# Piloto abatido no Irã relata resgate e bastidores nos EUA

> O piloto militar codinome Bravo, abatido no Irã, relatou ao programa 60 Minutes a queda de paraquedas, as 50 horas escondido em uma montanha e o resgate conduzido pela Delta Force e SEAL Team Six. O Pentágono negou ter pressionado a tripulação durante a operação.

*Sucesso News · Eventos · 14 de setembro de 2026 · Otávio Mancini*

Em entrevista ao 60 Minutes, o militar codinome Bravo relatou a queda de paraquedas, as 50 horas escondido em uma montanha no Irã e a operação que envolveu Delta Force e SEAL Team Six. O Pentágono negou pressão sobre a tripulação.

O militar americano resgatado do Irã após ter sido abatido em abril relatou pela primeira vez os detalhes da operação de resgate, em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, neste domingo (13). Conhecido pelo codinome Bravo, usado para proteger sua identidade, ele descreveu a queda, as 50 horas escondido e a chegada das forças especiais.

Bravo contou que seu paraquedas foi danificado depois que o avião foi atingido. Durante a queda livre, fez o que podia para abrir ou puxar partes do equipamento. "Foi a coisa mais aterrorizante que já vi", disse. A queda provocou fraturas na coluna, em um braço e em um ombro, além de torção no tornozelo e ferimentos com sangramento na cabeça e no rosto.

Depois de ejetar do F-15, o oficial de sistemas de armas evitou ser detectado pelas forças iranianas que se aproximavam. Mesmo ferido, subiu uma montanha de cerca de 2.100 metros de altitude, equipado com pouco mais do que uma pistola, um dispositivo de comunicação e um sinalizador de localização, segundo relatos anteriores de autoridades americanas e o próprio depoimento de Bravo. Enquanto o piloto da aeronave foi resgatado pouco depois da queda, Bravo só foi encontrado 50 horas mais tarde.

Os dois integrantes da tripulação não foram identificados publicamente pelo Pentágono, por preocupação com a segurança deles e para evitar a divulgação de informações sensíveis. Bravo disse à apresentadora da CBS Norah O'Donnell que, ao encontrar um lugar que oferecia alguma proteção, começou a tentar estabelecer comunicação. A primeira mensagem que enviou foi "Deus é bom", segundo seu relato.

A operação de resgate envolveu centenas de militares e agentes de inteligência americanos, incluindo integrantes de forças de operações especiais como a Delta Force, do Exército, e a SEAL Team Six, da Marinha. Antes da ação, agentes da CIA realizaram uma campanha de desinformação para despistar o Irã, cujos líderes haviam oferecido recompensa pela captura do militar. A transmissão exibiu imagens do Pentágono, posteriormente desclassificadas, que mostraram integrantes de uma equipe de resgate da Força Aérea dos EUA avançando para retirá-lo.

Houve outros imprevistos. Os militares americanos destruíram dois aviões de transporte de operações especiais MC-130J que aguardavam para retirar os comandos e o militar resgatado. As aeronaves foram danificadas em algum momento da operação, deixando temporariamente mais de 90 integrantes das forças especiais isolados. Depois que todos foram resgatados, os EUA decidiram destruir os aviões danificados para impedir que caíssem nas mãos dos iranianos e enviaram novas aeronaves para a retirada.

A entrevista também expôs uma disputa nos bastidores. A CNN informou no sábado (12) que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e autoridades políticas de sua pasta pressionaram os dois integrantes da tripulação a participar da entrevista, segundo várias fontes familiarizadas com o assunto. Inicialmente, os dois militares demonstraram resistência, enquanto autoridades militares temiam que informações classificadas sobre a operação fossem reveladas, segundo três fontes. O piloto se recusou a participar.

Questionado sobre a reportagem, Sean Parnell, principal porta-voz do Pentágono, afirmou que "toda essa história é uma mentira completa". Segundo ele, "a decisão de participar da entrevista foi exclusivamente de cada piloto" e o Departamento teve cuidado para garantir que a segurança operacional, as fontes e os métodos fossem protegidos. Bravo disse que toda a experiência permanecerá com ele e que, ao ver seus resgatadores surgindo no alto da montanha, viveu "um dos maiores momentos da minha vida".

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/eventos/piloto-abatido-ira-relata-resgate-mobilizou-forcas-especiais-eua/
