Obras de usina de dessalinização na Praia do Futuro autorizadas após polêmicas e atrasos
As obras da usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza, foram autorizadas após anos de polêmicas e atrasos. O projeto, orçado em R$ 1,2 bilhão, promete transformar a água do mar em potável, mas enfrenta resistência de ambientalistas e questionamentos sobre viabilida
A autorização das obras da usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza, foi assinada pela Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará em maio de 2026, encerrando um ciclo de impasses que se arrastava desde 2022. O projeto, orçado em R$ 1,2 bilhão, prevê a captação de água do mar para produção de 1 metro cúbico por segundo de água potável, suficiente para abastecer cerca de 300 mil pessoas. A autorização veio acompanhada de condicionantes ambientais e de um cronograma de 36 meses para conclusão.
As obras da usina de dessalinização na Praia do Futuro foram autorizadas após polêmicas e atrasos, em um processo que envolveu disputas judiciais, questionamentos de órgãos ambientais e divisão entre especialistas. O projeto, que começou a ser discutido em 2020, ganhou urgência com a crise hídrica que afeta o Ceará desde 2012. A usina, quando concluída, será a maior do Brasil em capacidade de produção de água dessalinizada.
O projeto e sua justificativa
A usina de dessalinização na Praia do Futuro é um empreendimento da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto prevê a instalação de uma estação de tratamento por osmose reversa, tecnologia que utiliza membranas para separar o sal da água do mar. Segundo a Cagece, a usina terá capacidade de produzir 1 metro cúbico por segundo de água potável, volume equivalente a 86,4 milhões de litros por dia.
A justificativa oficial para o projeto é a necessidade de diversificar as fontes de abastecimento de água da Região Metropolitana de Fortaleza, que depende majoritariamente do Açude Castanhão. Dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) indicam que o Castanhão opera com volume útil abaixo de 30%, cenário crítico para o abastecimento de 4,5 milhões de pessoas.
As polêmicas que atrasaram as obras
O projeto enfrentou resistência desde o início. Ambientalistas questionam o impacto da captação de água do mar e do descarte do salmoura (resíduo salino) na Praia do Futuro, uma das mais movimentadas de Fortaleza. Em 2023, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública questionando a licença ambiental, alegando que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) não considerava adequadamente os efeitos sobre a fauna marinha. A ação foi arquivada em 2025, após a Cagece apresentar estudos complementares.
Outra polêmica envolve o custo da água produzida. Especialistas estimam que o metro cúbico de água dessalinizada pode custar entre R$ 4 e R$ 6, valor superior ao cobrado atualmente pela Cagece (R$ 2,50). A Cagece, no entanto, afirma que o custo será subsidiado pelo governo estadual nos primeiros anos, até que a escala de produção reduza os valores. Dados do Banco Central mostram que a inflação acumulada em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), o que pode pressionar os custos operacionais.
O cronograma e as próximas etapas
Com a autorização, a Cagece prevê o início das obras em julho de 2026. O cronograma oficial estipula 36 meses para conclusão, com entrega prevista para meados de 2029. As etapas incluem:
- Instalação do sistema de captação de água do mar, com tubulações submersas a 500 metros da costa.
- Construção da estação de tratamento por osmose reversa, com capacidade de 1 metro cúbico por segundo.
- Implantação do sistema de descarte do salmoura, com diluição em mar aberto.
- Conexão à rede de distribuição da Cagece, com 12 km de adutoras.
A Cagece estima que a obra gerará 2.500 empregos diretos durante a fase de construção.
Impactos ambientais e condicionantes
A licença ambiental, emitida pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), impõe 14 condicionantes. Entre elas, a obrigação de monitorar a qualidade da água na Praia do Futuro por 5 anos, instalar um sistema de diluição do salmoura a 2 km da costa e apresentar um plano de compensação ambiental para a área de recife de corais próxima. A Semace afirma que o projeto atende aos padrões da Resolução CONAMA 357/2005, que define os limites de salinidade para descarte.
Ambientalistas, no entanto, continuam céticos. O Instituto Verdes Mares, organização não governamental com atuação no Ceará, protocolou um recurso administrativo contra a licença, alegando que os estudos de impacto não consideram o efeito cumulativo com outros empreendimentos na região impactos ambientais de dessalinização no Brasil.
O que esperar para o futuro
A autorização das obras da usina de dessalinização na Praia do Futuro representa um marco na política hídrica do Ceará, mas o caminho até a operação plena ainda é longo. Além dos desafios ambientais, a Cagece precisará garantir o financiamento integral do projeto, que depende de recursos do BNDES e de contrapartida estadual. A expectativa é que, em 2029, a usina esteja operando, mas dúvidas sobre o custo da água e o impacto ambiental devem persistir.
Perguntas Frequentes
Por que a usina de dessalinização na Praia do Futuro foi polêmica?
A polêmica envolve o impacto ambiental da captação de água do mar e do descarte do salmoura, além do custo elevado da água produzida. Ambientalistas questionam a licença, enquanto a Cagece defende o projeto como solução para a crise hídrica.
Quando as obras da usina começam?
As obras estão previstas para julho de 2026, com conclusão em meados de 2029, segundo o cronograma da Cagece.
Quanto custará a água da usina?
O custo estimado é de R$ 4 a R$ 6 por metro cúbico, mas a Cagece afirma que será subsidiado nos primeiros anos.
Quem financia o projeto?
O financiamento é do BNDES, com contrapartida do governo do Ceará. O valor total é de R$ 1,2 bilhão.
A usina vai prejudicar a Praia do Futuro?
A licença ambiental impõe condicionantes para minimizar impactos, como monitoramento da qualidade da água e diluição do salmoura a 2 km da costa. Ambientalistas, no entanto, contestam a eficácia dessas medidas.