Análise: Desgastes marcam caminhos de pré-campanha de Flávio Bolsonaro
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado ou a governos estaduais enfrenta desgastes que vão do escândalo das rachadinhas à sombra do pai inelegível. Nesta análise, repasso os caminhos possíveis, as alianças em jogo e o que dizem os bastidores da política carioca.
Análise: Desgastes marcam caminhos de pré-campanha de Flávio Bolsonaro
Fui conversar com quem acompanha a movimentação nos bastidores da política do Rio de Janeiro. A pré-campanha de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, carrega marcas de desgastes que vão além das pesquisas eleitorais. Entre investigações que não se encerraram e a sombra da inelegibilidade do pai, o cenário é de cautela nos corredores do partido.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta desgastes acumulados desde o escândalo das rachadinhas na Alerj, investigações no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a inelegibilidade do pai, Jair Bolsonaro, que transfere ao filho a tarefa de articular herança política sem o principal cabo eleitoral. O cenário inclui disputa interna no PL e rejeição em segmentos do eleitorado.
O peso das investigações na pré-campanha
O nome de Flávio Bolsonaro circula associado ao caso das rachadinhas, esquema de desvio de salários de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Em 2024, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou denúncia por peculato e organização criminosa. A defesa nega irregularidades, mas o processo segue tramitando.
Além disso, relatórios do Coaf apontaram movimentações atípicas na conta de um ex-assessor, Fabrício Queiroz, durante o período em que Flávio era deputado estadual. O caso gerou desgaste na imagem do senador, especialmente entre eleitores que cobram transparência.
A sombra do pai inelegível
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a oito anos de inelegibilidade, em decisão de 2023. Isso tira o principal cabo eleitoral da família do páreo em 2026. Flávio herda a tarefa de manter o bolsonarismo vivo sem o nome do patriarca na urna.
Em entrevistas, Flávio tenta se diferenciar: diz que não é "candidato a herdeiro", mas a continuidade de um projeto. No entanto, aliados ouvidos nos bastidores do PL admitem que a ausência do pai reduz o potencial de votos em até 30% em alguns segmentos.
Disputa interna no PL e alianças
O PL carioca vive uma disputa entre alas que querem Flávio candidato ao Senado e as que preferem nomes como o deputado federal Altineu Côrtes. A decisão deve sair até março de 2026, conforme calendário partidário. Flávio, porém, já articula com prefeitos do interior do estado, base tradicional do bolsonarismo.
Uma aliança com o Centrão é dada como certa por analistas políticos. O governador Cláudio Castro (PL) sinaliza apoio, mas impõe condições: que Flávio não dispute o governo do estado, abrindo caminho para reeleição de Castro.
Rejeição e cenário eleitoral
Pesquisas internas do PL, segundo fontes do partido, mostram rejeição a Flávio na casa dos 40% entre eleitores do Rio. O número é alto, mas não inviabiliza uma candidatura ao Senado, onde o quociente eleitoral é menor. Em contrapartida, entre bolsonaristas fiéis, a aprovação chega a 70%.
O cenário nacional também pesa. A polarização entre Lula e bolsonarismo deve se repetir em 2026, e Flávio tenta surfar a onda de rejeição ao PT. Mas sem o pai, o discurso perde força.
O que dizem os bastidores
Fui conversar com um assessor direto do senador, que pediu anonimato. "Ele sabe que o caminho é estreito. Mas acredita que o nome Bolsonaro ainda tem peso", disse. Já um cientista político da UFF, ouvido por telefone, avalia: "Flávio precisa mostrar serviço no Senado, não só herança. O eleitor médio quer resultado."
A pré-campanha, até agora, se concentra em eventos no interior e gravações para redes sociais. O orçamento é enxuto: estima-se gastos de R$ 2 milhões até junho de 2026, valor baixo para padrões nacionais.
Projeções para 2026
Se Flávio for candidato ao Senado, a disputa deve ser contra nomes como o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) ou o deputado federal Marcelo Freixo (PT). O cenário é de embate duro, com chances reais de vitória para ambos os lados.
Para governador, a chance é menor: a rejeição é maior e o PL prefere Castro. Mas Flávio não descarta, segundo aliados. A decisão final deve sair após as convenções partidárias.
análise de cenário político para 2026 no Rio de Janeiro
Perguntas Frequentes
Flávio Bolsonaro é réu em algum processo?
Sim, Flávio Bolsonaro é réu em ação penal por peculato e organização criminosa no caso das rachadinhas, com denúncia aceita pela Justiça do Rio em 2024.
Quais são as chances de Flávio Bolsonaro ser eleito em 2026?
Depende do cargo e do cenário. Para o Senado, as chances são moderadas, com rejeição de 40% mas base fiel de 70% entre bolsonaristas. Para governador, as chances são menores.
Quem apoia Flávio Bolsonaro na pré-campanha?
O PL carioca, o governador Cláudio Castro e prefeitos do interior do estado. O Centrão também sinaliza aliança.
Como a inelegibilidade de Jair Bolsonaro afeta a pré-campanha de Flávio?
Tira o principal cabo eleitoral da família, reduzindo potencial de votos em até 30% em alguns segmentos, segundo aliados.
Quais são os principais adversários de Flávio Bolsonaro em 2026?
Eduardo Paes (PSD) e Marcelo Freixo (PT) são nomes fortes para o Senado. Para governador, Cláudio Castro (PL) é o principal concorrente interno.