EUA retomam bombardeios no Irã: o que mudou no conflito
Os EUA retomaram bombardeios no Irã, atingindo dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica. A operação de duas horas visa reduzir ameaças a forças americanas e aliados, enquanto o conflito se expande para Jordânia, Iraque e Egito.
Os Estados Unidos retomaram bombardeios no Irã na madrugada desta quinta-feira (30), em uma operação de duas horas que atingiu dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica. A ação marca uma nova escalada no conflito que já se expande para Jordânia, Iraque e Egito, com impactos diretos no Estreito de Ormuz.
As Forças Armadas dos EUA informaram ter atingido centros de comando militar e instalações de drones. O CENTCOM (Comando Central dos EUA) afirmou em comunicado que "os ataques visavam diminuir ainda mais as ameaças representadas pelo Irã e seus aliados às forças americanas, à navegação comercial e aos países vizinhos do Golfo".
Três pessoas morreram em ataques americanos na ilha de Qeshm, segundo a mídia estatal iraniana. O ataque dos EUA ocorreu depois que o Irã confirmou, na quarta-feira (29), ter disparado mísseis balísticos contra tropas americanas na Jordânia. O CENTCOM afirmou que todos os mísseis foram interceptados.
O que mudou na estratégia americana
A retomada dos bombardeios representa uma mudança de tática em relação ao cessar-fogo temporário firmado em junho, que fracassou em meio à retomada dos combates pelo Estreito de Ormuz. Diferente da campanha inicial lançada em fevereiro, que duraria "apenas algumas semanas" segundo Trump, a nova fase envolve ataques coordenados com aliados regionais.
Na quarta-feira, forças americanas e sauditas lançaram ataques contra grupos alinhados ao Irã no leste do Iraque, em retaliação a ataques com drones contra alvos petrolíferos sauditas. Foi a primeira vez que Riad se juntou publicamente a ataques ao lado de Washington.
A expansão do conflito para novos fronts
As Forças Armadas da Jordânia informaram nesta quinta-feira que frustraram uma tentativa iraniana de atingir o reino, interceptando cinco mísseis. As bases americanas na Jordânia tornaram-se alvos prioritários do Irã recentemente.
No Egito, um drone atingiu um navio-tanque de armazenamento de gás de propriedade americana no porto de Damietta, no Mediterrâneo, informou a empresa britânica de segurança marítima Ambrey. O Ministério do Petróleo do Egito confirmou um incêndio no porto, mas não mencionou um ataque com drone. Não ficou imediatamente claro quem foi o responsável.
Os Houthis, alinhados ao Irã no Iêmen, declararam um bloqueio naval à Arábia Saudita na semana passada, ameaçando arrastar mais países para o conflito.
O papel do Estreito de Ormuz nas negociações
O Estreito de Ormuz tornou-se o principal obstáculo nas negociações de paz. A via navegável, que transportava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra, fica entre Omã e o Irã, ligando o Golfo Pérsico ao norte com o Golfo de Omã ao sul.
O Irã afirmou na quarta-feira que atacou três petroleiros que tentavam transitar pelo estreito por uma rota não autorizada e que controla a via. Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos países do Golfo para administrar o estreito, incluindo a cobrança de taxas voluntárias, mas o Irã rejeitou a proposta omanita, segundo fontes do Golfo e um diplomata ocidental ouvidos pela Reuters.
O que esperar dos próximos passos
Trump disse que puniria o Irã severamente por disparar mísseis contra as forças americanas, mas que Washington também continuava buscando um acordo de paz para encerrar o conflito que abalou os mercados globais de energia e finanças com o bloqueio do Estreito de Ormuz.
O cronograma de obra, neste caso de guerra, a gente confere no edital das negociações: o cessar-fogo de junho não durou, e a retomada dos bombardeios mostra que a pressão militar continua sendo a ferramenta principal dos EUA, enquanto a via diplomática tenta uma saída que depende do controle do estreito.
Perguntas Frequentes
Por que os EUA retomaram os bombardeios no Irã?
Os EUA retomaram os bombardeios após o Irã disparar mísseis balísticos contra forças americanas na Jordânia. A operação de duas horas atingiu dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica.
Quantas pessoas morreram nos ataques?
A mídia estatal iraniana noticiou que três pessoas morreram em ataques americanos na ilha de Qeshm.
Qual o papel do Estreito de Ormuz no conflito?
O estreito tornou-se o principal obstáculo nas negociações de paz. O Irã afirma controlá-lo e atacou petroleiros que tentavam transitar por rotas não autorizadas.
A Arábia Saudita participou dos ataques?
Sim, na quarta-feira forças americanas e sauditas lançaram ataques conjuntos contra grupos alinhados ao Irã no leste do Iraque, a primeira vez que Riad se juntou publicamente a ataques ao lado de Washington.
O que aconteceu no Egito?
Um drone atingiu um navio-tanque de gás americano no porto de Damietta, no Mediterrâneo. O Ministério do Petróleo do Egito confirmou um incêndio, mas não mencionou ataque com drone.
Há negociações de paz em andamento?
Sim, Omã apresentou um plano para administrar o Estreito de Ormuz, mas o Irã rejeitou a proposta. Trump afirmou que busca um acordo de paz, mas que punirá o Irã severamente pelos ataques.