'Tempo e muita paciência': jovem perde movimentos após galho em Curitiba e trata com polilaminina
Aos 22 anos, Gabriela teve a rotina interrompida por um galho que caiu sobre ela em Curitiba. Com lesão medular, ela perdeu movimentos das pernas e iniciou tratamento experimental com polilaminina. 'Tempo e muita paciência', diz a jovem, que mantém a esperança de voltar a andar.
O galho que caiu do céu e mudou uma vida
Era uma tarde comum em Curitiba quando Gabriela, 22 anos, caminhava pela calçada. De repente, um galho de árvore se desprendeu e a atingiu com força. O impacto causou uma lesão medular que a deixou sem movimentos das pernas. "Foi questão de segundos. Depois do susto, veio o silêncio do corpo", conta a jovem, que hoje enfrenta uma rotina de tratamentos e espera.
'Tempo e muita paciência': o lema da recuperação
Gabriela foi submetida a cirurgia de emergência e, após estabilização, iniciou um tratamento experimental com polilaminina, uma substância que, em estudos, mostrou potencial para regenerar fibras nervosas. "Os médicos foram claros: não há milagre. É tempo e muita paciência. A polilaminina é uma aposta, mas não uma garantia", relata.
De acordo com o Hospital do Trabalhador, que acompanha o caso, a jovem passa por fisioterapia intensiva e sessões de eletroestimulação. "A polilaminina age como um andaime para os neurônios, mas a recuperação depende de cada organismo", explica o neurocirurgião Dr. Carlos Menezes, que não integra a equipe mas conhece o protocolo.
A substância que acende uma fagulha de esperança
A polilaminina é uma proteína da matriz extracelular que, em testes com animais, demonstrou capacidade de regenerar axônios lesionados. No Brasil, seu uso em humanos ainda é experimental e restrito a centros de pesquisa. "Não é uma cura, mas uma ferramenta para dar chance ao sistema nervoso de se reconectar", afirma o neurologista Dr. Ricardo Almeida, da UFPR.
Gabriela sabe que o caminho é longo. "Eu não espero resultados da noite para o dia. Cada movimento que volta, mesmo que pequeno, é uma vitória. A polilaminina me deu uma fagulha de esperança, mas eu sei que a maior parte do trabalho é minha", diz.
O que dizem os especialistas
A comunidade médica recebe o caso com cautela. "Lesões medulares completas raramente têm reversão total. A polilaminina pode ajudar na regeneração parcial, mas não há dados robustos em humanos ainda", pondera o Dr. Menezes. "O relato da Gabriela é inspirador, mas precisamos de mais estudos para entender o real potencial."
A jovem, no entanto, não se deixa abalar. "Se eu for o caso que vai ajudar a ciência a avançar, que seja. Se eu não recuperar tudo, pelo menos tentei. E, se recuperar, vou contar para todo mundo que vale a pena insistir."
Onde Gabriela está hoje
Internada há três meses, Gabriela já consegue movimentar levemente os dedos dos pés. "É pouco, mas para mim é muito. Antes não mexia nada. Agora, cada dia é um passo, mesmo que não seja andando", brinca.
A família criou uma vaquinha online para custear tratamentos e a jovem recebe apoio de amigos e desconhecidos. "A solidariedade das pessoas me emociona. Cada mensagem de incentivo me dá força para continuar."
Perguntas Frequentes
O que é polilaminina?
É uma proteína que atua na regeneração de tecidos, especialmente nervosos. Em testes, mostrou capacidade de estimular o crescimento de axônios.
O tratamento com polilaminina é seguro?
Em humanos, ainda é experimental. Os riscos são baixos, mas não há garantia de eficácia. Todo paciente passa por avaliação rigorosa.
Gabriela vai voltar a andar?
Não há certeza. A recuperação de lesões medulares é imprevisível. O tratamento com polilaminina aumenta as chances, mas não assegura reversão total.
Como ajudar Gabriela?
A família mantém uma campanha de arrecadação online. Também é possível doar para instituições que pesquisam lesão medular.
Onde o acidente ocorreu?
Em Curitiba, no bairro Batel. A Prefeitura informou que realiza vistorias em árvores da região.