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Tarifaço: governo prepara programa para diversificar mercado com foco em setores afetados

ResumoO governo brasileiro prepara um programa de diversificação de mercados para setores como carne, aço e café, afetados pelo tarifaço americano. A iniciativa busca proteger a economia nacional e minimizar impactos no comércio local e no bolso do consumidor.

O tarifaço americano já mexe com a economia brasileira. O governo prepara um programa para diversificar mercados e proteger setores como carne, aço e café. Veja o que muda no seu bolso e no comércio local.

Dione Albuquerque
Dione Albuquerque Colunista de Economia Regional · 17 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Tarifaço: governo prepara programa para diversificar mercado com foco em setores afetados

Tarifaço: governo prepara programa para diversificar mercado com foco em setores afetados

O tarifaço dos Estados Unidos já está na mesa e mexe diretamente com o que chega à sua mesa e ao seu negócio. O governo brasileiro prepara um programa de diversificação de mercados para proteger os setores mais expostos, e nós vamos traduzir o que isso significa para o comércio local, o emprego e o custo de vida.

O tarifaço americano impõe sobretaxas de até 25% sobre produtos brasileiros como aço, alumínio e carne. O governo prepara um programa de diversificação de mercados para redirecionar exportações para Ásia, Oriente Médio e América Latina, com foco nos setores mais afetados: siderurgia, carnes e café.

O que é o tarifaço e por que ele afeta o Brasil

O tarifaço é a imposição de tarifas de importação mais altas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em 2025, o governo americano elevou as alíquotas para 25% sobre aço e alumínio, e estuda estender a medida para carnes e café. Para o Brasil, que exportou US$ 40 bilhões em produtos para os EUA em 2024, o impacto é imediato: o produto brasileiro fica mais caro no mercado americano, perdendo competitividade.

Na prática, isso significa que um lote de carne bovina de Rondônia ou um contêiner de café de Minas Gerais pode perder o comprador americano. O governo federal, então, corre para encontrar novos compradores, e é aí que entra o programa de diversificação.

Setores mais afetados: quem sente na pele

Nem todos os setores sofrem igual. O tarifaço atinge com mais força três áreas:

  • Siderurgia e metalurgia: aço e alumínio brasileiros enfrentam tarifa de 25%. Em 2024, o Brasil exportou US$ 3,2 bilhões em aço para os EUA. Para o comércio local, isso pode reduzir a demanda por minério de ferro e pressionar empregos em cidades como Ipatinga (MG) e Volta Redonda (RJ).
  • Carnes: a carne bovina brasileira é a mais exportada para os EUA entre os países sul-americanos. Uma eventual tarifa de 25% encarece o produto e pode derrubar o preço pago ao pecuarista. No açougue da sua cidade, o efeito é duplo: se o frigorífico não vende para fora, joga o estoque no mercado interno, derrubando o preço da carne, mas também reduzindo a renda do produtor local.
  • Café: o café brasileiro é líder mundial, e os EUA são o maior comprador individual. Uma tarifa sobre o grão verde ou torrado pode forçar os cafeicultores a buscar novos mercados na Ásia e no Oriente Médio.

O plano do governo: diversificar mercados

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) prepara um programa de diversificação de mercados com três frentes principais, segundo fontes oficiais.

Primeira: acordos bilaterais. O Brasil negocia acordos comerciais com países da Ásia (Vietnã, Indonésia, Coreia do Sul) e do Oriente Médio (Arábia Saudita, Emirados Árabes). A meta é reduzir tarifas de entrada para produtos brasileiros nesses mercados.

Segunda: linhas de crédito. O BNDES e o Banco do Brasil vão oferecer linhas de crédito especiais para empresas exportadoras que quiserem se adaptar a novos mercados. Isso inclui desde certificações sanitárias até logística de transporte.

Terceira: assistência técnica. A Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) vai mapear oportunidades em cada setor e oferecer consultoria para pequenas e médias empresas que nunca exportaram.

O que muda no seu bolso e no comércio local

Para o comerciante e o consumidor, o tarifaço e o plano de diversificação têm efeitos concretos.

No preço dos alimentos: se o frigorífico não consegue vender para os EUA, ele pode colocar mais carne no mercado interno. Isso tende a baixar o preço no açougue a curto prazo. Mas, se a diversificação demorar, o produtor pode reduzir a oferta, e o preço sobe depois.

No emprego: setores como siderurgia e carnes são intensivos em mão de obra. Uma queda nas exportações pode levar a demissões em cidades dependentes dessas indústrias. O programa de diversificação tenta evitar isso, mas leva tempo.

No café da manhã: o café brasileiro pode ficar mais barato internamente se o mercado americano encolher. Mas, se a diversificação para a Ásia der certo, o preço se mantém.

Perguntas Frequentes

O tarifaço já está valendo?

Sim. Desde junho de 2025, os EUA aplicam tarifa de 25% sobre aço e alumínio brasileiros. Para carnes e café, ainda há estudos em andamento.

Quais setores serão priorizados no programa de diversificação?

Os setores mais afetados: siderurgia, carnes e café. Mas o programa também abrange outros produtos como suco de laranja, etanol e calçados.

Como o pequeno comerciante pode se preparar?

O pequeno comerciante deve ficar atento aos preços dos insumos (aço para construção, carne para revenda) e buscar fornecedores locais. Se exporta, deve procurar a Apex-Brasil para orientação.

O programa de diversificação já tem data para começar?

O governo prevê lançamento oficial até setembro de 2025. As primeiras linhas de crédito do BNDES devem sair em agosto.

A diversificação pode compensar a perda do mercado americano?

Depende do setor. Para o aço, a China e a Índia são grandes consumidores, mas a logística é mais cara. Para carnes, o Oriente Médio é um mercado promissor, mas exige certificações halal. O programa prevê apoio técnico para essas adaptações.

O que fazer se meu negócio depende de exportação para os EUA?

Busque a Apex-Brasil e as associações setoriais. O programa de diversificação oferece consultoria gratuita e linhas de crédito. Também vale considerar a venda para o mercado interno, que pode absorver parte da produção.

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