# Sob pressão, Lula desautoriza dragagem emergencial e El Niño ameaça Tapajós

> O presidente Lula desautorizou a dragagem emergencial no rio Tapajós, contrariando auxiliares. Sem a obra, o fenômeno El Niño ameaça paralisar o escoamento de grãos, com impactos econômicos estimados em R$ 500 milhões.

*Sucesso News · Cidade · 24 de julho de 2026 · Pedro Henrique Salles*

O presidente Lula desautorizou a dragagem emergencial no rio Tapajós, contrariando auxiliares. Sem a obra, o El Niño pode paralisar o escoamento de grãos, com impactos de R$ 500 milhões.

## Sob pressão, Lula desautoriza dragagem emergencial e El Niño ameaça Tapajós

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desautorizou a dragagem emergencial no rio Tapajós (PA), mesmo sob risco de seca extrema e comprometimento de um dos principais corredores de exportação de grãos. A decisão foi tomada em reunião no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (23), contrariando auxiliares que recomendavam o início imediato da obra. Sem a retirada de sedimentos, o "Super El Niño" pode afetar a navegabilidade do rio nos próximos meses.

## O que é a dragagem emergencial e por que ela é necessária

A dragagem emergencial é a retirada de sedimentos acumulados no leito do rio para manter a profundidade necessária à navegação. No Tapajós, a obra foi redimensionada para atenuar impactos: em vez de retirar 3 milhões de metros cúbicos de sedimentos em três anos, o novo projeto prevê intervenções em menos de 2% da extensão navegável do rio (cerca de quatro quilômetros) e a remoção de 1 milhão de m³ em sete pontos entre Miritituba e Santarém. O trabalho duraria de 90 a 100 dias.

A necessidade da dragagem cresce com a iminência do El Niño, fenômeno climático causado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico. No Brasil, ele provoca mais chuva no Sul e seca no Norte, reduzindo o volume de água dos rios amazônicos. Sem a dragagem, especialistas consideram alto o risco de paralisação parcial ou total do transporte de cargas pelo Tapajós.

## A reunião no Palácio do Planalto e a pressão indígena

A reunião que selou a decisão ocorreu entre representantes de ministérios e lideranças indígenas da região. A ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, liderou as discussões, que contaram com participação dos Ministérios dos Transportes, Portos e Aeroportos (MPor), Minas e Energia (MME), Dnit, e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Segundo relatos à CNN, lideranças indígenas ameaçaram protestos e escalar o tom contra as obras em pleno calendário eleitoral.

O histórico de tensão é recente: entre janeiro e fevereiro, indígenas de 14 etnias ocuparam por quase um mês o terminal da Cargill em Santarém (PA) contra uma dragagem de manutenção e ações para concessão da hidrovia. O projeto original do Dnit acabou engavetado. Com o alerta do El Niño, o governo e o setor privado resgataram um acordo de cooperação entre o Dnit e a Abani (Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior).

## Como seria a dragagem e por que ela não precisa de licença

Pelo acordo, empresas que atuam no transporte de cargas pelos corredores fluviais do Arco Norte bancariam integralmente o projeto: contratação, execução e desenvolvimento. Ao governo, restaria apenas fiscalizar. O cronograma foi alterado para evitar o período de reprodução de quelônios (tartarugas, cágados, jabutis). Segundo técnicos, nenhuma comunidade indígena seria afetada em um raio inferior a dez quilômetros.

Pela nova lei de licenciamento ambiental, a obra prescindiria de análise do Ibama ou da Semas (Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará). Dragagens de manutenção, que não alteram profundidade ou largura existente, não precisam mais de licença.

## O impacto logístico e econômico da paralisação

Sem a dragagem, a menor navegabilidade do Tapajós deve afetar o escoamento de 3,5 milhões a 5,5 milhões de toneladas de grãos (principalmente soja e milho) neste ano. Em 2027, dependendo da duração do El Niño, o impacto poderia ser maior. Para produtores rurais, especialmente no norte de Mato Grosso, isso significa custos mais elevados para armazenar a colheita ou buscar alternativas mais caras, como os portos de Santos (SP) ou Itaqui (MA). Estima-se uma conta adicional de R$ 500 milhões com o escoamento logístico.

A menor movimentação também afeta o plano de negócios dos terminais portuários instalados no Arco Norte. E aumenta as emissões de gases do efeito-estufa: um comboio típico de 25 barcaças transporta o mesmo volume de 1.700 caminhões ou de seis composições ferroviárias (com 150 vagões cada). Estimativas indicam a potencial emissão de 55 mil toneladas a mais de CO2 com restrições no uso do Tapajós. As barcaças podem continuar navegando, mas com menos mercadorias para evitar encalhes nos sedimentos acumulados.

## O que diz a legislação e o papel de cada órgão

A nova lei de licenciamento ambiental é o marco que dispensou a licença para dragagens de manutenção. O Dnit, como órgão de infraestrutura, seria o fiscalizador do acordo com a Abani. A ANA e o Ministério dos Transportes participaram das discussões, mas a decisão final coube ao presidente, que contrariou as recomendações técnicas de seus auxiliares.

## Perguntas Frequentes

### Por que Lula desautorizou a dragagem?

Lula desautorizou a dragagem emergencial após reunião com lideranças indígenas, que ameaçaram protestos em pleno calendário eleitoral. A decisão contrariou auxiliares que recomendavam o início imediato da obra.

### Qual o risco do El Niño para o Tapajós?

O El Niño provoca seca no Norte do Brasil, reduzindo o volume de água dos rios amazônicos. Sem a dragagem, o risco de paralisação parcial ou total do transporte de cargas é considerado alto por especialistas.

### Quantos grãos deixariam de ser escoados?

Estima-se que a menor navegabilidade afete o escoamento de 3,5 milhões a 5,5 milhões de toneladas de grãos (soja e milho) neste ano.

### Qual o custo adicional para os produtores?

A conta adicional com o escoamento logístico é estimada em R$ 500 milhões, especialmente para produtores do norte de Mato Grosso.

### A dragagem precisava de licença ambiental?

Não. Pela nova lei de licenciamento ambiental, dragagens de manutenção que não alteram profundidade ou largura existente não precisam de licença do Ibama ou da Semas.

### Quem bancaria a obra?

Empresas que atuam no transporte de cargas pelos corredores fluviais do Arco Norte, por meio de acordo de cooperação entre o Dnit e a Abani, bancariam integralmente o projeto.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/sob-pressao-lula-desautoriza-dragagem-emergencial-el-nino-ameaca-tapajos/
