada pela primeira-ministra Margaret Thatcher, foi rápida e letal. A Força-Tarefa britânica, composta por 127 navios e 28 mil homens, retomou as ilhas em 14 de junho, após uma campanha que incluiu o afundamento do cruzador argentino ARA General Belgrano. O saldo foi de 649 argentinos e 255 britânicos mortos, além de 3 civis ilhéus.

## O legado de ressentimento na política externa argentina

A derrota na guerra consolidou um sentimento de humilhação nacional que, décadas depois, ainda orienta a política externa argentina. Segundo fontes do Itamaraty, a cada gestão presidencial, a reivindicação das Malvinas é um dos poucos temas que unem o espectro político, da esquerda à direita. O kirchnerismo, em particular, usou a causa como bandeira de mobilização popular e de pressão sobre o Reino Unido.

Em 2013, a Argentina conseguiu um feito diplomático ao ver aprovada na Assembleia Geral da ONU uma resolução que pedia negociações sobre a soberania das ilhas. No entanto, o Reino Unido, que detém o poder de veto no Conselho de Segurança, ignorou a resolução e realizou um referendo nas ilhas, no qual 99,8% dos habitantes votaram pela permanência britânica.

## A intransigência britânica e os movimentos no tabuleiro

Do lado britânico, a postura é de que a questão está encerrada. O governo do Reino Unido, em sucessivas gestões, recusou qualquer negociação sobre a soberania, argumentando que a autodeterminação dos ilhéus é o princípio que rege a questão. Nos bastidores, fontes diplomáticas indicam que Londres vê a insistência argentina como uma tentativa de desviar a atenção de problemas internos.

A eleição de Javier Milei na Argentina, em 2023, trouxe um novo elemento. Milei, que durante a campanha defendeu a soberania argentina, mas também elogiou Thatcher, gerou expectativas de uma aproximação. No entanto, o governo britânico manteve a linha dura, e o chanceler argentino, Diana Mondino, declarou que não há "data para negociações".

## Impactos econômicos e militares da rivalidade

A tensão se reflete em sanções econômicas e restrições militares. A Argentina proíbe navios com bandeira das Malvinas de atracar em seus portos, e o Reino Unido mantém uma base militar nas ilhas, com cerca de 1.200 soldados. Em 2023, o governo argentino denunciou a exploração de petróleo na plataforma continental das ilhas por empresas britânicas, classificando-a como "ilegal".

O comércio bilateral, que já foi robusto, encolheu. Em 2022, as exportações argentinas para o Reino Unido somaram US$ 1,2 bilhão, segundo o Ministério da Economia argentino, mas o potencial é travado pela desconfiança. Empresas britânicas que operam na Argentina, como a BP e a Shell, enfrentam pressão para não investir na exploração de petróleo nas Malvinas.

## O papel das Malvinas na geopolítica regional

A Argentina busca apoio na América Latina para isolar o Reino Unido. Em 2023, o Mercosul emitiu uma declaração conjunta reafirmando o apoio à reivindicação argentina. Países como Brasil e Chile, embora não tenham conflito direto com Londres, aderiram à posição por solidariedade regional.

No entanto, a influência britânica no Atlântico Sul é reforçada pela presença militar e por acordos com a OTAN. O Reino Unido mantém uma base aérea em Ascensão, a 2.000 km das Malvinas, e realiza exercícios navais periódicos na região. Para analistas, a disputa é também uma questão de poder naval e de controle de rotas marítimas.

## Perspectivas para a relação bilateral

A apuração feita por mais de uma fonte sugere que não há horizonte de curto prazo para uma solução. O governo Milei, embora mais alinhado ao Ocidente, não abriu mão da reivindicação. Já o Reino Unido, sob o comando de Rishi Sunak e, depois, de Keir Starmer, manteve a política de "não negociação".

O próximo movimento esperado no tabuleiro é a retomada das conversas sobre a exploração de recursos naturais, mediada por organismos internacionais. Mas, enquanto o discurso oficial de ambos os lados falar em "soberania" e "autodeterminação", a amargura dos bastidores continuará a ditar o tom.

## Perguntas Frequentes

### Por que Inglaterra e Argentina são rivais?

A rivalidade decorre da disputa de soberania sobre as Ilhas Malvinas (Falklands), que levou à Guerra de 1982. O conflito deixou um legado de ressentimento argentino e desconfiança britânica.

### Quantos soldados morreram na Guerra das Malvinas?

O conflito resultou na morte de 649 argentinos e 255 britânicos, além de 3 civis ilhéus.

### A Argentina ainda reivindica as Malvinas?

Sim. A reivindicação é uma política de Estado na Argentina, apoiada por todos os governos desde 1982, e é levada à ONU e a fóruns regionais.

### O Reino Unido negocia a soberania das ilhas?

Não. O governo britânico recusa negociações, baseando-se no princípio da autodeterminação dos ilhéus, que em referendo de 2013 votaram pela permanência britânica.

### Como a rivalidade afeta o comércio entre os países?

A tensão limita acordos comerciais e investimentos. A Argentina proíbe navios com bandeira das Malvinas de atracar em seus portos, e a exploração de petróleo na região é fonte de atrito.

### Há chances de um novo conflito armado?

Especialistas consideram remota a possibilidade de um novo conflito, dado o poderio militar britânico e a fragilidade econômica argentina. No entanto, a retórica belicosa de alguns setores mantém a tensão.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/eventos/rivalidade-vinganca-amarga-relacao-entre-inglaterra-argentina/
