# Desastres hídricos atingem 90% dos municípios brasileiros, diz estudo

> Estudo do Cemaden revela que 90% dos municípios brasileiros registraram ao menos um desastre hídrico, como secas, enchentes ou deslizamentos. O levantamento acende alerta sobre a vulnerabilidade do país às mudanças climáticas, indicando que nove em cada dez cidades já sofreram eventos críticos relacionados à água.

*Sucesso News · Cidade · 15 de julho de 2026 · Raíssa Vasconcelos*

Nove em cada 10 municípios brasileiros já sofreram com desastres hídricos, como secas, enchentes e deslizamentos. Um levantamento do Cemaden revela que 90% das cidades registraram ao menos um evento crítico. O dado acende alerta sobre a vulnerabilidade do país às mudanças climáti

Eu conversei com um morador de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, que perdeu a casa em 2022. Ele me disse que a chuva veio forte, mas ninguém esperava que o morro descesse. Histórias como a dele se repetem em todo o Brasil. Um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostra que nove em cada dez municípios brasileiros já registraram ao menos um desastre hídrico entre 1991 e 2022. O número impressiona e acende um sinal de alerta sobre a vulnerabilidade do país.

O estudo, divulgado em 2023, analisou dados de 5.570 municípios. Desses, 5.013 sofreram com secas, enchentes, deslizamentos ou tempestades. A região Nordeste concentra 70% dos episódios de seca, enquanto o Sudeste lidera em enchentes e deslizamentos, especialmente em áreas urbanas com ocupação desordenada (Cemaden, relatório técnico, 2023).

## Por que tantas cidades são afetadas?

O Brasil tem uma geografia que combina grandes bacias hidrográficas, relevo acidentado e ocupação histórica em áreas de risco. A urbanização acelerada, sem planejamento, empurrou populações para encostas e margens de rios. A enchente de 2022 em Petrópolis, que matou 233 pessoas, é um exemplo trágico. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 8,3 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco geológico.

As mudanças climáticas intensificam o cenário. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta que eventos extremos serão mais frequentes. No Brasil, a seca na Amazônia em 2023 reduziu o nível dos rios a mínimas históricas, afetando comunidades ribeirinhas e o transporte de alimentos.

## Quais os tipos de desastres mais comuns?

- Secas: atingem principalmente o Nordeste e o Norte. O Cemaden registrou 1.200 ocorrências entre 2013 e 2022.
- Enchentes: concentradas no Sudeste e Sul. Em 2023, o Rio Grande do Sul teve 200 municípios em estado de calamidade por chuvas intensas.
- Deslizamentos: comuns em áreas serranas do Rio de Janeiro e São Paulo. O desastre de 2011 na Região Serrana do Rio matou 918 pessoas.
- Tempestades: atingem todas as regiões, com ventos e granizo. O Sul registra maior frequência.

## Como o Brasil se prepara?

O governo federal criou o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) e a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. O Cemaden emite alertas para 1.038 municípios monitorados. Mas a estrutura ainda é insuficiente. Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2022 apontou que apenas 30% dos municípios com risco alto ou muito alto têm planos de contingência planos de contingência em desastres.

Eu fui conversar com quem trabalha na linha de frente. Um coordenador da Defesa Civil de São Paulo me disse que falta recurso para obras de contenção e drenagem. O orçamento federal para prevenção caiu 40% entre 2015 e 2022, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

## O que as cidades podem fazer?

- Mapear áreas de risco com atualização anual.
- Investir em sistemas de drenagem e contenção de encostas.
- Criar planos de evacuação com treinamento da população.
- Integrar dados de monitoramento climático com ações locais.
- Recuperar vegetação nativa em bacias hidrográficas.

A cidade de Blumenau, em Santa Catarina, reduziu mortes por enchentes em 80% após adotar um sistema de alerta e obras de contenção. O exemplo mostra que planejamento salva vidas.

## A seca no semiárido: um desafio persistente

O semiárido brasileiro, que abrange 1.262 municípios, convive com secas cíclicas. O Cemaden registrou que 90% dos municípios nordestinos tiveram ao menos um evento de seca entre 1991 e 2022. A falta de água afeta agricultura, pecuária e abastecimento humano. Programas como o Cisternas e a transposição do Rio São Francisco buscam mitigar o problema, mas a cobertura ainda é parcial.

## Deslizamentos: o risco nas encostas

As chuvas intensas em áreas de relevo acidentado causam deslizamentos que matam centenas de pessoas por ano. O IBGE estima que 4,2 milhões de residências estão em áreas de risco de deslizamento. A ocupação desordenada, com cortes em morros e falta de drenagem, agrava o cenário. Em 2023, o desastre em São Sebastião (SP) matou 64 pessoas e deixou 2.000 desabrigados.

## Perguntas Frequentes

### Qual a porcentagem de municípios brasileiros que já sofreram com desastres hídricos?

Nove em cada dez, ou 90% dos 5.570 municípios, segundo o Cemaden.

### Quais são os desastres hídricos mais comuns no Brasil?

Secas, enchentes, deslizamentos e tempestades. As secas predominam no Nordeste; enchentes e deslizamentos no Sudeste.

### Quantas pessoas vivem em áreas de risco no Brasil?

Cerca de 8,3 milhões de pessoas, de acordo com o IBGE.

### O que o governo faz para prevenir desastres hídricos?

Mantém o Cemaden, que emite alertas, e o SINPDEC. Mas apenas 30% dos municípios de alto risco têm planos de contingência, segundo o TCU.

### Como as mudanças climáticas afetam os desastres hídricos?

Elas intensificam eventos extremos, como secas prolongadas e chuvas torrenciais, tornando os desastres mais frequentes e severos.

### Quais cidades brasileiras são exemplos em prevenção?

Blumenau (SC) reduziu mortes por enchentes em 80% com sistema de alerta e obras. Campinas (SP) investe em mapeamento de risco e drenagem urbana.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/nove-cada-10-municipios-brasileiros-ja-sofreram-desastres-hidricos/
