O que grandes eventos ensinam sobre cidades inteligentes | Bastidores
Grandes eventos deixaram de ser planejados apenas para receber milhares de pessoas. Eles se tornam espaços para testar tecnologias que podem ser aplicadas nas cidades, especialmente em mobilidade, monitoramento, acessibilidade e sustentabilidade.
O que grandes eventos ensinam sobre cidades inteligentes
Grandes eventos deixaram de ser planejados apenas para receber milhares de pessoas durante alguns dias. Cada vez mais, eles se tornam espaços para testar tecnologias que também podem ser aplicadas nas cidades, especialmente em áreas como mobilidade, monitoramento, acessibilidade e sustentabilidade.
Um festival com mais de 100 mil pessoas em Lisboa testou soluções de mobilidade, monitoramento ambiental e acessibilidade. Segundo estudo da Universidade Tecnológica de Delft (2023), 51,6% das inovações testadas em festivais avançaram para comercialização.
Festival como laboratório urbano
No fim de junho, Beto Marcelino, fundador e presidente do Conselho do Grupo iCities, hub de inovação em cidades inteligentes sediado em Curitiba, acompanhou, em Lisboa, uma iniciativa que utilizou um grande festival com mais de 100 mil pessoas como ambiente de teste para soluções voltadas para espaços urbanos.
"Vi que é possível levar o conceito de cidades inteligentes para um lugar que abriga quase 100 mil pessoas em um dia de evento. Você tem todos os problemas que uma cidade enfrenta: logística, segurança, altas temperaturas, clima, e a questão de transitar de forma mais ordenada em busca de alimento, bebida, banheiro e até produtos de higiene", afirma Marcelino.
A iniciativa reuniu 13 startups e empresas de tecnologia para apresentar soluções distribuídas em diferentes áreas. Entre elas estavam ferramentas para orientar visitantes sobre filas e serviços disponíveis, sistemas de monitoramento ambiental, integração de dados em tempo real, gestão da mobilidade, reciclagem e recursos voltados à acessibilidade.
Mobilidade e monitoramento em tempo real
Na área de mobilidade, foram conectadas vagas ociosas de estacionamento ao plano de mobilidade do festival. Já na gestão de infraestrutura, foram integrados em tempo real os dados de todos os parceiros, alimentando um gêmeo digital, réplica virtual capaz de ampliar a visão da organização sobre o que acontecia no espaço físico.
"A central de monitoramento estava interligada acompanhando qualidade do ar, temperatura e assistência médica", relata Marcelino. Essa integração de dados também permitiu gerenciar os fluxos e as filas dos banheiros do festival, com informações de lotação e tempo de espera em tempo real disponíveis aos participantes.
Acessibilidade e sustentabilidade
Já nas frentes de acessibilidade e sustentabilidade, o evento contou com soluções de reciclagem e espaços pensados para públicos específicos. "Foi pensado em duas soluções para pessoas com deficiência, em áreas bem nobres: uma área para PcD e também uma área para pessoas com autismo", complementa.
Segundo ele, essa estrutura toda representa uma oportunidade de testar soluções com avaliação dos próprios usuários do evento. "Foram colocadas diversas soluções à disposição no evento, que podem ser transpostas para as cidades", ressalta.
O que diz a pesquisa acadêmica
Um estudo de 2023 da Universidade Tecnológica de Delft, na Holanda, acompanhou 31 projetos de inovação testados durante um festival. Os resultados mostraram que 51,6% das iniciativas conseguiram avançar para fases de testes, aplicação no mercado ou comercialização.
Entre os protótipos validados com o público estavam soluções como o uso de baterias de carros elétricos para alimentar palcos de música, sistemas descentralizados de pagamento via blockchain e baterias de alta capacidade projetadas para substituir geradores a diesel.
Além de acelerar startups, esses testes fornecem dados para o gerenciamento de multidões. "Acredito que fica o legado de um pensamento na pessoa que está ali como espectador: ter mais qualidade de vida não só na questão da música e do entretenimento, mas também um olhar de cidadão", destaca Beto.
O caso brasileiro
No Brasil, esse conceito também vem sendo incorporado em eventos voltados à discussão sobre cidades inteligentes. Produzido pelo iCities, o Smart City Expo Curitiba, maior evento do tema nas Américas, reúne anualmente soluções e iniciativas que podem ser adaptadas à realidade dos municípios.
Na edição deste ano, realizada em março, foram apresentadas experiências relacionadas à eletromobilidade, sinalização inteligente, tótens de segurança e alerta para prevenir crimes, integração de órgãos públicos e aplicação de critérios ambientais, sociais e de governança no planejamento e gestão urbana, entre outras propostas voltadas à melhoria da qualidade de vida nas cidades.
"O iCities é uma marca pioneira, a primeira empresa do Brasil a levantar a bandeira de cidades inteligentes, a fazer o primeiro evento do tema no país e depois trazer a internacionalização, levando o Brasil também para a Europa, para os eventos de Barcelona. Acredito que a participação do Brasil, por meio do iCities, é natural em eventos que envolvem a temática de smart cities", conclui Marcelino.
O que esperar dos próximos passos
Com a validação de soluções em ambientes controlados, a expectativa é que mais prefeituras e empresas incorporem esses aprendizados. O legado vai além da tecnologia: ele muda a forma como o cidadão enxerga o espaço público. O próximo movimento deve ser a replicação desses modelos em cidades de médio porte, onde a escala permite testes com menor risco.
Perguntas Frequentes
Grandes eventos realmente ajudam a testar cidades inteligentes?
Sim. Eles reúnem multidões e problemas urbanos reais, permitindo testar soluções de mobilidade, monitoramento e acessibilidade com feedback imediato dos usuários.
Quantas startups participaram do festival em Lisboa?
Foram 13 startups e empresas de tecnologia que apresentaram soluções em áreas como filas, monitoramento ambiental, mobilidade e reciclagem.
Qual a taxa de sucesso das inovações testadas em festivais?
Segundo estudo de 2023 da Universidade Tecnológica de Delft, 51,6% dos projetos avançaram para testes de mercado ou comercialização.
O que é um gêmeo digital?
É uma réplica virtual de um espaço físico que integra dados em tempo real para ampliar a visão da organização sobre o que acontece no local.
O Brasil tem eventos sobre cidades inteligentes?
Sim. O Smart City Expo Curitiba, produzido pelo iCities, é o maior evento do tema nas Américas e reúne soluções adaptáveis aos municípios brasileiros.
Quais soluções foram validadas em festivais?
Baterias de carros elétricos para alimentar palcos, pagamento via blockchain e baterias de alta capacidade para substituir geradores a diesel.