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Pecuária de MT quase dobra produção de carne por hectare em 15 anos com avanço tecnológico

ResumoA pecuária de Mato Grosso quase dobrou a produção de carne por hectare em 15 anos, passando de 3,8 para 7,2 arrobas. O avanço tecnológico em genética, manejo e pastagem impulsionou o resultado, conforme dados do IMEA e da Acrimat.

Em 15 anos, a pecuária de Mato Grosso quase dobrou a produção de carne por hectare, saltando de 3,8 para 7,2 arrobas. O avanço tecnológico em genética, manejo e pastagem explica o feito. Dados do IMEA e da Acrimat revelam as engrenagens desse movimento de bastidor no campo.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 17 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Pecuária de MT quase dobra produção de carne por hectare em 15 anos com avanço tecnológico

A pecuária de Mato Grosso quase dobrou a produção de carne por hectare em 15 anos com avanço tecnológico. Dados do IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) mostram que a produtividade saltou de 3,8 arrobas por hectare, em 2008, para 7,2 arrobas por hectare em 2023. O movimento não foi obra do acaso, mas de uma articulação silenciosa entre produtores, pesquisa e políticas públicas que mudou a engrenagem do setor.

A resposta curta para o feito é: genética, manejo de pastagem e suplementação alimentar. Segundo a Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), a adoção de touros melhorados geneticamente, o uso de pastagens rotacionadas e a suplementação proteico-energética na seca foram os pilares da virada. Essas práticas, checadas por mais de uma fonte do setor, permitiram que o rebanho produzisse mais carne na mesma área.

O papel da genética e do manejo

A genética animal foi a primeira engrenagem a girar. Dados do IMEA indicam que a taxa de desfrute, relação entre abate e rebanho, subiu de 18% para 26% no período. Isso significa que mais animais chegam ao ponto de abate mais cedo. A introdução de raças como Nelore, Angus e Cruzamentos Industriais, aliada à inseminação artificial, reduziu o ciclo de produção em quase um ano.

O manejo de pastagem, por sua vez, respondeu pelo ganho de peso por área. A lotação animal passou de 0,8 para 1,4 cabeças por hectare (IMEA, dados de 2023). A técnica de pastejo rotacionado, com divisão de piquetes e adubação de cobertura, foi a chave. A decisão se fecha no corredor: quem investiu em cercas elétricas e bebedouros viu o pasto render mais.

Suplementação e sanidade como alavancas

A suplementação na seca, com sal proteico, ureia e grãos, evitou a perda de peso nos meses de estiagem. A Acrimat estima que o ganho médio diário dos animais suplementados subiu de 0,3 kg para 0,6 kg. A sanidade, com vacinação obrigatória contra febre aftosa e brucelose, reduziu a mortalidade e abriu portas para mercados externos.

O interesse por trás da fala pública

O discurso público de entidades como a Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de MT) e a Acrimat sempre exaltou a tecnologia. Mas a leitura de bastidor revela um cálculo de poder: o avanço da produtividade permite que o setor cresça sem expandir área de pastagem, o que desarma críticas ambientais e facilita a obtenção de crédito. O movimento atende a dois interesses, econômico e reputacional.

Próximo movimento no tabuleiro

O próximo passo esperado, segundo fontes do setor, é a consolidação de sistemas de rastreamento individual do boi, como o Sisbov. A meta é chegar a 10 arrobas por hectare até 2030 rastreamento bovino e certificação. A tecnologia continuará sendo a moeda de troca entre produtores e o mercado.

Perguntas Frequentes

A pecuária de MT expandiu área de pastagem?

Não. O avanço se deu por produtividade, não por desmate. A área de pastagem se manteve estável em cerca de 20 milhões de hectares, segundo o IMEA.

Qual o papel da genética no aumento?

A genética reduziu o ciclo de abate e aumentou o peso médio das carcaças, contribuindo diretamente para o salto de 3,8 para 7,2 arrobas por hectare.

A suplementação é obrigatória?

Não, mas a Acrimat recomenda a prática como estratégia para ganho de peso na seca. Sem ela, a produtividade cai até 30%.

O que é taxa de desfrute?

É a relação entre o número de animais abatidos e o total do rebanho. Em MT, subiu de 18% para 26% entre 2008 e 2023.

Como a tecnologia impacta o crédito rural?

Bancos como o Banco do Brasil e o Sicredi oferecem linhas com juros menores para produtores que adotam práticas de baixo carbono e rastreamento, o que estimula o avanço tecnológico.

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