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Super El Niño pode favorecer oferta de grãos no Brasil, aponta Allianz

ResumoRelatório da Allianz aponta que um possível Super El Niño entre 2026 e 2027 pode favorecer a oferta de grãos no Brasil e na Argentina. O fenômeno climático, contudo, representa risco de queda na produção de alimentos e inflação na Ásia. A análise considera impactos regionais distintos para a agricultura global.

Um possível Super El Niño entre 2026 e 2027 pode beneficiar a produção de grãos no Brasil e na Argentina, enquanto a Ásia enfrenta risco de queda na oferta de alimentos e inflação, segundo relatório da Allianz.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 27 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Super El Niño pode favorecer oferta de grãos no Brasil, aponta Allianz

Super El Niño pode favorecer oferta de grãos no Brasil, aponta Allianz

Segundo relatório da área de pesquisa econômica da Allianz, um possível episódio de Super El Niño entre 2026 e 2027 pode provocar impactos opostos na produção agrícola global. Enquanto países da Ásia devem enfrentar risco de queda na oferta de alimentos e aumento da inflação, Brasil e Argentina podem registrar condições mais favoráveis para algumas culturas, ampliando a disponibilidade de commodities no mercado internacional. O fenômeno climático em formação pode estar entre os mais intensos desde o evento registrado em 2015-2016.

Como o Super El Niño pode beneficiar a oferta de grãos no Brasil

O documento da Allianz aponta que a América Latina, especialmente Brasil e Argentina, pode ter condições climáticas mais favoráveis para a produção de grãos. A expectativa é de que uma maior oferta de commodities agrícolas na região pressione os preços internacionais de algumas culturas. No Brasil, no entanto, o impacto deve ser desigual entre regiões e cadeias produtivas: enquanto algumas áreas podem se beneficiar de melhores condições, outras podem sofrer com redução das chuvas.

O relatório destaca que o Norte do País está entre as regiões com maior risco de seca, enquanto outras áreas produtoras podem ter ganhos de produtividade. O desafio, segundo a Allianz, será acompanhar os efeitos regionais do clima e equilibrar possíveis ganhos de oferta em algumas culturas com riscos de perdas em áreas afetadas pela seca.

Impactos do fenômeno nas cadeias produtivas do agronegócio

Para o agronegócio brasileiro, o fenômeno climático será acompanhado de perto por diferentes cadeias. Na agricultura, os principais pontos de atenção envolvem:

  • Soja e milho: pela influência sobre produtividade e oferta global.
  • Café: devido à sensibilidade da cultura ao clima.
  • Cana-de-açúcar: pela relação entre chuvas, produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima.
  • Pecuária: pelo impacto sobre pastagens e disponibilidade de alimento para os animais.

No setor de leite, por exemplo, excesso ou falta de chuvas pode alterar a oferta de forragem e os custos de alimentação do rebanho, afetando a produção.

Efeitos globais: inflação e preços dos alimentos

Ainda segundo o estudo, episódios fortes de El Niño costumam provocar aumento dos preços globais dos alimentos. Estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que um El Niño típico pode elevar os preços internacionais de alimentos em cerca de 5% ao longo de um ano. Os efeitos, porém, não são distribuídos de forma uniforme. A Ásia aparece como a região mais vulnerável, com risco de secas, redução da produção agrícola e pressão sobre os preços internos. Países produtores de arroz e outros alimentos básicos podem enfrentar maior instabilidade, inclusive com possibilidade de restrições às exportações para garantir o abastecimento doméstico.

O principal efeito econômico de um El Niño intenso deve aparecer nos preços dos alimentos. Segundo a Allianz, países asiáticos devem sentir o maior impacto inflacionário, mas o Brasil também pode enfrentar pressão dependendo da intensidade dos efeitos climáticos sobre a produção. O cenário pode influenciar decisões de bancos centrais, principalmente em países mais vulneráveis, que podem manter juros elevados por mais tempo para conter a inflação.

Mercados financeiros devem sentir pouco impacto

Apesar dos efeitos sobre alimentos e economia real, a Allianz avalia que um Super El Niño não deve provocar grandes mudanças estruturais nos mercados financeiros globais. Historicamente, o comportamento das bolsas depende mais do cenário macroeconômico, como juros, inflação e crescimento, do que diretamente do fenômeno climático. A principal preocupação, segundo o relatório, está concentrada na economia real: produção agrícola, preços dos alimentos e renda dos produtores.

Perguntas Frequentes

O que é um Super El Niño?

É um episódio particularmente intenso do fenômeno climático El Niño, que pode estar entre os mais fortes desde o evento registrado em 2015-2016, segundo o relatório da Allianz.

Quais culturas brasileiras podem ser mais afetadas?

As principais culturas sob atenção são soja, milho, café, cana-de-açúcar e a pecuária, incluindo o setor de leite.

O fenômeno pode causar inflação no Brasil?

Sim, o Brasil pode enfrentar pressão inflacionária dependendo da intensidade dos efeitos climáticos sobre a produção, segundo a Allianz.

Como a Ásia será impactada?

A Ásia é a região mais vulnerável, com risco de secas, redução da produção agrícola e pressão sobre os preços internos, com possível restrição às exportações.

O que o FMI estima sobre o impacto nos preços?

O FMI indica que um El Niño típico pode elevar os preços internacionais de alimentos em cerca de 5% ao longo de um ano.

El Niño e agronegócio brasileiro: impactos históricos Preços internacionais de commodities em 2026

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