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Após recorde, número de ninhos de tartaruga tem forte queda em Fernando de Noronha

ResumoO número de ninhos de tartaruga marinha em Fernando de Noronha registrou queda de 40% em 2025, após recorde histórico em 2024. Dados do ICMBio indicam que a redução acende alerta sobre impactos climáticos e pressão turística na ilha.

Após recorde histórico em 2024, o número de ninhos de tartaruga marinha em Fernando de Noronha caiu 40% em 2025, segundo dados do ICMBio. A queda acende alerta sobre impactos climáticos e pressão turística na ilha.

Pedro Henrique Salles
Pedro Henrique Salles Repórter de Trânsito e Infraestrutura · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Após recorde, número de ninhos de tartaruga tem forte queda em Fernando de Noronha

Após recorde, número de ninhos de tartaruga tem forte queda em Fernando de Noronha

Após um recorde histórico de 1.200 ninhos de tartaruga marinha registrados em Fernando de Noronha em 2024, o arquipélago enfrenta uma queda brusca em 2025. Dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apontam 720 ninhos até o fim de outubro, uma redução de 40% em relação ao ano anterior. A situação preocupa biólogos e moradores, que monitoram de perto os fatores que podem ter causado o recuo.

Recorde de 2024 e a queda em 2025

Em 2024, Fernando de Noronha atingiu o maior número de ninhos de tartaruga já registrado, com 1.200 desovas confirmadas (ICMBio, relatório anual de 2024). O feito foi celebrado como resultado de décadas de conservação. No entanto, a temporada de 2025, que vai de janeiro a outubro, registrou apenas 720 ninhos. A queda de 40% acendeu alertas entre especialistas.

A espécie predominante na ilha é a tartaruga-verde (Chelonia mydas), responsável por mais de 90% dos ninhos. O ICMBio monitora 12 praias de desova, com destaque para a Praia do Leão e a Praia do Sancho, que concentram cerca de 60% dos ninhos.

Fatores climáticos e ambientais

Biólogos do ICMBio apontam que as temperaturas da areia em Fernando de Noronha subiram, em média, 1,5°C nos últimos cinco anos (dados do Projeto Tamar, 2025). A areia mais quente pode inviabilizar a incubação de ovos, além de alterar a proporção de sexo dos filhotes, já que temperaturas acima de 29°C tendem a produzir mais fêmeas.

Outro fator é o aumento do nível do mar, que reduziu em 15% a área útil de desova em três praias monitoradas pelo ICMBio (ICMBio, relatório de monitoramento costeiro, mai/2025). A erosão costeira e as marés altas têm alagado ninhos, especialmente na Praia do Cachorro, onde 12 ninhos foram perdidos em março de 2025.

Pressão do turismo e iluminação artificial

O turismo em Fernando de Noronha cresceu 18% em 2025 em relação a 2024, segundo a Administração do Distrito Estadual de Fernando de Noronha (ADEFN). O fluxo de visitantes nas praias de desova, especialmente à noite, tem causado perturbação direta às tartarugas. A iluminação artificial de pousadas e quiosques próximos à orla desorienta filhotes recém-nascidos, que confundem a luz com o reflexo do mar.

O ICMBio registrou 45 ocorrências de filhotes desorientados em 2025, contra 18 em 2024 (ICMBio, relatório de encalhes, set/2025). A maioria foi resgatada por voluntários do Projeto Tamar, mas cerca de 10% não sobreviveu.

Resposta das autoridades

O ICMBio anunciou, em outubro de 2025, a ampliação do monitoramento noturno nas praias do Sancho e do Leão, com patrulhas a cada duas horas entre 19h e 5h. A ADEFN, por sua vez, determinou a redução da iluminação pública em 50% na orla da Praia do Cachorro, com prazo de 30 dias para conclusão regras de iluminação em áreas de desova.

O Projeto Tamar também intensificou a coleta de dados sobre temperatura da areia, instalando 20 novos sensores em praias monitoradas. Os resultados preliminares indicam que a temperatura média da areia em novembro de 2025 foi de 28,8°C, valor dentro do limite crítico para a incubação (Projeto Tamar, boletim técnico, nov/2025).

Impacto na conservação a longo prazo

A queda de 40% nos ninhos em 2025 não significa necessariamente um colapso populacional, mas acende um sinal de alerta. O ciclo de desova das tartarugas-verdes é bienal, e variações anuais de até 30% são consideradas normais. No entanto, a combinação de fatores climáticos e antrópicos pode acelerar tendências negativas.

O ICMBio projeta que, se a temperatura da areia continuar subindo no ritmo atual, a área de desova viável em Fernando de Noronha pode encolher 25% até 2030 (ICMBio, plano de ação para tartarugas marinhas, 2025). A projeção considera cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para o Atlântico Sul.

Perguntas Frequentes

Por que o número de ninhos de tartaruga caiu tanto em Fernando de Noronha?

A queda de 40% em 2025 é atribuída a uma combinação de fatores: aumento da temperatura da areia, erosão costeira, maior fluxo turístico e iluminação artificial nas praias de desova (ICMBio).

Quantos ninhos foram registrados em 2024?

Em 2024, Fernando de Noronha registrou 1.200 ninhos de tartaruga marinha, o maior número da série histórica (ICMBio).

Qual é a principal espécie de tartaruga na ilha?

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) responde por mais de 90% dos ninhos em Fernando de Noronha (Projeto Tamar).

O que está sendo feito para proteger os ninhos?

O ICMBio ampliou o monitoramento noturno, e a ADEFN reduziu a iluminação pública na orla. O Projeto Tamar instalou sensores de temperatura para acompanhar as condições de incubação (ICMBio).

A queda nos ninhos pode levar à extinção local?

Não imediatamente, mas a tendência de aquecimento e erosão pode reduzir a área de desova viável em 25% até 2030, segundo projeções do ICMBio (ICMBio).

Como o turismo afeta as tartarugas?

O aumento de 18% no fluxo de visitantes em 2025 gerou mais perturbação noturna e casos de filhotes desorientados por iluminação artificial (ADEFN, ICMBio).

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