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Caldo e produtos da cana-de-açúcar atraem visitantes na Expocrato

ResumoA Expocrato 2026 destaca o caldo de cana e derivados como protagonistas da praça de alimentação. A produção artesanal da bebida representa a identidade rural do Cariri e atrai milhares de visitantes anualmente.

Na Expocrato 2026, o caldo de cana e outros derivados da cana-de-açúcar são os protagonistas da praça de alimentação. Mais que uma bebida, o caldo representa a identidade rural do Cariri, com produção artesanal que atrai milhares de visitantes todos os anos.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 17 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Caldo e produtos da cana-de-açúcar atraem visitantes na Expocrato

Cheguei na Expocrato no meio da tarde, e o cheiro doce de caldo de cana já tomava conta do ar. Na praça de alimentação, uma fila formava-se diante de uma moenda manual, onde seu Antônio, 62 anos, espremia as canas com a força dos braços. "É o mesmo jeito que meu pai fazia", ele me disse, enquanto o líquido verde-escuro escorria para uma jarra. A cena se repete a cada edição da feira, que desde 1954 reúne o agronegócio e a cultura do Cariri.

O caldo de cana, também chamado de garapa em outras regiões, é o carro-chefe. Mas não para por aí. A cana-de-açúcar, cultivada em larga escala no Ceará, o estado produziu 1,2 milhão de toneladas em 2024, segundo o IBGE, se transforma em melado, rapadura e cachaça artesanal. Na barraca vizinha, dona Maria do Carmo vendia tabletes de rapadura feitos na usina familiar. "Aqui a gente mostra como era a vida no eito", explicou, referindo-se ao trabalho braçal nos canaviais.

Fui conversar com quem faz a festa. João Batista, presidente da comissão organizadora, contou que a praça de alimentação é pensada para valorizar a produção local. "O visitante não vem só para ver gado. Vem para sentir o cheiro da terra, provar o doce da cana", disse. A edição de 2026, que ocorre de 14 a 20 de julho, espera receber 150 mil pessoas, número próximo ao recorde de 2024.

A rapadura é um dos derivados mais tradicionais. Feita a partir do melado da cana, ela é cortada em blocos e vendida pura ou com amendoim, coco e gergelim. O melado, por sua vez, é usado em sobremesas e até como remédio caseiro para gripe. Já a cachaça, destilada em alambiques do Cariri, atrai os apreciadores de uma boa branquinha. "Cada gole conta a história do sertão", brincou seu Raimundo, produtor de cachaça artesanal de Crato.

A origem dessa tradição está no ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste, que remonta ao período colonial. O Cariri, com seu clima semiárido e solos férteis, tornou-se um polo de produção de cana para subsistência e pequena indústria. A Expocrato, como vitrine, mantém viva essa memória. "O caldo é a alma da feira", resumiu uma visitante de Juazeiro do Norte, enquanto tomava o líquido em um copo de 300 ml.

Além do sabor, há o aspecto econômico. A cadeia produtiva da cana movimenta R$ 2,5 bilhões por ano no Ceará, segundo dados da Secretaria de Agricultura estadual. Na Expocrato, pequenos produtores vendem diretamente ao público, sem atravessadores. "Aqui eu ganho o dobro do que ganharia no mercado", afirmou seu Antônio.

Para quem quer levar um pedaço da feira para casa, as opções são muitas: garrafas de melado, tabletes de rapadura, cachaça envelhecida em tonéis de carvalho. O preço médio do caldo de cana é de R$ 5 a R$ 8 o copo, e a rapadura sai por R$ 10 a R$ 15 o quilo.

tradição da cana-de-açúcar no Cariri

Se você for à Expocrato, não deixe de provar o caldo na moenda manual, é a experiência mais autêntica. E, se quiser entender mais sobre a história da cana no Brasil, vale visitar o Museu do Homem do Cariri, em Crato, que tem um acervo sobre a cultura canavieira.

Perguntas Frequentes

O que é a Expocrato?

A Expocrato é uma exposição agropecuária realizada anualmente em Crato, no Ceará, desde 1954. Reúne leilões de gado, shows, praça de alimentação e feira de artesanato.

Quais derivados da cana são vendidos na Expocrato?

Os principais são caldo de cana (garapa), rapadura, melado e cachaça artesanal. Todos produzidos por pequenos agricultores da região do Cariri.

Qual o preço médio do caldo de cana na feira?

O copo de 300 ml custa entre R$ 5 e R$ 8, dependendo da barraca e do tipo de moenda (manual ou elétrica).

A produção de cana no Ceará é significativa?

Sim. Em 2024, o estado produziu 1,2 milhão de toneladas de cana-de-açúcar, segundo o IBGE, e a cadeia produtiva movimenta R$ 2,5 bilhões por ano.

Quando acontece a Expocrato 2026?

A edição de 2026 ocorre de 14 a 20 de julho, no Parque de Exposições Pedro Feliciano, em Crato.

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