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Santos terá espaços adaptados para pessoas com TEA em eventos e locais esportivos; entenda

ResumoSantos implementa adaptações em espaços esportivos e eventos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As medidas incluem salas sensoriais, uso do cordão de girassol como identificação e treinamento de equipes para acolhimento adequado. O benefício pode ser solicitado pelos responsáveis para garantir acesso inclusivo e conforto durante atividades.

Santos inicia adaptação de espaços esportivos para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Medidas incluem salas sensoriais, cordão de girassol e treinamento de equipes. Entenda como funciona e como solicitar o benefício.

Tarcísio Bonfim
Tarcísio Bonfim Repórter de Esporte Local · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Santos terá espaços adaptados para pessoas com TEA em eventos e locais esportivos; entenda

Santos terá espaços adaptados para pessoas com TEA em eventos e locais esportivos; entenda

Eu acompanho o esporte local desde moleque, vendo a molecada da várzea sonhar com a Vila Belmiro. Mas torcer não é só vibrar, é também garantir que todo mundo tenha seu lugar na arquibancada. Santos acaba de dar um passo que eu esperava há tempos: adaptar espaços esportivos para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Vou te contar como funciona.

Santos está adaptando seus espaços esportivos para pessoas com TEA com salas sensoriais, profissionais treinados e o cordão de girassol como identificação. A medida segue a Lei Municipal 3.937/2024 e visa garantir que todos possam frequentar estádios, ginásios e arenas com conforto e segurança.

O que muda para o torcedor autista em Santos

A Prefeitura de Santos sancionou a Lei 3.937 em 2024, que cria a Política Municipal de Atendimento à Pessoa com TEA em eventos esportivos e culturais. Na prática, isso significa que estádios como a Vila Belmiro, ginásios e arenas da cidade precisam oferecer:

  • Salas sensoriais: ambientes com isolamento acústico, iluminação suave e materiais para autorregulação, para quem sofre com superestímulos.
  • Profissionais treinados: equipes capacitadas para identificar crises sensoriais e oferecer acolhimento.
  • Cordão de girassol: identificação discreta que sinaliza que a pessoa tem uma condição não visível, permitindo atendimento prioritário.

Segundo a Secretaria de Saúde de Santos, a cidade tem mais de 2.500 pessoas com TEA cadastradas no sistema municipal. A lei quer garantir que esse pessoal possa ir ao jogo sem medo.

Cordão de girassol: como solicitar em Santos

O cordão de girassol virou símbolo nacional de deficiências ocultas. Em Santos, a emissão é gratuita. Basta ir ao Centro de Referência da Pessoa com Deficiência (CRPD), na Rua São Bento, 268, ou a qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) com laudo médico e documentos pessoais.

A lei municipal prevê que o cordão garante prioridade em filas e atendimento, mas não substitui o laudo. Eu já vi torcedor usando na fila da Vila e sendo tratado com respeito. O movimento é real.

Salas sensoriais nos estádios: como vão funcionar

As salas sensoriais são o coração da adaptação. A ideia vem de exemplos internacionais, estádios na Inglaterra e nos EUA já usam. Em Santos, a Prefeitura determinou que todo evento esportivo com mais de 5 mil pessoas precisa ter ao menos uma sala sensorial.

Essas salas têm:

  • Fones abafadores de ruído
  • Iluminação com dimmer (regulável)
  • Poltronas confortáveis e almofadas
  • Brinquedos sensoriais (como bolinhas texturizadas e massinhas)

A fiscalização fica com a Secretaria de Esportes e Lazer. Quem não cumprir pode levar multa de até R$ 10 mil.

Treinamento de profissionais: quem vai atender

De nada adianta sala sensorial se o porteiro não souber o que fazer quando uma criança autista entrar em crise. Por isso, a lei exige treinamento anual para todos os funcionários de eventos esportivos, seguranças, bilheteiros, recepcionistas.

O curso é feito em parceria com a Associação de Amigos do Autista de Santos (AMAS) e aborda:

  • Como identificar sinais de sobrecarga sensorial
  • Técnicas de comunicação não violenta
  • Como direcionar a pessoa para a sala sensorial

Eu conversei com a coordenadora da AMAS, que me disse que o treinamento já formou 300 profissionais desde 2024. "O maior ganho é a dignidade", ela falou.

Direitos garantidos por lei federal

A lei municipal de Santos se soma à Lei Federal 12.764/2012 (Berenice Piana), que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA. Ela garante acesso a serviços de saúde, educação e, desde 2024, a adaptação de espaços públicos.

Na prática, o torcedor autista tem direito a:

  • Acompanhante gratuito em eventos esportivos
  • Prioridade em filas e atendimento
  • Acesso a ambientes adaptados

Como cobrar e fiscalizar

Se você for a um jogo na Vila e perceber que a sala sensorial está fechada ou o cordão de girassol não é respeitado, pode denunciar no Disque 156 da Prefeitura de Santos ou na Ouvidoria da Secretaria de Esportes.

Eu mesmo já usei o canal depois de ver uma mãe com criança autista sendo barrada na entrada. O atendimento foi rápido, em 48 horas a prefeitura respondeu e ajustou o protocolo.

Perguntas Frequentes

O cordão de girassol vale em todo o Brasil?

Sim, o cordão de girassol é reconhecido nacionalmente pela Lei 14.624/2023 como símbolo de deficiências ocultas.

Preciso de laudo médico para solicitar o cordão?

Sim, é necessário apresentar laudo médico com CID F84 (Transtorno do Espectro Autista).

As salas sensoriais funcionam em todos os eventos?

A lei exige para eventos com mais de 5 mil pessoas. Eventos menores são recomendados a ter, mas não obrigados.

Crianças autistas pagam meia-entrada?

Sim, pessoas com TEA têm direito a meia-entrada em eventos culturais e esportivos, conforme Lei Federal 12.933/2013.

Como faço para denunciar descumprimento da lei?

Ligue 156 ou procure a Secretaria de Esportes de Santos. Guarde ingressos e registros de atendimento.

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