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Troca de ataques Ucrânia-Rússia mata civis em Kharkiv e Belgorod

ResumoA troca de ataques entre Ucrânia e Rússia matou civis em Kharkiv e Belgorod na madrugada de domingo (9), com três mortos na cidade ucraniana e cinco na russa. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou Moscou de mirar a segurança alimentar global com ataques ao porto de Odessa, enquanto a Rússia afirmou ter atingido depósitos de combustível usados pelos militares ucranianos.

Três mortos em Kharkiv e cinco em Belgorod marcam a madrugada de domingo (9). Zelensky acusa Moscou de mirar segurança alimentar global com ataques ao porto de Odessa, enquanto Rússia diz ter atingido depósitos de combustível usados pelos militares ucranianos.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 09 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
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Troca de ataques entre Ucrânia e Rússia durante a noite mata civis

A troca de ataques entre Ucrânia e Rússia durante a noite deste domingo (9) deixou um rastro de mortos e feridos nos dois lados da fronteira. Enquanto Kharkiv, no leste ucraniano, contava três mortos e 37 feridos após um prédio residencial ser atingido, as autoridades de Belgorod, na Rússia, reportaram cinco mortos e 25 feridos em um ataque de drone ucraniano. O presidente Volodymyr Zelensky, por sua vez, elevou o tom ao afirmar que Moscou estaria mirando a segurança alimentar global com os ataques ao porto de Odessa.

O que aconteceu em Kharkiv e Belgorod?

Na cidade de Kharkiv, um prédio de apartamentos de vários andares foi atingido, resultando em três mortos e 37 feridos. A informação foi confirmada por autoridades ucranianas, que não especificaram a natureza exata do ataque, mas o contexto aponta para bombardeio russo. Já em Belgorod, do lado russo, as autoridades locais atribuíram a um drone ucraniano o ataque que matou cinco pessoas e feriu outras 25.

Os números, embora brutais, não contam a história completa. A escalada não se limitou às áreas urbanas. Durante a madrugada, dezenas de drones e mísseis atingiram a cidade litorânea de Odessa, no sul da Ucrânia, ferindo uma dúzia de pessoas, conforme relato de autoridades ucranianas.

Zelensky: 'Os russos estão em guerra com a segurança alimentar mundial'

A declaração mais contundente do dia veio do presidente ucraniano. "Dessa forma, os russos estão em guerra com a segurança alimentar mundial", disse Zelensky, referindo-se aos ataques ao porto de Odessa. A justificativa é estratégica: os portos marítimos de Odessa são a artéria principal das vastas exportações agrícolas da Ucrânia.

Zelensky também afirmou que a Rússia atacou outras nove regiões ucranianas neste domingo, ampliando o raio de ação para além do sul. A fala do presidente reforça a tese de que Moscou tenta isolar a Ucrânia do Mar Negro, um movimento que, se bem-sucedido, estrangularia uma das principais fontes de receita do país.

O testemunho de quem vive em Odessa

"Todos que moram em Odessa sabem que o alvo mais comum é a área do porto", disse Ihor, de 67 anos, um morador local cujo apartamento escapou por pouco da destruição. O relato de Ihor não é anedótico. A região portuária, vital para a economia ucraniana, virou alvo recorrente desde o início da guerra, há quatro anos e meio. A fala do morador, colhida em meio ao caos, traduz a normalização do perigo para quem vive na cidade.

A resposta ucraniana: ataques a petroleiros russos

Enquanto a Ucrânia busca interromper as receitas da Rússia para financiar a guerra, Kiev atacou petroleiros russos e outros navios de carga no Mar Negro, reivindicando mais três ataques desse tipo no domingo. A estratégia é clara: cortar o fluxo de dinheiro que sustenta o esforço de guerra russo.

Ambos os lados lançaram uma campanha mais ampla contra a logística do outro. Armazéns de comércio eletrônico de ambos os lados e postos de gasolina na Ucrânia sofreram fortes ataques durante os meses de verão. A guerra, que antes se concentrava nas linhas de frente, agora atinge a infraestrutura civil e econômica de forma mais ampla.

Naftogaz e o aumento dos ataques a instalações de energia

A gigante estatal ucraniana de petróleo e gás, Naftogaz, afirmou que os ataques às suas instalações aumentaram significativamente nos últimos três dias, incluindo ataques a instalações de extração de petróleo durante a noite. O Ministério da Energia da Ucrânia, por sua vez, informou que a Rússia atacou instalações elétricas na região de Odessa, causando a interrupção do fornecimento de energia elétrica para um "número significativo" de moradores da cidade portuária durante a noite.

A empresa afirmou que a energia já havia sido restabelecida para 90 mil consumidores. O número, embora expressivo, não revela quantos ainda seguem sem luz. A interrupção do fornecimento, ainda que temporária, é mais um capítulo na guerra de desgaste que atinge a população civil.

A versão russa: depósitos de combustível atingidos

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atingido instalações de armazenamento de combustível "utilizadas em benefício" das forças armadas ucranianas nos portos de Odessa e da cidade vizinha de Chornomorsk. A declaração russa, no entanto, não aborda os ataques a áreas residenciais em Kharkiv ou os danos ao porto de Odessa, que Kiev insiste serem parte de uma estratégia para minar a segurança alimentar global.

A narrativa de Moscou, de que os ataques visam apenas alvos militares, contrasta com os relatos de civis mortos e feridos em áreas urbanas. A discrepância entre as versões é mais um sintoma da dificuldade de se obter uma imagem clara do conflito.

Papa Leão XIV: 'Incidentes trágicos estão se multiplicando'

No Vaticano, o papa Leão XIV renovou seus apelos pelo fim da guerra que já dura quatro anos e meio. "Incidentes trágicos estão se multiplicando, causando um número cada vez maior de vítimas civis, incluindo crianças", disse o pontífice antes dos fiéis se reunirem para a oração do Angelus de domingo. A fala do papa, embora genérica, ecoa o cenário de destruição relatado pelas autoridades locais.

O que esperar daqui para frente?

A troca de ataques desta madrugada não indica uma trégua iminente. Pelo contrário, a escalada parece ser parte de uma estratégia deliberada de ambos os lados para desgastar a infraestrutura do adversário. Para a Ucrânia, o foco em Odessa e no Mar Negro é vital para manter as exportações agrícolas e pressionar a economia russa. Para a Rússia, isolar a Ucrânia do mar é um passo para sufocar sua capacidade de financiar a guerra.

Enquanto isso, a população civil segue pagando o preço. As mortes em Kharkiv e Belgorod, os feridos em Odessa e os apagões na cidade portuária são lembretes de que a guerra, que completa quatro anos e meio, não dá sinais de arrefecimento. A comunidade internacional, por ora, observa.

Perguntas Frequentes

Por que a Rússia ataca o porto de Odessa?

A Rússia tem bombardeado Odessa numa tentativa de isolar a Ucrânia do Mar Negro, interrompendo as exportações agrícolas que são vitais para a economia ucraniana. Zelensky afirma que isso configura uma guerra contra a segurança alimentar global.

Quantas pessoas morreram nos ataques deste domingo?

Segundo autoridades locais, três pessoas morreram em Kharkiv, na Ucrânia, e cinco em Belgorod, na Rússia. Em Odessa, uma dúzia de pessoas ficou ferida após dezenas de drones e mísseis atingirem a cidade.

O que a Ucrânia atacou na Rússia?

A Ucrânia reivindicou ataques a petroleiros russos e outros navios de carga no Mar Negro, além de um ataque de drone em Belgorod que matou cinco pessoas. A estratégia é interromper as receitas russas para financiar a guerra.

Qual a posição do Vaticano sobre o conflito?

O papa Leão XIV renovou apelos pelo fim da guerra, afirmando que "incidentes trágicos estão se multiplicando" e causando um número crescente de vítimas civis, incluindo crianças.

O que é a Naftogaz?

A Naftogaz é a gigante estatal ucraniana de petróleo e gás. A empresa afirmou que os ataques às suas instalações aumentaram significativamente nos últimos três dias, incluindo ataques a instalações de extração de petróleo durante a noite.

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