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Abertura e fechamento de Ormuz talvez seja o novo normal, diz professor

ResumoO Estreito de Ormuz pode entrar em um ciclo de abertura e fechamento como novo normal geopolítico, segundo o professor de Relações Internacionais Fernando Brancoli. A escalada entre EUA e Irã já impacta a economia global, com reflexos no Brasil.

Em entrevista ao Hora H, o professor de Relações Internacionais Fernando Brancoli afirmou que o Estreito de Ormuz pode entrar em um ciclo de abertura e fechamento, um novo normal geopolítico. A escalada entre EUA e Irã já impacta a economia global, com reflexos no Brasil.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 22 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Abertura e fechamento de Ormuz talvez seja o novo normal, diz professor

A nova ameaça de Trump ao Irã e o que ela muda no tabuleiro global

A nova ameaça de Donald Trump à Montanha Pickaxe, no Irã, aprofunda a escalada de tensões entre os Estados Unidos e o país do Golfo Pérsico. Em entrevista ao Hora H desta terça-feira (21), o professor de Relações Internacionais Fernando Brancoli analisou o cenário geopolítico e seus desdobramentos econômicos.

O professor afirma que o Estreito de Ormuz pode entrar em um ciclo de abertura e fechamento, um novo normal geopolítico. A escalada entre EUA e Irã já impacta a economia global, com aumento dos custos logísticos e pressão inflacionária, inclusive no Brasil.

Por que o Estreito de Ormuz pode se tornar um novo normal

Segundo Brancoli, relatórios da ONU e de empresas de seguros estavam calcados na premissa de que, em algum momento, o conflito iria acabar e que haveria um acordo entre as duas partes. Contudo, pela primeira vez, analistas estão enxergando a situação de outra forma.

"Relatórios e análises sofisticadas estão dizendo que talvez o novo normal seja o Estreito de Ormuz abrindo e fechando, dependendo do mês de que a gente está falando e da entrada de atores fora do contexto iraniano, como é o caso dos Houthis", afirmou o especialista.

Neste "novo normal" desenhado pelo professor, dificilmente haverá um contexto em que o Irã se reaproxima dos Estados Unidos e do Ocidente. "Estamos falando de uma nova fase [do conflito]", observou.

Como o conflito atinge Dubai e os países do Golfo

O especialista também destacou como esse novo cenário impacta países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, que historicamente apostaram na estabilidade regional para atrair investimentos.

Dubai, por exemplo, que se consolidou como um hub comercial e financeiro seguro, vem sofrendo com o fluxo de pessoas deixando a cidade diante dos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos.

"Todo mundo fazia conexão em Dubai para visitar Ásia ou África. E agora há uma reflexão sobre até que ponto Dubai pode ser um hub comercial ou de tráfego", disse Brancoli.

O impacto direto no Brasil: petróleo, inflação e fertilizantes

A escalada das tensões, segundo Brancoli, terá reflexos diretos na economia mundial. O aumento dos custos logísticos, com a elevação dos preços de seguro de navios e do petróleo, deve pressionar a inflação em diversos países, incluindo o Brasil.

"Quando aumenta o preço do petróleo, a gente tem impacto na nossa inflação também. Quando a gente pensa em aumento do preço de fertilizantes, isso vai impactar o agro no contexto brasileiro", explicou.

O risco de uma corrida nuclear no Oriente Médio

Brancoli também comentou sobre o acordo nuclear ventilado entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. Segundo ele, o acordo, que inicialmente previa apenas a transferência de tecnologia para enriquecimento de urânio para fins médicos, passou a contemplar possibilidades de enriquecimento em níveis maiores.

Embora não se fale ainda em desenvolvimento de armas nucleares no contexto saudita, o especialista alertou que, com o acirramento do confronto com o Irã, imprensa e membros da realeza saudita passaram a defender que o país deveria buscar esse tipo de armamento. "Do ponto de vista prático, seria um desastre", avaliou.

Para Brancoli, o mundo vive um momento de maior instabilidade, em que a ideia de que países deveriam possuir artefatos nucleares para se defender começa a ganhar força. Ele lembrou que desde o final da Guerra Fria havia um processo de desnuclearização global, mas que esse movimento vem sendo revertido nas últimas décadas.

O próprio conflito entre Estados Unidos e Irã gira em torno da suspeita de que Teerã estaria tentando desenvolver um artefato nuclear, o que agrava ainda mais o cenário.

A política interna dos EUA e o reflexo no conflito

Outro ponto abordado por Brancoli foi a relação entre o conflito no Oriente Médio e a política interna dos Estados Unidos. Ele destacou que Trump vem sofrendo derrotas no Congresso e nas pesquisas de opinião, em parte devido ao aumento dos preços nos Estados Unidos, com o diesel registrando alta superior a 20%.

Diante da perspectiva de perder o controle do Congresso e do Senado nas eleições de meio de mandato, Trump teria passado a questionar sistematicamente a integridade do processo eleitoral americano.

"Não à toa ele vem acusando sistematicamente o processo de eleição ao longo dessas últimas semanas, a ideia de que a eleição não seria limpa, já prevendo uma derrota dentro desse tipo de contexto", afirmou o especialista.

Perguntas Frequentes

O que é o Estreito de Ormuz?

É uma passagem marítima estratégica no Golfo Pérsico, por onde passa grande parte do petróleo mundial.

Por que o Estreito de Ormuz pode fechar?

Devido à escalada de tensões entre EUA e Irã, com ataques e ameaças que podem interromper a navegação.

Como o conflito no Oriente Médio afeta o Brasil?

O aumento do preço do petróleo e de fertilizantes pressiona a inflação e o agronegócio brasileiro.

O que é o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita?

Um acordo que prevê transferência de tecnologia para enriquecimento de urânio, com possibilidade de níveis mais altos.

Por que Trump está questionando as eleições?

Segundo Brancoli, Trump prevê derrota nas eleições de meio de mandato e ataca a integridade do processo eleitoral.

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