# MG pode não decidir eleições presidenciais pela 1ª vez

> Minas Gerais, espelho eleitoral do Brasil por duas décadas, pode perder o papel de estado decisivo na disputa presidencial pela primeira vez. A mudança decorre de alterações demográficas, redistribuição de cadeiras no Congresso e reconfiguração do eleitorado, que reduzem o peso relativo do estado no colégio eleitoral. Cientistas políticos apontam que a tendência enfraquece a tradicional influência mineira no resultado nacional.

*Sucesso News · Cidade · 28 de agosto de 2026 · Nayara Couto*

Minas Gerais, espelho do Brasil nas urnas há 20 anos, pode perder esse papel pela primeira vez. Cientista político explica por que o estado pode não decidir a eleição presidencial.

Minas Gerais, historicamente um espelho do Brasil nas eleições presidenciais, pode, pela primeira vez, não ser determinante para a definição do vencedor do pleito. A hipótese foi levantada por Fábio Vasconcellos, cientista político e professor da Uerj e da PUC-Rio, em entrevista à CNN Brasil.

Segundo Vasconcellos, ao longo de 20 anos, o estado sempre confirmou a máxima de que quem vence em Minas vence no Brasil. Mas dados recentes indicam que esse padrão histórico pode estar se rompendo.

O cientista político explicou que a margem entre o vencedor e o perdedor em Minas Gerais vem diminuindo a cada eleição. "A diferença entre o vencedor e o perdedor em Minas Gerais vem declinando eleição a eleição", afirmou. Em 2022, essa diferença em pontos percentuais ficou abaixo da média nacional, o que chamou a atenção dos pesquisadores.

"É como se a tendência à direita em Minas estivesse muito mais acentuada do que a gente está observando no Brasil", destacou. Ao abrir o mapa do estado, várias regiões penderam mais fortemente para a direita em 2022, mesmo em localidades onde o PT historicamente apresentava médias razoáveis de votação, médias que, segundo Vasconcellos, vêm sendo reduzidas ao longo do período.

Com base nessa tendência, o especialista levantou a possibilidade de que, pela primeira vez, o resultado em Minas não coincida com o resultado nacional. "Pode acontecer, pela primeira vez, que quem vencer em Minas pode ser que não vença no Brasil, ou vice-versa", disse. Ele ressaltou, no entanto, que a hipótese só poderá ser confirmada após as eleições.

Vasconcellos também abordou o conceito de "cidades-pêndulo", termo usado para descrever municípios sem alinhamento ideológico claro. Nessas localidades, a competição eleitoral é muito mais acirrada do que em regiões com preferências políticas consolidadas. "Uma franja do eleitorado é que faz essa diferença, em 51, 52, 53 pontos percentuais para o vencedor", explicou.

Para conquistar esse eleitorado, o especialista defendeu que a presença e a escuta ativa são fundamentais. Segundo ele, o eleitor das cidades-pêndulo não se identifica necessariamente com a direita ou a esquerda e é muito sensível aos problemas do cotidiano. "Questões como violência, acesso à educação e, fundamentalmente, o custo de vida são o que esse cidadão vive no seu dia a dia", concluiu.

eleições presidenciais comportamento do eleitor

---

Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/pela-1-vez-mg-pode-nao-decidir-eleicoes-presidenciais-diz-especialista/
