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Orcas 'explodem' peixe-lua de toneladas em técnica de caça inédita

ResumoOrcas foram flagradas usando técnica de caça inédita contra peixe-lua-de-cauda-afiada. Orcas se lançam contra a carcaça do peixe-lua com força suficiente para reduzi-lo a milhares de pedaços. O comportamento foi descrito em estudo na revista Frontiers in Ethology.

Orcas foram flagradas usando uma técnica de caça nunca antes documentada: elas se lançam contra a carcaça de um peixe-lua-de-cauda-afiada com força suficiente para reduzi-lo a milhares de pedaços. O comportamento foi descrito em um estudo na revista Frontiers in Ethology.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 23 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Orcas 'explodem' peixe-lua de toneladas em técnica de caça inédita

O registro que surpreendeu a ciência

Eu fui conversar com quem fez a descoberta e o que está por trás dessa técnica inédita. Em 29 de julho de 2024, a cientista Kathryn Ayres, da organização Beneath The Waves e autora principal do estudo, mergulhava como guia perto de San José del Cabo, na Baja California Sur, no México. Foi ali que ela flagrou um grupo de orcas, que incluía um filhote, executando uma manobra nunca antes documentada: elas se lançavam contra a carcaça de um peixe-lua-de-cauda-afiada com força suficiente para reduzi-lo a milhares de pedaços.

O comportamento foi descrito nesta quinta-feira (23) em um estudo na revista científica Frontiers in Ethology. O que chama atenção é que esse peixe pode chegar a atingir até três metros e pesar até duas toneladas. Ainda assim, as imagens mostram que ele é reduzido a pedaços.

Como funciona a técnica de caça

A estratégia segue sempre a mesma sequência. Uma orca segura a carcaça do peixe-lua pela nadadeira caudal, imobilizando o corpo na água. Nesse momento, outra orca acelera e atinge o animal em alta velocidade. Segundos antes do impacto, a orca que segurava a presa a solta. O choque é o suficiente para desintegrar o peixe em fragmentos menores, espalhados pela coluna d'água.

O detalhe que chamou atenção dos pesquisadores é que a investida não serve para matar. Em ambos os episódios, o peixe-lua já estava morto quando a orca avançou contra ele. A hipótese mais aceita é que a técnica funcione como uma forma de processar o alimento, dividindo a presa em porções menores para facilitar a alimentação de filhotes, cujas mandíbulas ainda não têm força suficiente para se alimentar de pedaços maiores. Mas os autores do estudo não descartam outra explicação: pode ser, simplesmente, brincadeira.

O peixe-lua-de-cauda-afiada e sua dimensão

O peixe-lua-de-cauda-afiada está entre os peixes ósseos mais pesados do planeta. Pode ultrapassar os três metros de comprimento e chegar a cerca de duas toneladas. A cena foi registrada em duas ocasiões distintas no Golfo da Califórnia, no México, com mais de um ano de diferença entre uma e outra.

Ayres descreveu a reação ao presenciar o momento: contou não imaginar que um peixe-lua pudesse se desfazer daquela forma, e comparou o impacto a uma explosão.

O segundo registro confirma o padrão

O segundo caso foi registrado em setembro de 2025, por um operador de turismo, na mesma região do Golfo da Califórnia. A sequência de comportamento foi praticamente idêntica à primeira. Erick Higuera, biólogo marinho e coautor do estudo, afirmou que a técnica exige percepção espacial precisa, comunicação acústica entre os animais e uma compreensão compartilhada de física, evidência, segundo ele, de que as orcas conseguem planejar e executar uma ação coordenada em várias etapas.

O que falta descobrir

Para os pesquisadores, ainda são necessárias mais observações do fenômeno para determinar se a fragmentação de presas é, de fato, uma estratégia alimentar recorrente entre populações de orcas. O estudo abre caminho para entender melhor a complexidade cognitiva e social desses mamíferos marinhos.

Perguntas Frequentes

O que é o peixe-lua-de-cauda-afiada?

É um dos peixes ósseos mais pesados do planeta, podendo ultrapassar três metros de comprimento e chegar a cerca de duas toneladas.

Onde o comportamento foi registrado?

Em duas ocasiões no Golfo da Califórnia, no México, com mais de um ano de diferença entre os registros.

Quem fez o primeiro registro?

A cientista Kathryn Ayres, da organização Beneath The Waves e autora principal do estudo, em 29 de julho de 2024.

O peixe estava vivo quando foi atacado?

Não. Em ambos os episódios, o peixe-lua já estava morto quando a orca avançou contra ele.

Qual a explicação para a técnica?

A hipótese mais aceita é que sirva para processar o alimento em porções menores para filhotes, mas os autores não descartam que possa ser brincadeira.

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