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Niquim: peixe peçonhento brasileiro ajuda a entender o sistema imunológico

ResumoO niquim, peixe peçonhento brasileiro do Norte e Nordeste, é estudado pelo Instituto Butantan desde 1996. O veneno do niquim, causador de dor intensa e necrose, revela proteínas inéditas que auxiliam na compreensão do sistema imunológico humano.

O niquim, peixe peçonhento do Norte e Nordeste do Brasil, passou a ser estudado pelo Instituto Butantan desde 1996. Seu veneno, que causa dor intensa e necrose, revelou proteínas inéditas que hoje ajudam a entender o sistema imunológico.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Niquim: peixe peçonhento brasileiro ajuda a entender o sistema imunológico

Niquim: peixe peçonhento brasileiro ajuda a entender o sistema imunológico

O niquim (Thalassophryne nattereri) é um peixe peçonhento brasileiro que passou a ser estudado pelo Instituto Butantan em 1996. Seu veneno causa dor intensa, inchaço e dificuldade de cicatrização. As proteínas Natterins e Nattectin, descobertas no veneno, hoje servem como modelo para entender o sistema imunológico e a inflamação.

O niquim: um peixe pequeno, difícil de ver, de veneno potente

Pequeno e difícil de ser visto quando permanece parcialmente enterrado na areia, o niquim (Thalassophryne nattereri) é um peixe peçonhento encontrado principalmente no Norte e Nordeste do Brasil. Conhecido pela dor intensa provocada em acidentes com pescadores e banhistas, ele passou a ser estudado por pesquisadores do Instituto Butantan em 1996, que buscavam entender por que seu veneno produzia lesões diferentes das observadas em outros acidentes com animais peçonhentos.

O veneno do niquim desencadeia uma resposta inflamatória intensa, acompanhada de dor, inchaço e dificuldade de cicatrização. Segundo o biólogo Airton Cesar Silva, é justamente esse comportamento incomum que despertou o interesse dos pesquisadores.

Como o veneno do niquim age de forma diferente

O que torna o niquim um modelo de estudo tão fascinante, segundo o biólogo Airton Cesar Silva, é que o seu veneno age de forma diferente do veneno de serpentes ou aranhas. Ele provoca uma isquemia severa e desorganiza a matriz extracelular do tecido afetado, impedindo que as células de defesa cheguem à ferida. É exatamente esse mecanismo peculiar que explica a necrose intensa e a dificuldade extrema de cicatrização observadas nos pescadores acidentados.

Proteínas inéditas: Natterins e Nattectin

Durante essas pesquisas, os cientistas caracterizaram proteínas inéditas no veneno do peixe, como as Natterins e a lectina Nattectin, ampliando o conhecimento sobre seus componentes e seus efeitos no organismo. Com o avanço dos estudos, o interesse científico deixou de se concentrar apenas no envenenamento.

Essas proteínas passaram a ser utilizadas como modelo para investigar mecanismos envolvidos na inflamação e no funcionamento do sistema imunológico.

Do problema de saúde pública à chave molecular

"A partir de um problema de saúde pública costeira, a ciência encontrou respostas imunológicas inéditas. As proteínas deixaram de ser vistas apenas como toxinas perigosas e se tornaram 'chaves' moleculares", explica o biólogo Airton Cesar Silva.

O estudo do niquim representa um exemplo de como a pesquisa sobre acidentes com animais peçonhentos pode gerar conhecimento que vai além do tratamento de envenenamentos. As proteínas do veneno, antes vistas apenas como perigosas, hoje são ferramentas para entender o sistema imunológico.

O que o veneno do niquim revela sobre a inflamação

A resposta inflamatória intensa provocada pelo veneno do niquim, acompanhada de dor e inchaço, é um dos focos centrais das pesquisas. O mecanismo peculiar de isquemia e desorganização da matriz extracelular impede a chegada das células de defesa à ferida, o que explica a necrose intensa e a dificuldade de cicatrização.

Esse comportamento incomum do veneno, diferente do observado em serpentes ou aranhas, tornou o niquim um modelo de estudo valioso para entender os mecanismos da inflamação.

Como o niquim ajuda a entender o sistema imunológico

As proteínas Natterins e Nattectin, descobertas no veneno do niquim, passaram a ser utilizadas como modelo para investigar mecanismos envolvidos no funcionamento do sistema imunológico. A partir de um problema de saúde pública costeira, a ciência encontrou respostas imunológicas inéditas.

As proteínas deixaram de ser vistas apenas como toxinas perigosas e se tornaram "chaves" moleculares para entender o sistema imunológico.

Perguntas Frequentes

O niquim é um peixe venenoso ou peçonhento?

O niquim é um peixe peçonhento, ou seja, possui glândulas de veneno e um aparato para injetá-lo. Ele é encontrado principalmente no Norte e Nordeste do Brasil.

O que fazer em caso de acidente com niquim?

Em caso de acidente com niquim, a recomendação é buscar atendimento médico imediato. O veneno causa dor intensa, inchaço e dificuldade de cicatrização.

O veneno do niquim é mais perigoso que o de serpentes?

Cada veneno age de forma diferente. O veneno do niquim provoca isquemia severa e desorganiza a matriz extracelular, impedindo a chegada de células de defesa à ferida, o que causa necrose intensa e dificuldade de cicatrização.

O que são as proteínas Natterins e Nattectin?

São proteínas inéditas descobertas no veneno do niquim pelos pesquisadores do Instituto Butantan. Elas passaram a ser utilizadas como modelo para investigar mecanismos envolvidos na inflamação e no sistema imunológico.

O estudo do niquim pode ajudar no tratamento de doenças?

Sim. As proteínas do veneno do niquim, como as Natterins e a Nattectin, são utilizadas como modelo para entender o sistema imunológico, o que pode gerar conhecimento para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças inflamatórias.

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