Tráfico de pepinos-do-mar brasileiros é identificado por DNA em estudo
Pesquisa inédita identifica tráfico de pepinos-do-mar brasileiros por DNA. A técnica revela a origem ilegal das espécies e o impacto na biodiversidade marinha. Entenda como a ciência combate o crime ambiental.
Fui conversar com quem faz a festa - ou, neste caso, com quem investiga o crime. Uma pesquisa publicada em 2026 revela que o tráfico de pepinos-do-mar brasileiros está sendo mapeado por DNA. A técnica, chamada DNA ambiental (eDNA), permite rastrear a origem das espécies ilegalmente coletadas na costa brasileira. O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do ICMBio, foi divulgado na revista Conservation Biology.
O que é o DNA ambiental e como ele funciona? O DNA ambiental é uma ferramenta que coleta material genético de animais a partir de amostras de água, solo ou ar. No caso dos pepinos-do-mar, os pesquisadores analisaram amostras de água de áreas suspeitas de tráfico na costa do Pará e do Maranhão. A técnica detecta fragmentos de DNA deixados pelos animais no ambiente, mesmo em baixíssimas concentrações. Isso permite identificar a espécie e, em alguns casos, a população de origem.
Por que o tráfico de pepinos-do-mar é preocupante? Pepinos-do-mar são equinodermos que desempenham papel crucial na saúde dos oceanos. Eles reciclam nutrientes e mantêm o equilíbrio dos sedimentos marinhos. No mercado asiático, são considerados uma iguaria e usados na medicina tradicional, o que gera alta demanda. O Brasil, com sua vasta costa, tornou-se alvo de traficantes que coletam ilegalmente essas espécies. Estima-se que o comércio ilegal movimente milhões de dólares por ano.
Como o estudo identificou o tráfico? Os cientistas coletaram amostras de água em 12 pontos da costa brasileira e em portos de exportação. A análise de DNA revelou a presença de duas espécies ameaçadas: Isostichopus badionotus e Holothuria grisea. As amostras de DNA também indicaram a origem das populações, permitindo rastrear os locais de coleta ilegal. O estudo mostrou que o tráfico se concentra na região Norte, com rotas para a Ásia via portos de Belém e São Luís.
O que dizem os especialistas? A bióloga marinha Carla Mendes, uma das autoras do estudo, explicou: "O DNA ambiental é uma ferramenta revolucionária para a fiscalização. Conseguimos identificar a origem do tráfico sem precisar capturar um único animal". O ICMBio, que participou da pesquisa, já utiliza os dados para orientar operações de combate ao tráfico. A técnica também pode ser aplicada a outras espécies ameaçadas.
Qual o impacto da descoberta? A pesquisa abre caminho para uma fiscalização mais eficiente. Antes, era difícil provar a origem ilegal dos pepinos-do-mar, já que os traficantes usam documentos falsos. Agora, com o DNA, é possível rastrear a cadeia do crime. O estudo também destaca a importância de proteger as populações remanescentes, que sofrem com a sobrepesca.
Perguntas Frequentes
O que é tráfico de pepinos-do-mar?
É a coleta e o comércio ilegal de pepinos-do-mar, geralmente para exportação para a Ásia, onde são usados na culinária e na medicina tradicional.
Como o DNA ambiental ajuda a combater o tráfico?
Ele detecta o material genético dos animais no ambiente, permitindo identificar a espécie e a região de origem, mesmo sem capturar os indivíduos.
Quais espécies de pepinos-do-mar são mais traficadas no Brasil?
As espécies Isostichopus badionotus e Holothuria grisea são as mais visadas, ambas ameaçadas de extinção.
Onde o tráfico é mais intenso?
Na costa do Pará e do Maranhão, com rotas de exportação pelos portos de Belém e São Luís.
O que está sendo feito para coibir o tráfico?
O ICMBio e a Polícia Federal usam dados do estudo para orientar operações de fiscalização e inteligência.
Como posso ajudar a combater o tráfico?
Denuncie suspeitas ao ICMBio ou à Polícia Federal. Consuma apenas produtos de origem legal e certificada.