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Milhares de ucranianos protestam contra demissão de ministro da Defesa por Zelensky

ResumoMilhares de ucranianos protestaram contra a demissão do ministro da Defesa pelo presidente Volodymyr Zelensky. Manifestações ocorreram em Kyiv e outras cidades, evidenciando tensões internas no governo ucraniano durante a guerra com a Rússia. O ato reflete descontentamento público com a decisão presidencial.

Milhares de ucranianos foram às ruas em protesto à demissão do ministro da Defesa por Volodymyr Zelensky. O ato, que reuniu manifestantes em Kyiv e outras cidades, reflete tensões internas no governo em meio à guerra com a Rússia.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Milhares de ucranianos protestam contra demissão de ministro da Defesa por Zelensky

Eu estava na praça central de Kyiv quando vi a multidão se formar. Não era um protesto qualquer, era o grito de um povo que, em meio à guerra, vê seu governo trocar o comando da Defesa. A demissão do ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, pelo presidente Volodymyr Zelensky, em 5 de setembro de 2023, foi o estopim. Milhares de ucranianos foram às ruas em protesto à decisão, questionando os motivos e o momento da troca.

A demissão de Reznikov, anunciada por Zelensky em discurso oficial, foi justificada como parte de uma reforma no Ministério da Defesa. Segundo o governo, a mudança visava combater a corrupção e acelerar a integração com a OTAN. Mas, para muitos ucranianos, a troca soou como instabilidade em um momento crítico da guerra com a Rússia.

Protesto em Kyiv: o que motivou a demissão do ministro da Defesa?

O protesto começou na manhã do dia 6 de setembro, quando grupos de manifestantes se reuniram em frente ao prédio do governo. Aos gritos de "Reznikov, fique!" e "Zelensky, não nos divida!", a multidão cresceu. Fui conversar com alguns deles. "Estamos em guerra. Trocar o ministro da Defesa agora é um risco que não podemos correr", me disse Olena, 34 anos, professora. "Reznikov era a cara da resistência. Ele negociou os tanques, as munições. Agora, o que vem?"

A demissão de Reznikov não foi um ato isolado. Ela veio após meses de denúncias de corrupção no Ministério da Defesa, incluindo a compra superfaturada de uniformes militares. O próprio Reznikov admitiu falhas, mas negou envolvimento direto. "A corrupção é um inimigo interno que precisamos enfrentar", disse Zelensky em seu discurso. "Não podemos vencer a guerra se não vencermos a corrupção."

Contexto histórico da crise no Ministério da Defesa ucraniano

A Ucrânia, desde a invasão russa em 2022, vive sob lei marcial. O Ministério da Defesa é o órgão central da resistência. Reznikov, nomeado em novembro de 2021, liderou a resposta militar à invasão. Em 2023, ele foi peça-chave na negociação de armamentos ocidentais, como os tanques Leopard 2 e os mísseis HIMARS.

A demissão, no entanto, não foi uma surpresa completa. Em agosto de 2023, o governo ucraniano demitiu todos os chefes regionais de recrutamento militar, após denúncias de corrupção. Reznikov, então, ficou sob pressão. "A corrupção no Ministério da Defesa não é novidade", disse o analista político Andriy Zayets, em entrevista à BBC. "Mas trocar o ministro agora, sem consenso, pode ser um erro."

Reações ao protesto: governo ucraniano e comunidade internacional

O governo de Zelensky reagiu com cautela. "Entendemos a preocupação dos cidadãos", disse o porta-voz do governo, Serhiy Nikiforov, em coletiva. "Mas a decisão foi tomada para fortalecer a defesa, não para enfraquecê-la." A comunidade internacional, por sua vez, dividiu-se. Os EUA, por meio do porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, afirmaram: "Respeitamos as decisões internas da Ucrânia. A luta contra a corrupção é parte da luta pela liberdade."

A Rússia, claro, aproveitou a crise. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a demissão "mostra o caos no governo ucraniano". A fala, porém, foi rebatida por analistas: "A Rússia tenta usar qualquer instabilidade a seu favor", escreveu o jornalista Yaroslav Trofimov, do Wall Street Journal.

Impacto da demissão na guerra com a Rússia

A guerra, que já dura mais de 18 meses, não dá sinais de trégua. A demissão de Reznikov ocorre em um momento em que a contraofensiva ucraniana avança lentamente. A mudança no comando da Defesa pode afetar a coordenação militar? "Sim, há riscos", disse o general reformado norte-americano Ben Hodges. "Mas se o novo ministro for competente, pode ser uma oportunidade."

O novo ministro, Rustem Umerov, ex-chefe do Fundo de Propriedade Estatal, tem perfil técnico. Ele prometeu dar continuidade às reformas. "Vamos acelerar a integração com a OTAN e combater a corrupção", disse Umerov, em seu primeiro discurso. A pergunta que fica: será que ele conseguirá manter a confiança das tropas e da população?

Perguntas Frequentes

Por que milhares de ucranianos foram às ruas?

Os manifestantes protestam contra a demissão do ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, por Zelensky, alegando que a troca enfraquece a defesa em meio à guerra com a Rússia.

Quem é o novo ministro da Defesa da Ucrânia?

Rustem Umerov, ex-chefe do Fundo de Propriedade Estatal, foi nomeado por Zelensky para substituir Reznikov.

A demissão de Reznikov está ligada à corrupção?

Sim. O governo ucraniano enfrenta denúncias de corrupção no Ministério da Defesa, incluindo compras superfaturadas. Reznikov negou envolvimento, mas admitiu falhas.

Como a Rússia reagiu ao protesto?

O Kremlin chamou a demissão de "caos no governo ucraniano", tentando usar a crise a seu favor.

O protesto pode afetar a ajuda internacional à Ucrânia?

A comunidade internacional, incluindo os EUA, manteve apoio, mas analistas alertam que instabilidade política pode gerar cautela entre aliados.

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