Tarifaço: tema de campanha e relação EUA-Brasil incerta
O novo tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil deve repercutir nas eleições, com Lula tendendo a ganhar politicamente, enquanto a relação entre Brasília e Washington segue incerta, aponta análise de Christopher Garman.
Análise: Tarifaço será tema de campanha e deixa relação EUA-Brasil incerta
O novo tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil tem diversas repercussões, sendo que a mais antecipável é a eleitoral. O presidente Lula (PT) tende a sair ganhando com essa decisão americana, na medida em que o eleitorado tende a associar as tarifas com ações da família Bolsonaro. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, enquanto 51% concordam que a família Bolsonaro está culpada e responsabilizada pelas taxas, somente 30% avaliam que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), está tentando reverter a situação. O tema, certamente, vai ser explorado ao longo da campanha. Portanto, a retórica de Lula contra os EUA será usada eleitoralmente na disputa.
O impacto eleitoral do tarifaço
A pesquisa Genial/Quaest revela um cenário claro: mais da metade do eleitorado (51%) responsabiliza a família Bolsonaro pelas tarifas impostas pelos EUA. Enquanto isso, apenas 30% acreditam que Flávio Bolsonaro está tentando reverter a situação. Esse desequilíbrio na percepção pública deve beneficiar Lula, que já sinaliza usar o tema na campanha. A retórica contra os EUA, portanto, será uma ferramenta eleitoral importante para o PT.
Relação EUA-Brasil: incerteza no curto prazo
A pergunta mais difícil de responder, no entanto, é para onde vai a relação entre Brasília e Washington. No curto prazo, o Palácio do Planalto vai iniciar uma investigação de reciprocidade, levando a uma ameaça de retaliação contra os Estados Unidos. Mas nenhuma decisão deve chegar antes das eleições. Essa pausa estratégica sugere que o governo brasileiro quer evitar movimentos precipitados em um período eleitoral sensível.
O cenário pós-eleitoral
Passado o pleito, se Lula vencer, haverá um momento de acomodação com o presidente americano, Donald Trump. Mas a má notícia é que o caminho para um acordo que possa reduzir as tarifas pode ser difícil, mesmo em um cenário pós-eleitoral. Não só porque as tarifas foram aplicadas somente para 25% das exportações brasileiras - com uma repercussão econômica mais restrita - mas também porque as exportações brasileiras direcionadas aos EUA estão caindo. Até o ano passado, 12% das vendas do Brasil iam para território americano - agora o número já caiu para 9%.
Empresas brasileiras buscam novos destinos
Isso significa que as empresas brasileiras devem procurar outros destinos e, a partir disso, a pressão do setor privado para reverter a taxação em 2027 talvez não seja muito grande. Ao mesmo tempo, o Planalto não dá sinais de fazer grandes concessões à Casa Branca nas negociações comerciais. A combinação de queda nas exportações e falta de pressão empresarial pode tornar o processo de negociação ainda mais complexo.
Dificuldades para um acordo
Certamente haverá um momento pós-eleitoral de tentar chegar a um acordo, mas o caminho será bem difícil. A análise de Christopher Garman, mestre em ciências políticas e diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia, aponta que mesmo com boa vontade política, as condições econômicas e a falta de urgência do setor privado podem emperrar as conversas.
Perguntas Frequentes
O tarifaço vai influenciar as eleições de 2026?
Sim, segundo a análise, o tema será explorado na campanha, com Lula saindo ganhando politicamente, já que 51% do eleitorado responsabiliza a família Bolsonaro pelas tarifas.
Quando o Brasil pode retaliar os EUA?
O Planalto iniciou uma investigação de reciprocidade, mas nenhuma decisão deve ser tomada antes das eleições de 2026.
As exportações brasileiras para os EUA estão caindo?
Sim, caíram de 12% para 9% do total das vendas do Brasil, o que reduz a pressão do setor privado para reverter as tarifas.
Quem é Christopher Garman?
É mestre em ciências políticas, pesquisador e diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia, autor da análise original.
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