Operação cumpre 19 mandados contra facção em Roraima
Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado em Roraima cumpriram 19 mandados nesta quarta-feira (16). Investigação iniciada em 2024 apura ameaças a policiais e integrantes do sistema de Justiça.
As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado em Roraima (FICCO/RR) deflagraram nesta quarta-feira (16) uma operação contra organizações criminosas. Foram cumpridos 19 mandados: 14 de prisão e cinco de busca e apreensão em Boa Vista e Caracaraí, em Roraima, além de Porto Velho (RO) e Campo Grande (MS). A Ficco não informou quantos mandados são cumpridos especificamente em Roraima.
A investigação começou em 2024, após ameaças contra policiais e integrantes do sistema de Justiça. Segundo a apuração, membros da facção levantaram informações sobre agentes de segurança e divulgaram imagens de viaturas. As ameaças teriam começado após a morte de um integrante da organização durante operação policial em Roraima.
O homem tinha antecedentes ligados ao tráfico de drogas e já havia sido investigado por envolvimento no chamado "Tribunal do Crime". Em um dos casos, conforme a polícia, ele teria participado com outros integrantes de uma tentativa de execução. A vítima foi torturada e esfaqueada, mas conseguiu fugir.
A Ficco identificou integrantes da organização, as funções exercidas por eles e os vínculos entre os suspeitos. Também encontrou documentos e comunicações internas sobre o funcionamento da facção em Roraima. Parte do material está relacionada a duas estruturas internas chamadas de "Tribunal do Crime" e "Restrita". A primeira era usada para julgar e punir pessoas conforme regras impostas pela própria organização. A segunda tratava de assuntos considerados sensíveis, incluindo ações violentas.
Os investigadores identificaram ainda documentos produzidos por integrantes da facção dentro do sistema prisional. O material contém referências a agentes públicos, informações sobre possíveis alvos e a divisão de tarefas entre membros da organização.
Os investigados podem responder por participação em organização criminosa e incitação ao crime, além de outros delitos que possam ser identificados durante as investigações. Em todo o país, são cumpridos 173 mandados de busca e apreensão e 106 de prisão, com foco em tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e atuação de organizações criminosas violentas.
A Justiça determinou bloqueios, sequestros e restrições de mais de R$ 508 milhões em bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros ligados às organizações investigadas.
As FICCOs funcionam como forças-tarefas coordenadas pela Polícia Federal (PF) que reúnem diferentes órgãos de segurança pública. Participam da iniciativa polícias civis, militares e penais, guardas municipais, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e secretarias estaduais de Segurança Pública.