Bolsas de NY fecham em alta após inflação nos EUA e Livro Bege do Fed
As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta quarta-feira, impulsionadas pelos dados de inflação ao consumidor nos EUA e pela divulgação do Livro Bege do Fed. O Dow Jones subiu 0,8%, o S&P 500 avançou 1,1% e o Nasdaq registrou ganho de 1,5%, em um movimento de alívio após sinais
Os principais índices de Wall Street fecharam em alta nesta quarta-feira, impulsionados pelos dados de inflação ao consumidor dos EUA e pela divulgação do Livro Bege do Federal Reserve. O Dow Jones subiu 0,8%, o S&P 500 avançou 1,1% e o Nasdaq registrou ganho de 1,5%. O movimento reflete o alívio dos investidores com a leitura de que a inflação americana pode estar perdendo força, abrindo espaço para que o Fed mantenha a taxa de juros estável na próxima reunião.
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 0,2% em junho na comparação mensal, abaixo da expectativa de 0,3%. Na comparação anual, o CPI avançou 3,8%, também ligeiramente abaixo do esperado. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, subiu 0,1% no mês e 3,5% em 12 meses. Os números reforçam a percepção de que a política monetária restritiva do Fed está surtindo efeito.
O Livro Bege, relatório de atividade econômica compilado pelo Fed, apontou que a economia americana cresceu a um ritmo modesto nas últimas semanas, com sinais de desaceleração em setores como manufatura e imobiliário. O documento destacou que as pressões de preços continuaram a diminuir, embora de forma gradual. "A atividade econômica expandiu a um ritmo modesto desde o último relatório", afirmou o Fed, em tom cauteloso.
Inflação nos EUA: CPI abaixo do esperado
Os dados de inflação ao consumidor nos EUA vieram abaixo do consenso de mercado, alimentando o otimismo de que o Fed pode encerrar o ciclo de alta de juros. O CPI de junho subiu 0,2% ante maio, contra expectativa de 0,3%. O núcleo, que exclui itens voláteis, subiu 0,1%, também abaixo da previsão de 0,2%. Na comparação anual, o CPI avançou 3,8%, contra 4,0% esperado.
Para efeito de comparação, no Brasil, o IPCA registrou variação de 0,16% em junho de 2026, segundo o Banco Central, bem abaixo dos 0,58% de maio. A trajetória de desaceleração da inflação brasileira também tem sido acompanhada de perto pelo mercado.
Impacto nos juros americanos
A leitura de inflação mais baixa reforça a aposta de que o Fed manterá a taxa básica de juros inalterada na reunião de julho, entre 5,25% e 5,50%. Os futuros dos fundos federais indicam 95% de chance de manutenção, contra 70% na semana passada. "O mercado está precificando um Fed mais dovish, o que impulsiona ativos de risco", avaliou um estrategista do Morgan Stanley.
Livro Bege do Fed: atividade modesta
O Livro Bege, divulgado duas semanas antes de cada reunião do Fed, pintou um quadro de crescimento econômico modesto. O relatório, baseado em informações coletadas até 26 de junho, apontou que cinco dos 12 distritos do Fed relataram crescimento leve ou modesto, enquanto os demais reportaram atividade estável ou em declínio.
O mercado de trabalho mostrou sinais de esfriamento, com demanda por mão de obra diminuindo em vários setores. Os salários continuaram a subir, mas em ritmo mais lento. "As empresas relataram maior dificuldade em repassar custos aos consumidores", destacou o relatório.
Reação do mercado: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq
Os três principais índices de Wall Street fecharam no azul. O Dow Jones subiu 0,8%, para 34.500 pontos. O S&P 500 avançou 1,1%, para 4.450 pontos, puxado pelos setores de tecnologia e consumo discricionário. O Nasdaq, mais sensível a juros, saltou 1,5%, para 13.800 pontos, impulsionado por ações de grandes empresas como Apple, Microsoft e Nvidia.
O setor de tecnologia foi o destaque do dia, com o índice S&P 500 Information Technology subindo 1,8%. As ações de empresas de semicondutores, como a Nvidia, subiram 3,2%, refletindo o apetite por risco. O setor financeiro também se beneficiou, com o índice bancário subindo 1,2%.
O que esperar para os próximos dias
O mercado agora volta as atenções para a temporada de balanços do segundo trimestre, que começa na próxima semana com os resultados de grandes bancos como JPMorgan, Citigroup e Wells Fargo. Os investidores também monitoram os dados de inflação ao produtor (PPI) de junho, que serão divulgados na quinta-feira.
Para o Brasil, a trajetória da inflação segue sendo um ponto de atenção. O IPCA acumula alta de 3,31% no primeiro semestre de 2026, segundo dados do IBGE, com destaque para os meses de março (0,88%) e abril (0,67%). O Banco Central tem sinalizado que manterá a Selic em 9,75% ao ano até que a inflação convirja para a meta.
Perguntas Frequentes
O que é o Livro Bege do Fed?
O Livro Bege é um relatório do Federal Reserve que compila informações econômicas de cada um dos 12 distritos do banco central americano. Ele é divulgado duas semanas antes de cada reunião de política monetária e serve como base para as decisões de juros.
Por que a inflação nos EUA impacta as bolsas?
A inflação americana é o principal indicador que o Fed monitora para definir a taxa de juros. Inflação mais baixa reduz a pressão para alta de juros, o que estimula o investimento em ações e impulsiona as bolsas.
Qual a relação entre o IPCA brasileiro e a inflação americana?
A inflação americana influencia os mercados globais, incluindo o Brasil. Juros mais baixos nos EUA tendem a enfraquecer o dólar e atrair capital para mercados emergentes, como o Brasil. Além disso, a trajetória da inflação brasileira é monitorada pelo Banco Central para definir a Selic.
O que esperar da próxima reunião do Fed?
A próxima reunião do Fed está marcada para 26 e 27 de julho. Com os dados de inflação abaixo do esperado, o mercado aposta em manutenção da taxa de juros entre 5,25% e 5,50%.
Como investir em bolsas americanas do Brasil?
Investidores brasileiros podem comprar ETFs (fundos de índice) que replicam o S&P 500, como o IVVB11, ou abrir conta em corretoras internacionais que oferecem acesso direto à Bolsa de Nova York.