# Jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia revela torturas em prisão

> Maksym Butkevych, jornalista e ativista ucraniano, foi feito prisioneiro de guerra pela Rússia em 2022. Butkevych sofreu tortura e recebeu condenação de 13 anos em tribunal controlado pela Rússia. A entrevista exclusiva à CNN Brasil revela os detalhes do tratamento desumano durante o cativeiro.

*Sucesso News · Eventos · 23 de julho de 2026 · Otávio Mancini*

Maksym Butkevych, jornalista e ativista de direitos humanos, foi um dos primeiros voluntários ucranianos feito prisioneiro de guerra pelos russos em 2022. Torturado e condenado a 13 anos em um tribunal controlado pela Rússia, ele revela em entrevista exclusiva à CNN Brasil os bas

## Jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia revela torturas em prisão

Maksym Butkevych, jornalista e ativista de direitos humanos, foi um dos primeiros voluntários do Exército ucraniano a ser feito prisioneiro de guerra pelos russos, logo após a invasão de 2022. Torturado física e psicologicamente durante meses, ele foi levado a julgamento por supostos crimes de guerra em cidades onde nunca pisou. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, na cidade de Lviv, Butkevych revela que os russos tentavam criar uma narrativa para justificar as ações violentas do Kremlin.

## A prisão e a condenação fraudulenta

Butkevych foi preso na região de Luhansk, ocupada pelos russos no leste da Ucrânia. Em março de 2023, um tribunal controlado pela Rússia o condenou a 13 anos de prisão. O governo russo alega que ele admitiu culpa pelos crimes, mas a Anistia Internacional denunciou o processo como uma farsa e afirmou que se tratava de retaliação contra o ativismo humanitário.

"Decidiram fabricar um processo criminal contra mim e me condenar como criminoso de guerra por algo que eu jamais fiz, em uma cidade onde eu sequer estive", disse Butkevych à CNN Brasil.

Ele passou dois anos e quatro meses em cativeiro até ser libertado em outubro de 2024, em uma troca de prisioneiros de guerra. Mas, segundo ele, a condição de prisioneiro de guerra não foi suficiente para seus captores.

## Confissão sob tortura: a base do processo

De acordo com Butkevych, a base de todo o processo era uma confissão obtida sob tortura e pressão psicológica extrema. "Eles me explicaram muito claramente o que aconteceria comigo se eu não assinasse. Eu seria quebrado fisicamente e mentalmente", afirmou.

Os relatos de maus-tratos são constantes. Interrogatórios acompanhados de espancamentos, ameaças, privação de itens básicos e sessões de exaustão física faziam parte da rotina dos prisioneiros. "A maioria dos interrogatórios não buscava informação militar. Eles queriam nos quebrar, destruir o nosso espírito", disse.

Segundo ele, os prisioneiros eram obrigados a realizar exercícios físicos até a exaustão, sob ameaça de agressões, e viviam em condições precárias, sem itens básicos de higiene, sem roupas adequadas e até sem sapatos.

## A guerra de valores: propaganda e identidade

Além da violência física, havia também uma intensa pressão psicológica e ideológica. Butkevych relata que os prisioneiros eram forçados a ouvir versões distorcidas da história e a repetir discursos de propaganda. "Nos diziam que a Ucrânia não existia mais, que Kiev havia caído, que éramos um povo só com a Rússia. Era uma tentativa constante de apagar nossa identidade", disse.

Para ele, essa experiência revelou algo mais profundo sobre a natureza do conflito. "Para os ucranianos, é muito claro que esta não é uma guerra por território. A Rússia não precisa de mais território. Esta é uma guerra de valores, uma guerra de visões de mundo", afirmou.

Segundo Butkevych, o que está em jogo é a tentativa de impor um modelo em que o Estado tem poder absoluto sobre os indivíduos. "Para o governo russo, o Estado é o valor número um. As pessoas não têm poder de decisão. Elas apenas devem obedecer", disse, ao descrever a lógica que, segundo ele, permeia o sistema do Kremlin.

Essa visão contrasta diretamente com a percepção dos ucranianos, mesmo dentro das prisões. "Todos compartilhavam a ideia de que as pessoas têm o poder. Que a dignidade humana deve ser respeitada. Que o Estado deve servir às pessoas, e não o contrário", afirmou.

## A luta por quem ainda está preso

Após ser libertado, Butkevych afirma que passou a se dedicar a dar voz aos que continuam presos, inclusive vários que foram capturados junto com ele, há mais de quatro anos. "Há milhares de ucranianos ainda em cativeiro. Eles não podem falar. Então eu tenho que falar por eles", afirmou.

Hoje, ele atua para denunciar as violações de direitos humanos e pressionar por novas trocas de prisioneiros, levando ao mundo relatos do que descreve como um sistema organizado de tortura, coerção e propaganda.

Para ele, o conflito na Ucrânia não pode ser compreendido apenas como uma disputa geopolítica. "É uma luta que vai muito além de fronteiras. É uma luta sobre que tipo de mundo queremos viver", concluiu.

## Perguntas Frequentes

### Quem é Maksym Butkevych?

Maksym Butkevych é um jornalista e ativista de direitos humanos ucraniano que se voluntariou no Exército ucraniano e foi feito prisioneiro de guerra pelos russos em 2022.

### Por que Butkevych foi condenado?

Ele foi condenado a 13 anos de prisão por um tribunal controlado pela Rússia, sob acusação de crimes de guerra, mas a Anistia Internacional classificou o processo como uma farsa.

### Butkevych confessou os crimes?

O governo russo alega que ele admitiu culpa, mas Butkevych afirma que a confissão foi obtida sob tortura e pressão psicológica extrema.

### Quando Butkevych foi libertado?

Ele foi libertado em outubro de 2024, após dois anos e quatro meses em cativeiro, em uma troca de prisioneiros de guerra.

### O que Butkevych faz atualmente?

Ele se dedica a denunciar violações de direitos humanos e pressionar por novas trocas de prisioneiros, dando voz aos milhares de ucranianos que ainda estão em cativeiro.

guerra na ucrânia: cronologia dos principais eventos direitos humanos em zonas de conflito

---

Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/eventos/jornalista-ex-prisioneiro-guerra-ucrania-revela-torturas-prisao/
