Israel teme corrida armamentista após acordo nuclear EUA-Arábia Saudita
Um acordo entre EUA e Arábia Saudita, que permite ao reino construir reatores nucleares com tecnologia americana e enriquecer urânio, acendeu o alerta em Israel. Ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e ex-ministro Avigdor Lieberman criticaram o pacto, que ainda depende do Congress
Israel teme corrida armamentista após acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita
Um acordo entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, que permite ao reino construir reatores nucleares utilizando tecnologia norte-americana e enriquecer urânio, alimentou temores em Israel de que se inicie uma corrida armamentista no Oriente Médio. O pacto, anunciado na quarta-feira (22), ainda precisa da aprovação do Congresso dos EUA e tem como objetivo permitir que os sauditas desenvolvam um programa nuclear civil.
Por que Israel teme uma corrida armamentista?
A preocupação central de Israel é que o enriquecimento de urânio em território saudita abra caminho para o desenvolvimento de armas nucleares. O país, amplamente considerado o detentor do único arsenal nuclear da região, vê o acordo como uma ameaça direta ao equilíbrio de poder. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que busca derrotar Benjamin Netanyahu nas eleições de 27 de outubro, foi enfático: "O acordo nuclear que está sendo fechado com a Arábia Saudita, sem o conhecimento de Israel, é uma grave falha estratégica que coloca em risco nossa segurança".
Bennett também alertou que "o enriquecimento nuclear em solo saudita pode levar a uma corrida nuclear regional e a uma perigosa perda de controle". O ex-ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, foi na mesma linha: "O programa nuclear civil na Arábia Saudita resultará em armas nucleares e levará a uma corrida armamentista insana em todo o Oriente Médio".
O que prevê o acordo entre EUA e Arábia Saudita?
O acordo permite que a Arábia Saudita construa reatores nucleares com tecnologia dos Estados Unidos e realize o enriquecimento de urânio, tudo dentro de um programa nuclear civil. A proposta vem sendo elaborada há anos, tanto durante o primeiro mandato de Donald Trump quanto na gestão de Joe Biden. Até agora, nenhum acordo havia sido concretizado, em parte devido a advertências de grupos de não proliferação, que afirmam que o pacto poderia abrir caminho para uma arma nuclear saudita.
A posição de Israel e o silêncio do governo
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus ministros da Defesa e das Relações Exteriores ainda não se pronunciaram sobre o acordo. Segundo críticos, o silêncio compromete os interesses de segurança de longo prazo de Israel. Lieberman afirmou que Israel deve se opor ao acordo e pressionar o Congresso dos EUA para impedi-lo.
A expectativa de normalização com a Arábia Saudita
Israel esperava que qualquer acordo nuclear fizesse parte de um pacto maior de normalização das relações com os sauditas, conforme previsto no plano de Biden. O ex-ministro da Defesa Benny Gantz destacou a insatisfação: "Não há nenhuma autoridade de segurança que diria que introduzir capacidade nuclear civil na Arábia Saudita sem integrar essa medida à construção de uma aliança regional moderada seja um passo benéfico para a segurança de Israel".
O que pode acontecer agora?
Com o acordo ainda dependendo do Congresso dos EUA, a pressão israelense deve aumentar nos próximos meses. A eleição israelense de 27 de outubro também coloca o tema em evidência, com Bennett usando o acordo como bandeira contra Netanyahu. A comunidade internacional observa com atenção: o enriquecimento de urânio em solo saudita, mesmo para fins civis, é visto como um precedente perigoso para a proliferação nuclear no Oriente Médio.
Perguntas Frequentes
O acordo já está em vigor?
Não. O acordo foi anunciado na quarta-feira (22), mas ainda precisa da aprovação do Congresso dos EUA.
O que Israel pode fazer para impedir o acordo?
Israel deve pressionar o Congresso dos EUA para bloquear o pacto, segundo afirmou o ex-ministro Avigdor Lieberman.
Por que Israel teme o enriquecimento de urânio na Arábia Saudita?
Porque o enriquecimento pode ser usado para produzir material para armas nucleares, o que desencadearia uma corrida armamentista regional.
O que é o programa nuclear civil saudita?
É um plano para construir reatores nucleares com tecnologia dos EUA e enriquecer urânio, supostamente para fins energéticos.
Quem são os principais críticos do acordo em Israel?
O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman lideram as críticas. Benny Gantz também se manifestou contra.