Fifa sai em alta da Copa do Mundo dos excessos, com a mancha do caso Balogun
A Fifa encerra a Copa do Mundo de 2026 com recordes de público e média de gols, mas sob a sombra da interferência de Donald Trump para liberar Folarin Balogun. O torneio de 48 seleções provou o acerto da expansão, enquanto o caso expõe os limites da governança no futebol.
Fui acompanhar os últimos dias da Copa do Mundo de 2026 com a sensação de quem testemunha um espetáculo que, apesar dos excessos, se prova vitorioso. A Fifa e seu presidente, Gianni Infantino, enfrentaram um desafio enorme com essa edição, uma organização gigantesca repleta de obstáculos. Após o encerramento do evento neste domingo (19) com a vitória da Espanha, a organização provou que sua aposta foi bem-sucedida. O ponto mais controverso, no entanto, foi a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anular a expulsão do atacante americano Folarin Balogun, liberado para jogar as oitavas de final contra a Bélgica.
A 23ª edição da Copa do Mundo será lembrada pela sua combinação característica de espetáculo, emoção e drama. Uma estatística confirma a natureza espetacular do evento: com 307 gols marcados em 103 jogos (antes da final), uma média de 2,96 por jogo, o torneio de 2026 é o com maior média de gols desde a edição de 1970, no México, que teve média de 2,97 gols por partida.
Recordes de público e a festa das torcidas
Segundo dados da Fifa divulgados antes da final de domingo, o torneio atraiu 6.810.966 espectadores, um número superior à soma dos públicos das Copas de 2018 e 2022. A média de público foi de 65.490 pessoas por jogo, com a ocupação dos estádios atingindo 99,7%. Dezenas de milhares de torcedores chegaram de todo o mundo para apoiar suas seleções, sempre com grande cordialidade, com destaque para os 'banderazos' argentinos, a remada viking dos noruegueses e os escoceses com suas gaitas de fole e kilts.
Até mesmo os times considerados azarões fizeram bonito. Cabo Verde, um arquipélago africano que estreava em Mundiais, deu trabalho aos dois finalistas: empatou em 0 a 0 com a Espanha na fase de grupos e levou a Argentina até a prorrogação nos 16-avos de final. O Egito, que nunca havia passado da primeira fase, levou a 'Albiceleste' ao limite nas oitavas de final, chegando a ter dois gols de vantagem faltando 11 minutos para o fim, mas sucumbindo a Lionel Messi.
Longe de decepcionar, os estreantes participaram da festa, desafiando as previsões dos céticos, como o presidente da Uefa, Aleksandr Ceferin, que haviam alertado que a expansão de 32 para 48 seleções resultaria em uma infinidade de jogos "desinteressantes".
O preço dos ingressos e a sombra política
Os preços elevados dos ingressos não foram a única crítica ou controvérsia que a Fifa teve que enfrentar. O sistema de "preços dinâmicos" foi fortemente criticado pelos torcedores, pois assistir a qualquer jogo exigia gastos de centenas, e muitas vezes milhares, de dólares.
A maior polêmica surgiu quando Trump admitiu ter ligado para Infantino para permitir que o atacante americano Folarin Balogun, expulso na fase de 16-avos de final contra a Bósnia, jogasse a rodada seguinte contra a Bélgica. No fim das contas, a derrota da seleção anfitriã por 4 a 1 impediu que o escândalo ganhasse maiores proporções. Embora a Uefa tenha criticado a Fifa por cruzar uma "linha vermelha", dada sua firme oposição a interferências políticas, e apesar do impacto negativo na imagem de Infantino, não parece provável que esse incidente diminua suas chances de reeleição no ano que vem.
O duelo de gênios: Messi e Mbappé
Muitas estrelas deram um show. Aos 39 anos, Lionel Messi foi tão decisivo quanto em seu auge, desempenhando um papel fundamental para levar a Argentina à final. Contra a Áustria, na segunda rodada da fase de grupos, ele superou o alemão Miroslav Klose e se tornou o maior artilheiro da história da Copa do Mundo, com 17 gols. Mais tarde, elevou essa marca para 21 gols, embora tenha acabado sendo ultrapassado por Kylian Mbappé, que chegou aos 22.
Os dois também disputaram a Chuteira de Ouro, prêmio conquistado pelo francês graças aos dois gols marcados na disputa pelo terceiro lugar. Ele terminou com um total de dez gols, contra oito de Messi. Na sequência, aparecem Erling Haaland e Jude Bellingham (7), Ousmane Dembélé e Harry Kane (6) e Mikel Oyarzabal (5).
O futuro: 64 seleções em 2030?
O sucesso da Copa do Mundo pode levar Infantino a ampliar a edição de 2030, que marca o centenário do torneio, para 64 seleções participantes. O evento será sediado por Espanha, Portugal e Marrocos, com jogos adicionais na Argentina, Uruguai e Paraguai. As confederações sul-americana, asiática e africana já declararam apoio para a reeleição de Infantino em 2027.
Perguntas Frequentes
Quantos gols teve a Copa do Mundo de 2026?
Foram 307 gols em 103 jogos (antes da final), com média de 2,96 por partida, a maior desde 1970.
Qual foi o público total da Copa de 2026?
O torneio atraiu 6.810.966 espectadores, superando a soma dos públicos de 2018 e 2022.
O que foi o caso Balogun?
Donald Trump admitiu ter ligado para Gianni Infantino para anular a expulsão de Folarin Balogun, permitindo que jogasse as oitavas de final contra a Bélgica.
Quem ganhou a Chuteira de Ouro?
Kylian Mbappé conquistou a Chuteira de Ouro com dez gols, contra oito de Lionel Messi.
A Copa de 2030 terá 64 seleções?
Há chances de Infantino ampliar o torneio do centenário para 64 seleções, com sede em Espanha, Portugal e Marrocos.