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Keiko Fujimori recebe embaixador do Brasil no Peru a dias da posse

ResumoKeiko Fujimori, presidente eleita do Peru, recebeu o embaixador do Brasil no Peru, Clemende de Lima Baena Soares, em seu gabinete nesta quarta-feira (22). O encontro, a seis dias da posse, discutiu o fortalecimento das relações bilaterais. O presidente Lula não deve comparecer à cerimônia de posse.

A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, recebeu o embaixador do Brasil no país, Clemende de Lima Baena Soares, em seu gabinete nesta quarta-feira (22). O encontro, a seis dias da posse, discutiu o fortalecimento das relações bilaterais. O presidente Lula não deve comparecer

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 23 de julho de 2026 · 7 min de leitura
Keiko Fujimori recebe embaixador do Brasil no Peru a dias da posse

Keiko Fujimori recebe embaixador do Brasil no Peru em reunião de bastidor a dias da posse

A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, recebeu em seu gabinete nesta quarta-feira (22) o embaixador do Brasil no país, Clemende de Lima Baena Soares. O encontro, a seis dias da posse prevista para a próxima terça-feira (28), teve como pauta central as formas de fortalecer as relações bilaterais e os laços de amizade entre os países, segundo comunicado divulgado pelo governo peruano.

A CNN apurou que o convite para a participação do Brasil na cerimônia foi recebido pelo governo, mas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve comparecer. Em seu lugar, o chanceler Mauri Vieira deve representar o país.

A mensagem de Lula após a vitória de Fujimori

Após a confirmação da vitória de Fujimori nas eleições, no dia 3 de julho, Lula publicou uma mensagem nas redes sociais a parabenizando. "Parabenizo a presidenta-eleita Keiko Fujimori por sua vitória nas eleições presidenciais peruanas. Desejo-lhe pleno êxito na condução de seu mandato e na importante tarefa de agregar o povo peruano em torno de um projeto comum de desenvolvimento", escreveu Lula, após a oficialização do resultado.

Ele ressaltou ainda o que chamou de irmandade entre os países, afirmando que estão "prontos para avançar numa agenda bilateral ambiciosa". "Conte com o Brasil para construirmos juntos uma América do Sul mais próspera, integrada, democrática e soberana", concluiu.

Quarta candidatura, primeira vitória: a trajetória de Keiko Fujimori

Keiko Fujimori derrotou o deputado de esquerda Roberto Sánchez em uma disputa muito acirrada. Essa foi a quarta vez que ela chegou ao segundo turno da votação para Presidência e sua primeira vitória. Em 2011, quando o partido Fuerza Popular concorreu como Fuerza 2011, ela obteve cerca de 48% dos votos, ficando atrás de Ollanta Humala, com 51%. Em 2016, perdeu no segundo turno para Pedro Pablo Kuczynski, com 49,880% contra 50,120%. Em 2021, os números foram novamente apertados: ela conquistou 49,874% dos votos, contra 50,126% de Pedro Castillo.

Neste ano, ela fez campanha com uma plataforma de linha dura contra o crime, evocando o legado de seu falecido pai, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori. Keiko Fujimori tem 51 anos. Ela nasceu em Lima em 25 de maio de 1975 e é a mais velha dos quatro filhos de Alberto Fujimori, que faleceu em 2024, e Susana Higuchi, que faleceu em 2021.

Da administração de empresas ao Congresso: a entrada na política

Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, ela contou que, quando era jovem, não pensava em entrar para a política, mas em ser uma empresária. Por isso, estudou Administração de Empresas e fez mestrado nos Estados Unidos. "Nunca esteve nos meus planos ser política. Mas, uma vez que decidi, tinha que fazer direito", explicou.

Ela pontuou que sua vida mudou em 2005, quando o pai ligou para lhe dizer que estava sendo investigado e que poderia ser preso. Ele também a convidou para se candidatar ao Congresso nas eleições do ano seguinte. Keiko aceitou, concorreu pela AF (Aliança para o Futuro) e conquistou uma cadeira no Congresso, um passo que marcou sua entrada definitiva na vida pública peruana.

Em 2007, quando era congressista, o pai foi extraditado do Chile para o Peru, onde, em 2009, foi condenado a 25 anos de prisão por homicídio qualificado e lesão corporal grave nos casos de Barrios Altos e La Cantuta. Tanto o ex-presidente quanto sua família rejeitaram as acusações e lutaram por sua liberdade. Em dezembro de 2023, o Tribunal Constitucional do Peru validou o indulto humanitário concedido a ele em 2017 pelo então presidente Pedro Pablo Kuczynski.

A construção do partido e o legado do pai

Antes do primeiro turno das eleições deste ano, Fernando Tuesta, cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Peru, considerou que uma das características marcantes das campanhas de Keiko Fujimori foi sua postura em relação à presidência do pai, Alberto. Em 2011, segundo o especialista, ela se apresentou como a "herdeira" do ex-presidente, enquanto em 2016 se distanciou um pouco e, em 2021, voltou a abraçar esse legado. "Agora, 25 anos após o fim do governo do pai dela, ela está baseando sua campanha na memória do governo do pai, e seu ponto central de campanha é o que ela chama de 'ordem'", disse o analista.

Yadira Gálvez, professora da Universidade Nacional Autônoma do México, concordou que essa promessa de "ordem" foi uma das ideias-chave na campanha de Keiko, com políticas de tendência direita e que atendem às demandas dos cidadãos por maior segurança. De acordo com o especialista, a candidata teve a vantagem de ser uma das figuras públicas mais conhecidas do Peru, mas foi prejudicada tanto pelo legado controverso do pai quanto pelas acusações de corrupção que pesam contra ela.

Em seu Plano de Governo, no que diz respeito à segurança, Fujimori propõe a criação de centros de comando e vigilância interligados em todo o país, com mapas de criminalidade em tempo real, e que utilizem inteligência artificial para realizar análises preditivas e auxiliar na coordenação de emergências. Para combater a corrupção, a candidata propõe o fortalecimento dos processos de controle orçamentário e a ampliação dos poderes da Controladoria-Geral da República, enquanto na área econômica inclui um plano para reduzir os procedimentos que as pequenas e médias empresas precisam realizar para evitar o que ela chama de "custos desnecessários".

Investigações, prisão e o partido Fuerza Popular

Em 2017, foi anunciado que Keiko estava sendo investigada por supostamente ter recebido dinheiro da construtora Odebrecht para financiar as suas campanhas presidenciais, algo que ela negou repetidamente. Ela foi detida por este caso em 2018 e permaneceu na prisão durante 13 meses, até que, em 2019, o Tribunal Constitucional do Peru aceitou um recurso apresentado pela sua família para que ela pudesse enfrentar o julgamento em liberdade. Posteriormente, o tribunal anulou o caso e declarou sem efeito o julgamento contra ela por lavagem de dinheiro. Quando apresentou a sua quarta candidatura presidencial, em outubro do ano passado, Keiko afirmou que foi perseguida.

Em 2009, Keiko Fujimori mobilizou-se para fundar a Fuerza Popular, um partido político que se define como defensor do legado do falecido ex-presidente Alberto Fujimori. Fernando Tuesta, o cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Peru, disse à CNN que o Fuerza Popular ajudou sua fundadora a manter uma presença constante na vida política do país, com uma média de votos em torno de 15% e uma plataforma que lhe permitiu candidatar-se à presidência em 2011, 2016, 2021 e 2026. "Ela construiu o partido que seu pai nunca quis construir. O que Alberto Fujimori fez durante seus 10 anos no governo foi construir um movimento chamado Fujimorismo, e Keiko transformou isso em uma organização. É uma organização que lhe permitiu ter uma base permanente de intenções de voto", explicou o especialista.

Perguntas Frequentes

Quando Keiko Fujimori tomou posse como presidente do Peru?

A posse de Keiko Fujimori está prevista para a próxima terça-feira (28), seis dias após o encontro com o embaixador do Brasil.

Quem representou o Brasil na posse de Fujimori?

O presidente Lula não deve comparecer. Em seu lugar, o chanceler Mauri Vieira deve representar o país.

Quantas vezes Keiko Fujimori concorreu à presidência?

Esta foi a quarta vez que Keiko chegou ao segundo turno e a primeira em que saiu vitoriosa.

O que Keiko Fujimori propõe para a segurança no Peru?

Ela propõe centros de comando interligados com mapas de criminalidade em tempo real e uso de inteligência artificial para análises preditivas.

Keiko Fujimori foi presa? Por quê?

Ela foi detida em 2018 por suspeita de receber dinheiro da Odebrecht para campanhas, ficando 13 meses presa. O caso foi anulado pelo Tribunal Constitucional do Peru.

Qual é a relação de Keiko com o legado do pai, Alberto Fujimori?

Keiko fundou o partido Fuerza Popular, que defende o legado do ex-presidente, e sua campanha mais recente evocou a memória do governo do pai, com foco na promessa de "ordem".

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