Marco Rubio diz que acordo nuclear EUA-Arábia Saudita terá salvaguardas
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o acordo nuclear com a Arábia Saudita incluirá salvaguardas para evitar a conversão para uso militar. O pacto, aprovado por Donald Trump, segue para análise do Congresso e gera preocupação na região sobre proliferação nucle
Marco Rubio diz que acordo nuclear EUA-Arábia Saudita terá salvaguardas
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (23) que o acordo nuclear recém-aprovado entre Estados Unidos e Arábia Saudita contará com salvaguardas para evitar que o programa civil seja convertido em armamento. A declaração ocorre em meio a preocupações de observadores sobre a proliferação nuclear na região. O pacto, que pode permitir que a Arábia Saudita enriqueça seu próprio combustível para reatores nucleares de uso civil, foi aprovado pelo presidente Donald Trump na quarta-feira (22) e segue para análise obrigatória do Congresso.
As garantias de Marco Rubio sobre o acordo nuclear
"Quando países decidem buscar um programa nuclear civil e pacífico, preferimos que o façam conosco, em vez de com outro país. Isso nos permite exercer influência sobre os rumos que o programa tomará", disse Rubio a jornalistas durante a cúpula da ASEAN, em Manila, capital das Filipinas. O secretário ressaltou que Riad é um "parceiro estratégico" e que o acordo fazia sentido.
"Basta dizer que qualquer acordo que venhamos a firmar com qualquer país do mundo sobre energia nuclear para fins civis incluirá salvaguardas para garantir que não possa ser convertido em um programa de armas; e uma das melhores salvaguardas é assegurar que a tecnologia e as empresas americanas estejam envolvidas no processo", completou Rubio.
O que é o acordo 123 e suas cláusulas
O documento, conhecido como "acordo 123", teria duração de 30 anos, segundo uma autoridade americana. Ele envolveria empresas dos EUA fornecendo tecnologia e expertise para desenvolver o programa saudita. O pacto pode permitir o enriquecimento de combustível para reatores nucleares civis sem adotar o "padrão-ouro" de supervisão internacional, conforme duas autoridades americanas e uma fonte a par do assunto.
Antes que o enriquecimento de urânio possa começar, uma equipe conjunta dos EUA e da Arábia Saudita avaliaria se a medida é justificada e comercialmente viável. Os americanos construiriam a instalação sem transferir a tecnologia sensível para o país do Oriente Médio. Além disso, o acordo proíbe Riad de desenvolver sua própria tecnologia de enriquecimento ou de adquiri-la de outros países por uma década, segundo o Wall Street Journal.
Salvaguardas e inspeções: o que diz o pacto
O acordo inclui limitações quanto às inspeções que poderiam ser realizadas no programa saudita, segundo autoridades e fontes, o que pode suscitar ceticismo entre legisladores. A Arábia Saudita não é obrigada a assinar um acordo padrão conhecido como Protocolo Adicional com a Agência Internacional de Energia Atômica, ao contrário do que fizeram os Emirados Árabes Unidos em 2009, ao assinarem um acordo de cooperação nuclear de "padrão ouro" com os EUA, afirmou uma autoridade.
Os sauditas resistiram por muito tempo a assinar o protocolo, receosos de que ele pudesse, teoricamente, permitir a entrada de inspetores na cidade sagrada de Meca ou em palácios reais. Em vez disso, o documento inclui um pacto bilateral de salvaguardas que se assemelha ao protocolo-modelo, mas não contém as cláusulas que desagradaram a Riad, segundo informou uma autoridade dos EUA à CNN.
Reações e riscos de proliferação na região
A medida causa preocupação entre os países da região, que temem a proliferação de armas nucleares. Israel, país que, segundo se acredita amplamente, possui armas nucleares não declaradas, vê com desconfiança o acesso da Arábia Saudita à tecnologia nuclear. O Irã, principal rival da Arábia Saudita, possui um estoque de urânio enriquecido e prometeu manter seu programa nuclear mesmo após meses de bombardeios dos EUA, alegando que o programa tem fins civis.
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, disse que buscaria ter uma arma nuclear caso o Irã venha a produzir uma. Qualquer acordo que conceda à Arábia Saudita acesso à tecnologia nuclear pode gerar controvérsia, tanto internamente quanto em toda a região do Oriente Médio, uma vez que a capacidade de enriquecer combustível nuclear poderia, em teoria, levar eventualmente à criação de armas nucleares.
O papel do Congresso e a aprovação do acordo
O acordo, aprovado pelo presidente Donald Trump na quarta-feira (22), seguirá agora para o Congresso para uma análise obrigatória. A CNN havia noticiado anteriormente que o governo deixou o acordo parado por meses devido a preocupações com a guerra envolvendo o Irã e a possibilidade de rejeição pelo Congresso. O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica terá de ratificar os termos do acordo.
Benefícios comerciais e estratégicos para os EUA
O comunicado do Departamento de Energia afirmou que os acordos marcam o início de "uma parceria multibilionária de várias décadas" e argumentou que o pacto irá "gerar empregos bem remunerados nos EUA e promover o crescimento econômico a longo prazo". Na declaração de anúncio da assinatura, o secretário de Energia americano, Chris Wright, argumentou que "os acordos mantêm os mais altos padrões de segurança nuclear e não proliferação".
Dan Joyner, consultor de regulamentação nuclear e professor de direito da Universidade do Alabama, disse à CNN que o entendimento abrirá caminho para que "empresas americanas e de países aliados" vendam "reatores, componentes, serviços de combustível, treinamento e assistência técnica", mediante aprovação governamental para exportação. O acordo poderia beneficiar estrategicamente os EUA, argumentou Joyner, caso vincule os sauditas ao uso de tecnologia americana e proporcione a Washington uma "influência contínua sobre as práticas de segurança, proteção e não proliferação" associadas a ela.
Se o acordo fracassar, disse ele, "a Arábia Saudita poderá voltar-se para a Rússia ou a China, conferindo a esses países influência de longo prazo sobre infraestruturas sauditas críticas". acordo nuclear irã eua programa nuclear civil oriente medio
Perguntas Frequentes
O que é o acordo 123 entre EUA e Arábia Saudita?
É um documento de cooperação nuclear civil que permite o enriquecimento de combustível para reatores, com duração prevista de 30 anos, envolvendo empresas americanas no fornecimento de tecnologia.
Quais salvaguardas Marco Rubio mencionou?
Rubio afirmou que qualquer acordo incluirá salvaguardas para garantir que o programa não seja convertido em armas, destacando o envolvimento de tecnologia e empresas americanas como a melhor garantia.
A Arábia Saudita precisa assinar o Protocolo Adicional da AIEA?
Não. O acordo não exige que Riad assine o Protocolo Adicional, ao contrário do que fizeram os Emirados Árabes Unidos em 2009. Em vez disso, há um pacto bilateral de salvaguardas.
O que acontece se o acordo não for aprovado pelo Congresso?
O acordo segue para análise obrigatória do Congresso. Se rejeitado, a Arábia Saudita pode buscar cooperação com Rússia ou China, segundo analistas.
Por que Israel e Irã se preocupam com o acordo?
Israel vê com desconfiança o acesso saudita à tecnologia nuclear. O Irã, rival regional, possui urânio enriquecido e prometeu manter seu programa, enquanto o príncipe herdeiro saudita disse que buscaria armas nucleares se o Irã produzir uma.