# Sem proposta fiscal concreta dos presidenciáveis, diz economista

> Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, afirma que presidenciáveis reconhecem a necessidade de ajuste fiscal, mas não apresentaram proposta concreta. A dívida pública brasileira saltou de 72% para mais de 82% do PIB, exigindo medidas claras de contenção de gastos e receitas. A ausência de planos detalhados compromete a credibilidade do ajuste.

*Sucesso News · Eventos · 09 de setembro de 2026 · Otávio Mancini*

Em entrevista ao CNN Money, Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, afirma que presidenciáveis reconhecem a necessidade de ajuste, mas não apresentaram proposta fiscal concreta. Dívida/PIB saltou de 72% para mais de 82%.

Os principais candidatos ao Palácio do Planalto repetem em discurso a necessidade de ajustar as contas públicas, mas nenhum apresentou até agora uma proposta fiscal concreta de como fazer. A avaliação é da economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, em entrevista ao CNN Money. O mercado financeiro aguarda posicionamentos mais claros diante de um cenário considerado preocupante.

Segundo a economista, o debate sobre o ajuste fiscal permanece no campo da retórica. Há um lado positivo: todos reconhecem a necessidade de corrigir a trajetória da dívida pública. O problema é que nenhuma medida concreta foi divulgada. Rafaela Vitória lembra que a relação dívida/PIB saltou de 72% em 2022 para mais de 82% atualmente, com perspectiva de encerrar o ano acima de 83%.

"São 11 pontos percentuais de crescimento e um déficit nominal também bastante pesado, próximo de 9 pontos percentuais do PIB", ressaltou. Para ela, a trajetória é insustentável e exigiria um ajuste de grande magnitude. O entrave é político: a contenção de gastos é vista como impopular às vésperas das eleições, o que explicaria a ausência de propostas detalhadas.

Questionada sobre um possível controle de gastos já no primeiro ano do novo governo, Rafaela Vitória ponderou que o prazo para aprovar novas regras é restrito, mas seria possível adotar medidas de gestão e corrigir irregularidades para conter as despesas em 2027. Ela apontou que o atual governo não cumpriu as próprias regras do arcabouço fiscal, que previa limite de crescimento de 2,5% acima da inflação ao ano, enquanto o crescimento médio ficou próximo de 5%. "A gente ainda não tem o próprio governo seguindo uma restrição que ele mesmo colocou", disse.

Para a economista, um ajuste efetivo passa pela discussão das desvinculações, tanto dos benefícios sociais quanto dos pisos de gastos. Nas projeções fiscais de cinco anos do próprio governo, o crescimento das despesas obrigatórias consumiria todo o gasto discricionário nos próximos três ou quatro anos. Entre as regras que precisariam ser revistas, ela citou o ganho real do salário mínimo, que também reajusta aposentadorias, pensões e o BPC. "Isso não é sustentável considerando o tamanho desses programas", afirmou.

Sem ajuste, a consequência é dura: "o ajuste fiscal vai acabar sendo feito por bem ou por mal". Segundo Rafaela Vitória, sem mudanças nas regras, o ajuste tende a ocorrer pela via inflacionária, como em 2014-2015, quando a inflação chegou a 10% no pico, e em 2020-2021, na expansão de gastos da pandemia. "É um ajuste muito doloroso porque afeta principalmente as classes de mais baixa renda", alertou.

A economista lembra que o Brasil já viveu disciplina fiscal entre 2016 e o início da pandemia, com teto de gastos e desvinculação dos pisos de saúde e educação, quando o gasto cresceu próximo de 1% ao ano. Um ajuste gradual é possível, e o principal efeito positivo seria a redução dos juros, permitindo crescimento sustentável. O próximo movimento esperado é a apresentação de números pelas campanhas, sob pressão do mercado.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/eventos/nao-ha-proposta-fiscal-concreta-presidenciaveis-diz-rafaela-vitoria/
