Associação de biocombustíveis nos EUA celebra tarifa contra o Brasil: entenda
A Renewable Fuels Association (RFA) celebrou a decisão dos EUA de impor tarifa sobre o etanol brasileiro. Nós explicamos os motivos, o impacto para o Brasil e o que está em jogo no comércio bilateral de biocombustíveis.
A notícia correu rápido: a associação de biocombustíveis dos Estados Unidos, a Renewable Fuels Association (RFA), celebrou a decisão do governo americano de impor uma tarifa sobre o etanol brasileiro. Para quem acompanha o setor, a reação soa contraditória, afinal, biocombustíveis são aliados na descarbonização. Mas, para a RFA, a medida é uma vitória contra o que chama de concorrência desleal. Nós vamos destrinchar os motivos, o impacto real para o Brasil e o que esperar daqui para frente.
A Renewable Fuels Association (RFA), entidade que representa produtores de biocombustíveis nos Estados Unidos, celebrou a imposição de tarifa sobre o etanol brasileiro. A medida, anunciada pelo governo americano, sobretaxa o produto importado do Brasil, que a RFA considera beneficiado por subsídios. A entidade argumenta que a tarifa protege a indústria local e equilibra a concorrência.
Por que a RFA comemora a tarifa contra o Brasil?
A RFA representa usinas de etanol de milho americanas. Para elas, o etanol de cana brasileiro sempre foi um concorrente de peso, com custo de produção mais baixo e vantagens ambientais. A entidade alega que o Brasil concede subsídios indiretos ao setor, como linhas de crédito subsidiadas do BNDES e desonerações fiscais, o que distorce o comércio. A tarifa, na visão da RFA, corrige essa assimetria.
"A indústria americana de etanol opera sem subsídios federais diretos desde 2011", afirmou a RFA em nota, defendendo que a tarifa é necessária para garantir "condições justas de competição". (Fonte: comunicado oficial da RFA, maio de 2026)
Qual o impacto da tarifa para o etanol brasileiro?
O Brasil é um dos maiores exportadores de etanol do mundo, e os EUA são um mercado relevante. Com a tarifa, o preço do etanol brasileiro fica mais caro no mercado americano, reduzindo sua competitividade. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), as exportações brasileiras de etanol para os EUA caíram 15% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
Etanol de milho x etanol de cana: a briga nos bastidores
A disputa não é apenas comercial. O etanol de cana brasileiro tem uma pegada de carbono menor que o de milho americano, o que o torna mais atraente para mercados que valorizam a sustentabilidade. A RFA, porém, argumenta que o etanol de milho também evoluiu e que a tarifa não é sobre clima, mas sobre regras de comércio.
O que diz o governo brasileiro?
O governo brasileiro já sinalizou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). O Ministério das Relações Exteriores classificou a tarifa como "protecionista" e "injustificada". A expectativa é que o caso se arraste por meses, enquanto o setor produtivo busca novos mercados, como a União Europeia e a China.
Como a medida afeta o consumidor americano?
Para o motorista americano, a tarifa pode significar etanol ligeiramente mais caro nas bombas. O Brasil respondia por cerca de 10% do etanol consumido nos EUA, principalmente nos estados da Costa Leste. Com a sobretaxa, parte dessa oferta deve ser substituída por etanol de milho local, o que pode elevar os preços internos.
E o consumidor brasileiro?
No Brasil, o impacto imediato é menor. O etanol brasileiro tem mercado interno forte, e a safra de cana-de-açúcar deve ser recorde em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A tendência é que o excedente que iria para os EUA seja redirecionado para outros países ou consumido internamente, mantendo os preços estáveis.
Perguntas Frequentes
A tarifa já está valendo?
Sim, a tarifa foi anunciada e entrou em vigor em maio de 2026. O percentual exato não foi divulgado oficialmente, mas estimativas do setor apontam para algo entre 10% e 15% sobre o valor do produto.
A RFA representa todos os produtores de etanol dos EUA?
A RFA é a principal associação do setor, mas não a única. Ela representa usinas que produzem cerca de 90% do etanol americano. Pequenos produtores podem ter opiniões divergentes.
O Brasil pode retaliar?
Sim. O governo brasileiro pode adotar medidas de retaliação, como sobretaxar produtos americanos. Isso, porém, depende de negociações bilaterais e do resultado de eventuais ações na OMC.
A tarifa afeta outros biocombustíveis?
A medida atinge principalmente o etanol. Outros biocombustíveis, como biodiesel, não foram incluídos na tarifa, mas podem ser alvo de futuras ações.
O que esperar para os próximos meses?
A expectativa é de intensa negociação diplomática. O Brasil deve buscar acordos bilaterais e, ao mesmo tempo, fortalecer parcerias com outros países para diversificar as exportações de etanol.