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Militares dos EUA farão testes de testosterona anualmente, anuncia Hegseth

ResumoO secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou que militares americanos farão testes de testosterona anualmente. A medida visa avaliar a prontidão física da tropa, mas gerou debate sobre eficácia e riscos à saúde dos soldados.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou que militares americanos farão testes de testosterona anualmente. A medida, justificada como forma de avaliar a prontidão física da tropa, gerou debate sobre eficácia e riscos. Veja o que se sabe até agora.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Militares dos EUA farão testes de testosterona anualmente, anuncia Hegseth

Circula nas redes e em alguns sites de notícias a informação de que militares dos Estados Unidos serão submetidos a testes anuais de testosterona por determinação do secretário de Defesa, Pete Hegseth. A notícia, que gerou tanto curiosidade quanto apreensão, merece uma checagem cuidadosa à luz das fontes oficiais e da ciência. Vamos entender o que foi anunciado, por que a medida existe e o que especialistas em saúde pensam sobre ela.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou que todos os militares americanos serão submetidos a testes anuais de testosterona. A medida, divulgada em fevereiro de 2025, visa avaliar a aptidão física da tropa, mas especialistas questionam a base científica e os potenciais riscos de uma política baseada em níveis hormonais.

O que o Pentágono anunciou sobre os testes de testosterona?

Segundo comunicado oficial do Departamento de Defesa dos EUA, a partir de 2025, todos os militares da ativa deverão realizar exames anuais para medir os níveis de testosterona. A justificativa apresentada por Hegseth é que o hormônio estaria diretamente ligado à "prontidão para o combate" e ao desempenho físico da tropa. A medida foi anunciada durante uma coletiva de imprensa em Washington, no dia 10 de fevereiro de 2025.

A decisão, no entanto, não foi acompanhada da divulgação de estudos ou evidências científicas que embasem a correlação entre testosterona total e desempenho militar. Até o momento, o Pentágono não publicou os critérios exatos que definiriam o que é um nível "adequado" para um soldado, nem as consequências para quem apresentar resultados fora da faixa considerada normal.

Testosterona e desempenho físico: o que a ciência diz?

A testosterona é um hormônio essencial para a saúde masculina e feminina, envolvido na manutenção da massa muscular, densidade óssea, libido e produção de glóbulos vermelhos. A Endocrine Society, principal associação mundial de endocrinologistas, afirma que não há um nível único de testosterona que determine capacidade atlética ou militar. O que existe é uma ampla faixa de normalidade, que varia conforme idade, genética, sono, estresse e até horário do dia.

Estudos mostram que níveis baixos de testosterona podem estar associados a fadiga, perda de força e alterações de humor, sintomas que, de fato, comprometeriam a prontidão militar. Mas a relação não é linear: um soldado com testosterona no limite inferior da faixa pode ter desempenho excelente, enquanto outro com níveis elevados pode sofrer de agressividade ou problemas de saúde.

Quais os riscos de uma política baseada apenas em hormônios?

Especialistas em saúde ocupacional e endocrinologistas ouvidos pela imprensa americana apontam ao menos três problemas na medida:

  1. Falta de padronização: Não existe um consenso internacional sobre qual método de medição é o mais confiável. Exames de sangue total, saliva e urina dão resultados diferentes.
  1. Variação natural: A testosterona oscila ao longo do dia (mais alta pela manhã) e é influenciada por fatores como noite mal dormida, alimentação e estresse, situações comuns na vida militar.
  1. Risco de medicalização: Soldados com níveis considerados "baixos" poderiam ser pressionados a buscar reposição hormonal, tratamento que tem efeitos colaterais e não é isento de riscos, como aumento da agressividade, acne, apneia do sono e risco cardiovascular.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) recomenda que a dosagem de testosterona só seja feita mediante suspeita clínica de hipogonadismo, e nunca como triagem populacional.

O que dizem as fontes oficiais?

Procurado pela imprensa, o Pentágono confirmou a medida, mas não detalhou o protocolo de execução. O secretário Hegseth, em suas redes sociais, afirmou que "a América precisa de guerreiros, não de burocratas". A declaração gerou ainda mais polêmica.

Até o momento, não há posicionamento oficial da American Medical Association (AMA) nem do National Institutes of Health (NIH) sobre a política. A comunidade científica americana, no entanto, tem se mostrado cética.

E no Brasil? Há algo parecido?

No Brasil, as Forças Armadas não realizam testes de testosterona como rotina. O Exército Brasileiro realiza exames periódicos de saúde que incluem avaliação clínica geral, mas não há triagem hormonal específica. A medida americana não tem, até agora, equivalente na política de saúde militar brasileira.

Perguntas Frequentes

Por que os militares dos EUA vão fazer teste de testosterona?

O secretário de Defesa Pete Hegseth anunciou a medida como forma de avaliar a "prontidão para o combate", alegando que o hormônio influencia o desempenho físico da tropa.

Quando os testes começam?

A previsão é que os exames anuais comecem ainda em 2025, mas o cronograma exato não foi divulgado.

O teste é obrigatório?

Sim, segundo o anúncio oficial, todos os militares da ativa serão submetidos ao exame anualmente.

O que acontece se o nível de testosterona estiver baixo?

O Pentágono ainda não detalhou as consequências. Especialistas temem que soldados sejam pressionados a fazer reposição hormonal sem necessidade clínica.

Há respaldo científico para a medida?

A Endocrine Society e outros órgãos científicos não apoiam a triagem populacional de testosterona sem suspeita clínica. A base científica da decisão é questionada por especialistas.

A medida vale para mulheres militares?

O anúncio não especificou gênero. A testosterona também é produzida por mulheres, em níveis mais baixos, e desempenha funções importantes. A aplicação da política a mulheres militares ainda não foi esclarecida.

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