# EUA "marcam terreno" frente à China em acordo nuclear, diz professor

> O acordo nuclear EUA-Arábia Saudita, analisado pelo professor Vitelio Brustolin (UFF/Harvard), representa uma estratégia americana para "marcar terreno" frente à China. A China é a maior compradora de petróleo saudita e potencial fornecedora de tecnologia nuclear por até 60 anos. O pacto busca conter a influência chinesa no Oriente Médio.

*Sucesso News · Eventos · 23 de julho de 2026 · Nayara Couto*

Os Estados Unidos firmaram novo acordo nuclear com a Arábia Saudita. Para o professor Vitelio Brustolin (UFF/Harvard), a movimentação "marca terreno" frente à China, maior compradora do petróleo saudita e potencial fornecedora de tecnologia nuclear por até 60 anos.

## EUA "marcam terreno" frente à China em acordo nuclear, diz professor

Os Estados Unidos firmaram um novo acordo nuclear com a Arábia Saudita, divulgado nesta terça-feira (22). O movimento é lido por especialistas como uma estratégia americana para ampliar sua influência no Golfo Pérsico e conter o avanço de China e Rússia na região. Ao WW, Vitelio Brustolin, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, comentou o tema.

### O que prevê o Tratado de Não Proliferação Nuclear?

Brustolin recordou que o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de 1968, que entrou em vigor em 1970, previa que os cinco países membros permanentes da ONU, Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido e China, se comprometeriam a reduzir seus arsenais nucleares. Em contrapartida, os demais países signatários se absteriam de desenvolver armas atômicas.

"Esse tratado prevê que os cinco países que tinham armas nucleares não criariam mais armas nucleares e as reduziriam, reduziriam os seus estoques", explicou o especialista.

### Por que o acordo foge ao "padrão ouro"?

O especialista alertou que o acordo firmado não atende ao chamado "padrão ouro", ou seja, não passa pelas inspeções mais rigorosas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Segundo Brustolin, o único garantidor de que o programa nuclear saudita não seria utilizado para fins militares seriam os próprios Estados Unidos.

### A doutrina americana de 1974 e seu fim na era Trump

Brustolin explicou que, após o teste nuclear indiano de 1974, os Estados Unidos adotaram uma doutrina que impedia o enriquecimento de urânio e o reprocessamento de plutônio por outros países, fornecendo, quando necessário, urânio enriquecido a até 20%. Esse modelo foi mantido durante as administrações Carter, Reagan, Bush, Clinton, Bush filho, Obama e Biden.

"Só que ela acaba agora justamente na administração Trump, e existe uma razão para isso", afirmou.

### A razão geopolítica: China e Rússia no centro

A razão, segundo Brustolin, está diretamente ligada à disputa geopolítica com China e Rússia. Em 2023, a China mediou uma reaproximação entre Irã e Arábia Saudita, países historicamente adversários. Além disso, a China é o maior comprador do petróleo saudita e poderia se tornar fornecedora de tecnologia nuclear para a Arábia Saudita, uma dependência que, segundo o especialista, poderia se estender por até 60 anos.

"A leitura é de que os Estados Unidos preferem marcar terreno, nesse momento, na Arábia Saudita", disse Brustolin.

### Países que desenvolveram armas nucleares apesar do TNP

O especialista destacou que, apesar dos esforços do programa "Átomos pela Paz", iniciativa da ONU para promover o uso civil da energia nuclear, diversos países acabaram desenvolvendo armamentos atômicos. Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte são exemplos citados por Brustolin de nações que, a partir de programas civis ou clandestinos, alcançaram capacidade nuclear. O Irã, por sua vez, estaria próximo de elevar seu nível de enriquecimento de urânio de 60% para 90%, o estágio seguinte para a produção de armas.

### Impacto indireto sobre o Irã

O acordo também cria, indiretamente, um problema para o Irã, ao aproximar os norte-americanos das monarquias árabes do Golfo Pérsico. Para Brustolin, a movimentação americana sinaliza uma tentativa de conter a influência chinesa e russa na região, ao mesmo tempo que reforça alianças estratégicas com potências petrolíferas locais.

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## Perguntas Frequentes

### O que é o Tratado de Não Proliferação Nuclear?

É um acordo internacional de 1968, em vigor desde 1970, que obriga os cinco membros permanentes da ONU a reduzirem seus arsenais nucleares e proíbe outros países signatários de desenvolverem armas atômicas.

### Por que o acordo EUA-Arábia Saudita não segue o "padrão ouro"?

Porque não submete o programa nuclear saudita às inspeções mais rigorosas da AIEA. A garantia de uso pacífico fica a cargo dos próprios Estados Unidos.

### Qual o papel da China nessa disputa?

A China é a maior compradora de petróleo saudita e mediou a reaproximação entre Irã e Arábia Saudita em 2023. Poderia se tornar fornecedora de tecnologia nuclear por até 60 anos.

### O Irã está perto de ter armas nucleares?

Segundo Brustolin, o Irã estaria próximo de elevar seu enriquecimento de urânio de 60% para 90%, o estágio necessário para produzir armas atômicas.

### Quais países desenvolveram armas nucleares apesar do TNP?

Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte são exemplos de nações que alcançaram capacidade nuclear a partir de programas civis ou clandestinos.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/eventos/eua-8220marcam-terreno8221-frente-china-acordo-nuclear-diz-professor/
