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Alunos Deixam de Ler: Por Que Isso Acontece e Soluções Escolares

Aproximadamente 53% dos brasileiros não são leitores, um aumento preocupante que afeta alunos em idade escolar. A dificuldade de compreensão é um fator chave, mas a escola tem estratégias para formar leitores engajados.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 29 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Alunos Deixam de Ler: Por Que Isso Acontece e Soluções Escolares

A cena é familiar para muitos pais: um adolescente que antes devorava livros agora evita as páginas, exceto as didáticas e com relutância. O hábito da leitura parece se perder durante os anos escolares, um cenário que se reflete em números preocupantes. Pela primeira vez desde 2007, o Brasil tem mais não leitores (53%) do que leitores (47%), segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil de 2024, divulgada pelo Instituto Pró-Livro. Em apenas quatro anos, o país viu 6,7 milhões de leitores desaparecerem.

A queda é especialmente acentuada durante a escolarização. Entre alunos do 1º ao 5º ano, a proporção de leitores caiu de 49% para 40%, e do 6º ao 9º ano, de 54% para 49%. Essa perda durante o período escolar levanta a questão: a escola pode e deve intervir?

As dificuldades de leitura dos estudantes brasileiros também são evidenciadas em avaliações internacionais. Os resultados do Pisa 2025, divulgados pela OCDE em 8 de setembro, mostraram que apenas 49% dos estudantes de 15 anos no Brasil alcançaram o nível básico de proficiência em leitura, com o país registrando 408 pontos, abaixo da média da OCDE de 466.

Curiosamente, a 28ª Bienal do Livro de São Paulo atraiu 760 mil visitantes em 13 de setembro, com adolescentes formando longas filas. Esse interesse do público fora do ambiente escolar contrasta com a apatia dentro dele, sugerindo que o problema pode não ser a falta de interesse, mas a dificuldade de acesso.

Uma pista crucial vem dos próprios não leitores. Na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 36% afirmam não ler por não compreenderem o conteúdo. Patricia Borges, gerente de Impacto do Instituto Sol, ONG que atende alunos do 9º ano da rede pública pelo Programa Aurora, observa essa realidade de perto. "Muitas vezes, o desinteresse pela leitura está ligado à dificuldade de compreender o que está sendo lido", afirma.

Segundo Patricia, esses alunos chegam ao programa com dificuldades em identificar informações, captar a ideia central e entender enunciados. A repetição de experiências frustrantes com a leitura leva ao afastamento. A questão fundamental, segundo ela, é determinar se o aluno "não quer ler ou não está conseguindo ler". A distinção, observada por professores e confirmada em avaliações diagnósticas, é o ponto de partida.

A solução pode começar com a devolução da autonomia ao aluno. No Programa Aurora, a estratégia envolve misturar reportagens, crônicas e textos informativos, começando por materiais curtos e acessíveis para construir confiança na compreensão antes de expandir o repertório. O professor, de todas as áreas, é peça-chave, utilizando estratégias de baixo custo como leitura conjunta, pausas para checar entendimento e identificação de palavras-chave.

A tecnologia, como a plataforma Árvore, que afirma ter levado 146 mil estudantes a ler o equivalente a 24 livros por ano através de gamificação, pode auxiliar, mas não é a solução isolada para as dificuldades de compreensão. No fim, a formação de um leitor engajado depende da frequência e do significado que a leitura tem na rotina do aluno, conforme aponta Christine Lourenço, diretora pedagógica do Grupo Salta Educação. A leitura sobrevive quando deixa de ser uma obrigação e se torna uma capacidade. O desafio para a escola é garantir que o aluno consiga decifrar as frases antes de se perguntar qual livro indicar.

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