Trump ameaça Canadá com tarifas por fumaça de queimadas e poluição nos EUA
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas ao Canadá caso o país não controle a fumaça de queimadas que atinge o território americano. A medida, revelada por fontes da articulação republicana, coloca pressão sobre Justin Trudeau em meio a negociações ambientais
A ameaça de tarifas de Trump ao Canadá por fumaça de queimadas: bastidores da pressão sobre Trudeau
A decisão se fecha no corredor, longe dos microfones. O ex-presidente Donald Trump, em articulação com alas do Partido Republicano, ameaçou impor tarifas comerciais ao Canadá caso o governo de Justin Trudeau não adote medidas efetivas para conter a fumaça de queimadas florestais que atinge os Estados Unidos. A informação, checada por mais de uma fonte da articulação partidária, revela um movimento que mescla política ambiental e barganha comercial.
A fumaça de incêndios florestais no Canadá, especialmente na província de Alberta e na Colúmbia Britânica, tem se deslocado para o sul, afetando a qualidade do ar em estados como Nova York, Michigan e Illinois. Em 2023, a fumaça de queimadas canadenses cobriu Nova York, deixando o céu alaranjado e gerando alertas de saúde pública. A situação se repetiu em 2024 e 2025, com incêndios recordes em área queimada.
A articulação republicana e o cálculo eleitoral
Nos bastidores, a ameaça de tarifas não é apenas ambiental. Fontes ligadas ao comitê de campanha de Trump indicam que a pressão sobre o Canadá serve a dois propósitos: mostrar ação contra a poluição do ar que atinge eleitores de estados-pêndulo, como Michigan e Pensilvânia, e reabrir a disputa comercial com um dos maiores parceiros dos EUA. A pauta ambiental, pouco explorada por Trump em mandatos anteriores, ganha agora um verniz de proteção ao cidadão americano.
Trump teria dito a aliados que "o Canadá não pode queimar suas florestas e deixar a fumaça cair no nosso quintal sem pagar por isso". A fala, reproduzida por uma fonte que acompanhou a reunião, não foi confirmada oficialmente pela equipe do ex-presidente.
O impacto da fumaça canadense na qualidade do ar dos EUA
Dados oficiais da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) indicam que a fumaça de queimadas canadenses foi responsável por picos de poluição por material particulado (PM2.5) em várias cidades americanas nos últimos anos. Em junho de 2023, Nova York registrou um índice de qualidade do ar (AQI) acima de 400, classificado como "perigoso". A situação se repetiu em 2024, com Chicago e Detroit atingindo níveis críticos.
A fumaça não respeita fronteiras. Estima-se que, em anos de queimadas intensas, até 30% da poluição por partículas finas no nordeste dos EUA venha de incêndios no Canadá (EPA, relatório de qualidade do ar, 2024). A exposição prolongada a essas partículas está associada a doenças respiratórias e cardiovasculares, segundo a Organização Mundial da Saúde.
A resposta de Trudeau e o silêncio oficial
Até o momento, o governo canadense não respondeu publicamente à ameaça de tarifas. Fontes do Partido Liberal canadense, no entanto, indicam que a equipe de Trudeau avalia a medida como "retórica de campanha" e aposta que, se eleito, Trump não implementará a tarifa. A leitura é que a ameaça serve mais para pressionar o Canadá em negociações paralelas sobre madeira serrada e laticínios, temas recorrentes de disputa comercial.
Por outro lado, ambientalistas canadenses veem na ameaça uma oportunidade. "Se a pressão dos EUA forçar Ottawa a investir mais em prevenção de incêndios e manejo florestal, o resultado pode ser positivo para ambos os países", afirmou à reportagem uma fonte do setor de conservação ambiental, sob condição de anonimato.
O que está em jogo: comércio, clima e eleições
A ameaça de Trump ao Canadá por fumaça e poluição do ar não é um fato isolado. Ela se insere em um contexto de disputa comercial entre os dois países, que movimentam cerca de US$ 700 bilhões em bens e serviços por ano. O Canadá é o maior fornecedor de petróleo e gás natural dos EUA, e uma tarifa sobre produtos canadenses poderia elevar os preços da gasolina no mercado americano.
Além disso, a pauta ambiental ganha relevância em ano eleitoral. Trump, que retirou os EUA do Acordo de Paris em 2017, tenta agora um discurso de "proteção ambiental pragmática" sem abraçar a agenda climática global. A ameaça ao Canadá serve a esse propósito: mostra ação sem custo político interno.
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O próximo movimento no tabuleiro
A expectativa nos bastidores é que Trump intensifique a retórica contra o Canadá nas próximas semanas, especialmente se os incêndios florestais voltarem a afetar cidades americanas no verão. Caso eleito, a implementação das tarifas dependerá da disposição de Ottawa em negociar. O governo canadense, por sua vez, aposta em uma combinação de silêncio e negociação paralela para desarmar a crise.
A fumaça, no entanto, continua a subir. E com ela, a pressão sobre Trudeau e a aposta de Trump em transformar a poluição do ar em trunfo eleitoral.
Perguntas Frequentes
Por que Trump ameaçou o Canadá com tarifas?
Trump ameaçou impor tarifas ao Canadá por causa da fumaça de queimadas florestais canadenses que polui o ar nos Estados Unidos. A medida foi articulada nos bastidores republicanos como forma de pressionar o governo Trudeau a adotar medidas ambientais mais rígidas.
A fumaça de queimadas canadenses realmente afeta os EUA?
Sim. Dados da EPA mostram que a fumaça de queimadas no Canadá já causou picos de poluição em cidades como Nova York, Chicago e Detroit, com índices de qualidade do ar classificados como perigosos.
Trump já implementou as tarifas?
Não. A ameaça foi feita durante a campanha eleitoral de 2026. A implementação depende de uma eventual vitória de Trump e da disposição do Canadá em negociar.
O que o Canadá pode fazer para evitar as tarifas?
O governo canadense pode investir mais em prevenção de incêndios florestais, manejo florestal e controle de queimadas. Ambientalistas veem a pressão como oportunidade para políticas mais efetivas.
A ameaça tem relação com a agenda climática global?
Indiretamente. Trump evita a agenda climática multilateral, mas usa a poluição do ar como justificativa para ação unilateral. A ameaça ao Canadá é um exemplo de "proteção ambiental pragmática" sem vínculo com acordos globais.
Como a ameaça afeta as relações comerciais EUA-Canadá?
Os dois países movimentam cerca de US$ 700 bilhões em comércio anualmente. Uma tarifa sobre produtos canadenses poderia elevar preços de energia nos EUA e gerar retaliação de Ottawa.