Queda dos juros no Brasil: 4 riscos que ameaçam a Selic
O Copom reduziu a Selic para 14% ao ano, o quarto corte consecutivo. Mas o comunicado deixou em aberto a decisão de setembro. Entenda os riscos que podem pausar a queda dos juros.
Da guerra ao clima: o que ameaça a queda dos juros no Brasil
Na quarta-feira (5), o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo, em decisão unânime. Mas o comunicado deixou em aberto o que vem na reunião de setembro. Especialistas ouvidos pelo CNN Money listam quatro frentes de atenção: guerra, clima, fiscal e eleições.
O que pode pausar o ciclo de cortes da Selic?
A ata do Copom, divulgada nesta terça-feira (11), é o primeiro termômetro. Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, projeta mais uma redução em 2026, com a Selic fechando o ano em 13,75%. Ele vê espaço para o BC continuar, desde que o cenário se confirme: desaceleração heterogênea, inflação sob controle nos próximos dois meses e câmbio comportado.
Guerra no Oriente Médio: o risco do petróleo
O preço do petróleo, por causa dos conflitos no Oriente Médio, segue como risco. Sichel explica: um choque de oferta comprime margens das empresas e a renda das famílias, gerando menos atividade com mais inflação. "Absolutamente desconfortável para a autoridade monetária", diz.
Clima e inflação: o alerta do El Niño
Fernanda Guardado, economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, questiona como cortar juros se a projeção para 2028 ainda não está na meta. Ela cita riscos assimétricos para cima, como o El Niño, que pode pressionar preços. Para ela, uma pausa pode ser o ideal.
Cenário externo: juros lá fora e proteção local
Guardado também observa a expectativa de alta de juros pelo Federal Reserve e outros bancos centrais. Para ela, o Brasil sofre menos que outros emergentes: "O fato de já estarmos em patamar mais alto nos protege um pouco", afirma.
Eleições, fiscal e o espaço para cortes
Cristiane Quartaroli, do Ouribank, vê o câmbio favorecendo a inflação e prevê cortes "a conta-gotas". Ela destaca a resiliência da atividade e o mercado de trabalho, que já mostram sinais de desaceleração. Já Arnaldo Lima, da Polo Capital, pede equilíbrio: a taxa real elevada prejudica o PIB potencial, e o fiscal segue como ponto de desconfiança. "Precisamos de uma indicação mais efetiva da estabilização da dívida pública", completa.
O que observar até setembro
A reunião do Copom em setembro será decisiva. Os investidores ficam de olho na ata, nos dados de inflação, no câmbio e no petróleo. O cenário eleitoral e o fiscal também entram no balanço de riscos. A queda dos juros pode continuar, mas os obstáculos são reais.
Perguntas Frequentes
O Copom vai cortar a Selic em setembro?
Não há garantia. O comunicado deixou em aberto. Economistas divergem entre pausa e novo corte de 0,25 ponto.
O que é a ata do Copom?
É o documento que detalha os motivos da decisão. A ata desta reunião foi divulgada na terça-feira (11).
Como a guerra afeta os juros no Brasil?
Conflitos no Oriente Médio podem elevar o preço do petróleo, pressionando a inflação e limitando espaço para cortes.
O que é o El Niño e como impacta a inflação?
É um fenômeno climático que pode afetar a produção de alimentos e a energia, pressionando os preços e os juros.
Qual a projeção para a Selic no fim de 2026?
Felipe Sichel, da Porto Asset, projeta Selic em 13,75% ao ano, com mais uma redução no próximo ano.