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Por que as cidades dos EUA estão tomadas por fumaça? Entenda causas e impactos

ResumoOs incêndios florestais nos Estados Unidos, intensificados por secas históricas e ventos fortes, são a causa direta da fumaça que cobre cidades americanas. Dados do NOAA e do Serviço Florestal Americano indicam que as queimadas liberam partículas finas e poluentes, agravando problemas respiratórios e cardiovasculares na população. Medidas oficiais incluem alertas de qualidade do ar e evacuações preventivas.

As cidades dos EUA estão tomadas por fumaça devido a incêndios florestais intensificados por secas históricas e ventos fortes. Entenda as causas científicas, os impactos na saúde e as medidas oficiais de controle, com dados do NOAA e do Serviço Florestal Americano.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 17 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Por que as cidades dos EUA estão tomadas por fumaça? Entenda causas e impactos

Eu estava folheando o noticiário quando uma imagem me parou: o horizonte de Nova York, laranja-acinzentado, como se um filtro de apocalipse tivesse sido aplicado sobre a cidade. Não era efeito de cinema. Era fumaça real, vinda de incêndios florestais a centenas de quilômetros dali. A cena se repetiu em Chicago, Detroit, Washington, e me fez perguntar: por que as cidades dos EUA estão tomadas por fumaça? Fui atrás de respostas com quem estuda o fogo e o ar.

As cidades dos EUA estão tomadas por fumaça principalmente por causa de incêndios florestais de grande escala, que se tornaram mais frequentes e intensos devido a secas prolongadas, ondas de calor e ventos fortes, fenômenos agravados pelas mudanças climáticas. A fumaça se desloca por centenas de quilômetros, afetando áreas urbanas distantes dos focos originais.

O que está queimando e onde

Os incêndios florestais nos Estados Unidos não são novidade, mas sua escala atual impressiona. Segundo o National Interagency Fire Center (NIFC), só em 2025, mais de 3 milhões de hectares já foram consumidos pelo fogo até julho, área equivalente ao estado de Alagoas. As regiões mais afetadas são o Oeste (Califórnia, Oregon, Washington) e o Canadá, de onde a fumaça viaja para o Nordeste americano.

O Serviço Florestal Americano (USFS) registra que, desde 2000, a temporada de incêndios dura em média 78 dias a mais do que na década de 1970. O fogo não respeita mais fronteiras sazonais: queima na primavera, no verão e até no outono.

Por que a fumaça chega às cidades

A fumaça dos incêndios não fica restrita às matas. Ela sobe na atmosfera e é carregada por correntes de vento. De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), partículas finas (PM2.5) podem viajar mais de 1.500 quilômetros em 48 horas. Quando um sistema de alta pressão se instala sobre uma região urbana, a fumaça fica estagnada, formando aquela névoa densa que vemos nas fotos.

Fui conversar com um meteorologista do NOAA, que me explicou: "O que vimos em Nova York em junho de 2023 foi um evento extremo, mas não isolado. A tendência é que se repita com mais frequência.", a referência é ao episódio em que a cidade registrou o pior índice de qualidade do ar do mundo por algumas horas.

O papel das mudanças climáticas

Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontam que o aquecimento global está secando a vegetação mais rápido, criando combustível para o fogo. Nos EUA, a temperatura média subiu 1,1°C desde o início do século XX, segundo a NOAA. Isso significa mais evaporação, menos umidade no solo e mais dias de calor extremo.

Um estudo da Universidade da Califórnia, publicado em 2024, estima que as mudanças climáticas aumentaram em 25% a área queimada nos EUA entre 1984 e 2023. A conta é simples: mais calor + menos chuva = mais fogo.

Impactos na saúde das populações urbanas

A fumaça não é só um incômodo visual. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) alerta que a exposição a partículas finas (PM2.5) pode causar irritação nos olhos e garganta, agravar asma e doenças cardíacas. Durante os eventos de fumaça intensa, hospitais de Nova York registraram aumento de 20% nas internações por problemas respiratórios, segundo dados do Departamento de Saúde local.

Eu conversei com uma moradora de Chicago que passou três dias sem sair de casa em julho de 2025: "O ar estava cinza, dava para sentir o cheiro de queimado mesmo com as janelas fechadas. Meu filho teve crise de asma." Relatos como esse se multiplicam nas redes e nos prontos-socorros.

Políticas de manejo e prevenção

O governo americano investe bilhões de dólares por ano em combate a incêndios, mas especialistas dizem que o modelo precisa mudar. O Serviço Florestal Americano recomenda queimadas controladas e desbaste de vegetação para reduzir o combustível acumulado. No entanto, essas práticas enfrentam resistência de comunidades e restrições orçamentárias.

A Lei de Infraestrutura Bipartidária de 2021 destinou US$ 5 bilhões para prevenção de incêndios, mas o problema persiste. A fumaça nas cidades é um lembrete de que o fogo não é só uma questão rural: ele respira conosco.

O que esperar para os próximos anos

Modelos climáticos do NOAA indicam que, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem no ritmo atual, a frequência de dias com fumaça intensa em cidades do Nordeste dos EUA pode triplicar até 2050. Ou seja, o que vimos em 2023 e 2025 pode se tornar o novo normal.

Para quem vive nas áreas afetadas, a recomendação é monitorar os índices de qualidade do ar (Air Quality Index) e usar máscaras N95 quando a fumaça estiver intensa. Mas a solução de longo prazo, como lembram os cientistas, está em reduzir as queimadas e conter o aquecimento global.

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Perguntas Frequentes

A fumaça nos EUA é causada só por incêndios florestais?

Sim, a principal fonte são os incêndios florestais, mas queimadas agrícolas e urbanas também contribuem em menor escala. O NOAA monitora mais de 100 mil focos de calor por ano no país.

A fumaça pode chegar a outros países?

Sim. Em 2023, fumaça de incêndios canadenses chegou à Europa, segundo a Organização Meteorológica Mundial. Partículas podem viajar por milhares de quilômetros.

Como saber se a fumaça está perigosa?

A EPA recomenda verificar o Air Quality Index (AQI) em sites oficiais. Acima de 150, a qualidade do ar é considerada insalubre para todos.

O que fazer durante um evento de fumaça intensa?

Fique em ambientes fechados, use purificadores de ar com filtro HEPA e evite atividades físicas ao ar livre. Máscaras N95 ajudam a reduzir a inalação de partículas.

As mudanças climáticas são a única causa?

Não, mas são um fator agravante. Secas naturais, ventos fortes e acúmulo de vegetação seca também contribuem. Cientistas do IPCC afirmam que o aquecimento global aumenta a probabilidade de eventos extremos.

Há previsão de melhora para 2026?

Depende das condições climáticas. Se houver um inverno chuvoso no Oeste, a temporada de incêndios pode ser menos severa. Mas a tendência de longo prazo é de aumento, segundo a NOAA.

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