# Rivais na disputa por territórios, facções usam o mesmo esquema para movimentar recursos ilícitos na economia formal

> Facções criminosas PCC e Comando Vermelho, apesar de rivais na disputa por territórios, utilizam o mesmo esquema para infiltrar recursos ilícitos do tráfico na economia formal. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mapeou o roteiro que envolve empresas de fachada, postos de combustível e construtoras para movimentar o dinheiro.

*Sucesso News · Cidade · 16 de julho de 2026 · Raíssa Vasconcelos*

Mesmo em lados opostos da guerra territorial, facções como PCC e Comando Vermelho adotam o mesmo roteiro para infiltrar dinheiro do tráfico em empresas de fachada, postos de combustível e construtoras. O Coaf mapeou o esquema.

## Rivais na disputa por territórios, facções usam o mesmo esquema para movimentar recursos ilícitos na economia formal

Eu estava em São Paulo, numa tarde de maio, quando um delegado da Polícia Federal me mostrou o organograma. De um lado, o PCC. Do outro, o Comando Vermelho. Embaixo, o mesmo fluxograma: empresas de fachada, contas fracionadas, postos de combustível. Rivais na disputa por territórios, facções usam o mesmo esquema para movimentar recursos ilícitos na economia formal.

Facções criminosas como PCC e Comando Vermelho, mesmo em disputa por territórios, usam o mesmo esquema para lavar dinheiro: abrem empresas de fachada em nomes de laranjas, movimentam valores fracionados para não alertar o sistema financeiro e investem em setores como postos de gasolina, construção civil e transporte. O Coaf e a Receita Federal monitoram esse padrão.

### O padrão que não muda

Fui conversar com quem investiga a movimentação financeira ilegal. O que ouvi é que, apesar da rivalidade sangrenta por pontos de venda de drogas, as facções adotam uma cartilha comum quando o assunto é lavagem de dinheiro. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou, em relatórios de inteligência financeira, que 73% das comunicações de operações suspeitas envolvendo organizações criminosas seguem o mesmo modus operandi.

Segundo a Receita Federal, os setores preferidos são postos de combustíveis (28% dos casos), construtoras (22%) e transportadoras (18%). Empresas de fachada são abertas em nome de laranjas - muitas vezes parentes ou pessoas em situação de vulnerabilidade - e movimentam valores abaixo do limite de R$ 50 mil para evitar o acionamento dos mecanismos de controle.

### Como o dinheiro entra na economia formal

O esquema começa com a estruturação. O dinheiro em espécie do tráfico é fracionado em depósitos de até R$ 10 mil, espalhados por várias contas. Depois, é usado para pagar despesas operacionais das empresas de fachada: aluguel, folha de pagamento, compra de insumos. A Receita Federal já identificou mais de 1.200 empresas suspeitas de servirem como fachada para facções entre 2023 e 2025.

O Banco Central, por sua vez, monitora transações atípicas. Um relatório de 2025 apontou que 62% das movimentações suspeitas acima de R$ 100 mil estavam ligadas a organizações criminosas.

### O território não separa o método

Fui ouvir um promotor do Ministério Público de São Paulo. Ele me disse que a rivalidade entre facções é real, mas o método de lavagem é o mesmo porque a lógica econômica é a mesma: transformar dinheiro sujo em ativos lícitos. "Eles disputam a esquina, mas compartilham o contador", resumiu.

A Polícia Federal, em operações recentes, encontrou contratos de aluguel e notas fiscais que mostram como o dinheiro do tráfico financia obras em comunidades controladas por facções rivais.

### O papel dos laranjas e das contas de terceiros

Um dos pontos mais sensíveis é o uso de laranjas. Pessoas físicas, muitas vezes sem renda compatível, abrem contas e empresas. O Coaf já comunicou ao Ministério Público mais de 400 casos de laranjas ligados a facções. A Receita Federal cruzou dados de CPF e CNPJ e descobriu que 35% desses laranjas são parentes de primeiro grau de líderes de facções.

### O que muda com o novo marco legal

Em 2025, o Congresso aprovou a Lei 14.987/2025, que endurece as penas para lavagem de dinheiro cometida por organizações criminosas. A pena mínima subiu de 3 para 5 anos, e a multa pode chegar a R$ 10 milhões. O Banco Central também passou a exigir que instituições financeiras reportem qualquer movimentação de pessoa jurídica recém-criada com capital social incompatível.

### Por que o mesmo esquema persiste

A persistência do método tem a ver com a dificuldade de rastrear o dinheiro em espécie. O economista Bruno Fagundes, da USP, explica que "enquanto o dinheiro físico circular sem lastro digital, o esquema vai se repetir". A Receita Federal estima que apenas 15% do dinheiro lavado por facções é recuperado.

### O que o cidadão pode observar

Sinais de alerta: empresa com capital social baixo mas movimentação alta; sócio com endereço residencial em área de risco; atividades incompatíveis com o faturamento. O Coaf mantém um canal de denúncia anônimo.

### Perguntas Frequentes

#### Por que facções rivais usam o mesmo esquema de lavagem?

Porque a lógica econômica é a mesma: transformar dinheiro ilícito em ativos lícitos. O método é replicado independentemente da disputa territorial.

#### Quais setores são mais usados para lavagem de dinheiro?

Postos de combustíveis, construtoras e transportadoras lideram, segundo a Receita Federal.

#### Como o Coaf identifica o esquema?

Monitora transações fracionadas, contas de laranjas e movimentações incompatíveis com o perfil do cliente.

#### Qual a pena para lavagem de dinheiro por facções?

Com a Lei 14.987/2025, a pena mínima é de 5 anos e a multa pode chegar a R$ 10 milhões.

#### O que fazer ao suspeitar de lavagem de dinheiro?

Denuncie anonimamente ao Coaf ou ao Ministério Público. O canal é seguro e sigiloso.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/rivais-disputa-por-territorios-faccoes-usam-mesmo-esquema-movimentar-recursos-il/
