# Reciprocidade tarifária pode piorar situação do Brasil, diz Abiplast

> A Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) alerta que a reciprocidade tarifária pode agravar a crise no setor plástico brasileiro. Dados oficiais indicam riscos à competitividade industrial e ao emprego, com possível aumento de custos e perda de mercado. A medida, se adotada, tende a piorar a situação econômica do país.

*Sucesso News · Cidade · 17 de julho de 2026 · Otávio Mancini*

A Abiplast alerta que a adoção de reciprocidade tarifária pode agravar a crise no setor plástico brasileiro. Com base em dados oficiais, entenda os riscos para a competitividade e o emprego.

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) avalia que a proposta de reciprocidade tarifária, em discussão no Congresso, pode ter efeito contrário ao esperado e agravar a crise no setor. A entidade aponta que, em vez de proteger a indústria nacional, a medida tende a elevar custos e reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

A reciprocidade tarifária é um mecanismo de política comercial que prevê a aplicação de tarifas equivalentes às impostas por outros países a produtos brasileiros. Na prática, se um país cobra 20% de imposto sobre plásticos do Brasil, o Brasil aplicaria a mesma alíquota sobre plásticos daquele país. A lógica parece justa, mas, segundo a Abiplast, ignora a realidade da cadeia produtiva nacional, que depende de insumos importados.

Dados do Ministério da Economia indicam que o Brasil importa cerca de 30% das resinas plásticas utilizadas na indústria. Esses insumos vêm principalmente de países como Estados Unidos, China e Alemanha. Se a reciprocidade for aplicada de forma ampla, as resinas desses países podem ficar mais caras, encarecendo a produção local. "O plástico brasileiro já enfrenta custos elevados de energia e logística. Aumentar o preço da matéria-prima é dar um tiro no pé", afirma José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast, em nota à imprensa.

A entidade também destaca que a medida pode gerar retaliações comerciais. Se o Brasil elevar tarifas para um parceiro comercial, esse parceiro pode fazer o mesmo com outros produtos brasileiros, afetando setores como o agropecuário e o de máquinas. "A indústria plástica emprega diretamente mais de 300 mil trabalhadores (Abiplast, 2025). Qualquer movimento que reduza a competitividade coloca esses postos em risco", alerta a associação.

Impactos da guerra comercial sobre o setor de plásticos

A balança comercial do setor plástico já é deficitária. Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,2 bilhão em produtos plásticos e importou US$ 2,5 bilhões, segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). A reciprocidade tarifária, ao encarecer insumos, pode aprofundar esse déficit, já que as exportações se tornariam menos competitivas.

Para a Abiplast, a saída não está na elevação de tarifas, mas na negociação de acordos bilaterais e na redução de custos internos, como os de energia e logística. A entidade defende que o governo brasileiro busque a abertura de mercados por meio de negociações diplomáticas, e não por medidas unilaterais que podem isolar o país comercialmente.

A discussão sobre reciprocidade tarifária ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou elevar tarifas sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro, em resposta, sinalizou que pode adotar medidas recíprocas. No entanto, a Abiplast alerta que essa postura pode ser prejudicial, especialmente para setores que dependem de insumos importados.

Como a política tarifária dos EUA afeta o Brasil

O debate, que começou no âmbito da política comercial, já chegou ao Congresso Nacional. Projetos de lei que tratam do tema estão em tramitação, e a Abiplast acompanha de perto as discussões. A entidade tem se reunido com parlamentares e membros do governo para apresentar sua posição.

"A indústria não pode ser refém de uma política que, na teoria, protege, mas, na prática, estrangula", conclui Roriz Coelho. O próximo passo, segundo a associação, é aguardar a definição do governo sobre a proposta e, se necessário, intensificar a pressão para evitar que a medida avance.

## Perguntas Frequentes

### O que é reciprocidade tarifária?

É uma política comercial que aplica tarifas de importação equivalentes às que outros países cobram sobre produtos brasileiros. Se um país taxa em 15% os plásticos do Brasil, o Brasil taxa em 15% os plásticos daquele país.

### Por que a Abiplast é contra a reciprocidade tarifária?

Porque a medida pode encarecer insumos importados essenciais para a indústria plástica, reduzir a competitividade das exportações e gerar retaliações comerciais que afetam outros setores.

### Quantos empregos a indústria plástica gera no Brasil?

Segundo a Abiplast, o setor emprega diretamente mais de 300 mil trabalhadores.

### Qual é a balança comercial do setor plástico?

Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,2 bilhão e importou US$ 2,5 bilhões em produtos plásticos, resultando em déficit de US$ 1,3 bilhão, de acordo com a AEB.

### A reciprocidade tarifária já está em vigor?

Não. A proposta está em discussão no Congresso e no governo federal. A Abiplast acompanha o tema e tenta evitar sua aprovação.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/reciprocidade-tarifaria-pode-piorar-situacao-brasil-diz-abiplast/
