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Psicodélico da ayahuasca pode gerar novos neurônios, diz pesquisa

ResumoA pesquisa sobre a dimetiltriptamina (DMT), psicodélico presente na ayahuasca, indica que a substância pode estimular células-tronco neurais a gerar novos neurônios no cérebro adulto. Os primeiros resultados sugerem um potencial promissor para a neuroplasticidade, abrindo caminho para futuras aplicações terapêuticas.

Pesquisa investiga se a dimetiltriptamina (DMT), psicodélico presente na ayahuasca, pode estimular células-tronco neurais a gerar novos neurônios no cérebro adulto. Os primeiros resultados apontam para um caminho promissor na neuroplasticidade.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 24 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Psicodélico da ayahuasca pode gerar novos neurônios, diz pesquisa

Psicodélico presente na ayahuasca pode ajudar o cérebro a produzir novos neurônios, indica pesquisa

A dimetiltriptamina (DMT), psicodélico presente na ayahuasca, pode estimular células-tronco neurais a gerar novos neurônios, segundo pesquisa. Durante a vida adulta, o cérebro mantém uma pequena reserva de células-tronco neurais, capazes de se multiplicar e originar novos neurônios. Na maior parte do tempo, elas ficam quietas, quase dormentes. O estudo investiga se a DMT pode servir de estímulo para ativar essa reserva.

O que a pesquisa descobriu sobre a DMT e os neurônios

Por boa parte do século XX, ensinou-se que nascemos com um número fixo de neurônios e que, dali em diante, a conta só diminui. A história, hoje sabemos, não é bem assim. Muitos animais, inclusive humanos, mantêm, na vida adulta, uma pequena reserva de células-tronco neurais. A dimetiltriptamina (DMT, ou N,N-dimetiltriptamina) é um psicodélico de ação rápida, conhecido por produzir alterações profundas da percepção, da experiência do tempo e da própria identidade, frequentemente descritas como uma dissolução das fronteiras do eu.

A pergunta central dos pesquisadores foi: se essa reserva existe no cérebro humano, seria possível estimular essas células a gerar novos neurônios? E uma molécula psicodélica poderia servir de estímulo? Foi o que eles decidiram investigar.

Como funciona a neuroplasticidade com psicodélicos

A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reorganizar, criando novas conexões entre neurônios. A descoberta de que células-tronco neurais permanecem ativas na vida adulta abriu uma frente de pesquisa sobre como estimulá-las. A DMT, por sua ação rápida e potente, tornou-se candidata natural para testes.

Os pesquisadores partiram da hipótese de que a molécula poderia "acordar" as células-tronco neurais dormentes. Em laboratório, os primeiros resultados indicam que a DMT de fato aumenta a taxa de proliferação dessas células, abrindo caminho para a produção de novos neurônios.

O que é a dimetiltriptamina (DMT)

A DMT é um psicodélico de ocorrência natural, presente na ayahuasca, bebida usada em rituais indígenas e religiosos. Diferente de outros psicodélicos, como o LSD, a DMT tem ação curta e intensa, com efeitos que duram de 15 a 30 minutos quando fumada ou injetada. Na ayahuasca, os efeitos são prolongados pela presença de inibidores da monoamina oxidase (IMAO), que impedem a degradação da DMT no organismo.

A molécula age principalmente nos receptores de serotonina 5-HT2A, os mesmos alvos de outros psicodélicos clássicos. É essa interação que produz as alterações profundas de percepção e consciência.

Implicações para a saúde mental e neurologia

Se confirmada a capacidade da DMT de estimular a neurogênese (produção de novos neurônios), as aplicações potenciais são amplas. Doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson envolvem perda progressiva de neurônios. Condições psiquiátricas como depressão e ansiedade também têm sido associadas a déficits de neuroplasticidade.

A pesquisa ainda está em estágio inicial, mas os achados sugerem que a DMT pode se tornar uma ferramenta terapêutica para regeneração neural. Não se trata apenas de "viajar" com a substância, mas de entender como moléculas psicodélicas podem ser usadas de forma controlada para benefícios neurológicos.

Próximos passos da investigação

Os pesquisadores agora buscam entender o mecanismo exato pelo qual a DMT ativa as células-tronco neurais. Uma das hipóteses é que a ativação dos receptores de serotonina desencadeia uma cascata de sinalização celular que leva à proliferação das células-tronco.

Também será necessário testar se os novos neurônios gerados se integram funcionalmente aos circuitos existentes. De nada adianta produzir mais neurônios se eles não formarem sinapses adequadas.

Perguntas Frequentes

A ayahuasca pode ser usada para tratar doenças neurológicas?

A pesquisa atual investiga apenas a molécula DMT isolada em laboratório. O uso da ayahuasca como bebida envolve outros compostos e efeitos que ainda não foram testados para esse fim específico.

A DMT já é usada em terapias?

Não. A DMT é uma substância controlada na maioria dos países. Pesquisas clínicas com psicodélicos estão em andamento, mas ainda não há protocolos aprovados para uso terapêutico da DMT.

Quanto tempo leva para a pesquisa se tornar tratamento?

Estimativas realistas apontam para pelo menos 10 a 15 anos de estudos clínicos antes que qualquer terapia baseada em DMT chegue ao mercado, se os resultados forem confirmados.

A descoberta significa que podemos regenerar o cérebro?

Os resultados são promissores, mas ainda preliminares. A capacidade de gerar novos neurônios em laboratório não se traduz automaticamente em regeneração cerebral em humanos vivos.

Quem conduziu a pesquisa?

A pesquisa foi conduzida por uma equipe de cientistas que investiga a neuroplasticidade induzida por psicodélicos. A fonte original não divulga nomes específicos dos pesquisadores.

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