'Não saímos da mesa de negociação', diz Alckmin após novo tarifaço de Trump
Em meio ao novo tarifaço imposto por Donald Trump a produtos brasileiros, o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou: 'Não saímos da mesa de negociação'. A fala, em tom de conciliação, contrasta com o discurso de setores do governo que defendem retaliação. Nos bastidores, a avali
'Não saímos da mesa de negociação', diz Alckmin após Trump impor novo tarifaço a produtos brasileiros
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil segue aberto ao diálogo com os Estados Unidos após o anúncio, na última segunda-feira, de novas tarifas sobre produtos brasileiros. 'Não saímos da mesa de negociação', declarou, em tom que sinaliza cautela diante da escalada protecionista de Donald Trump. A fala foi registrada durante evento em São Paulo e reproduzida por assessoria.
A declaração de Alckmin e o tom do governo
'Diálogo é o caminho. Não saímos da mesa de negociação', disse Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A frase foi interpretada nos bastidores como um recado direto ao Palácio do Planalto: o Brasil não reagirá com medidas automáticas de retaliação, ao menos por ora.
Fontes do governo ouvidas pelo repórter confirmam que a orientação é esgotar as vias diplomáticas antes de qualquer contra-ataque. A decisão de Trump, que elevou tarifas sobre aço, alumínio, suco de laranja e calçados brasileiros, pegou parte do Itamaraty de surpresa. O Brasil já havia sinalizado abertura para um acordo bilateral, mas a Casa Branca endureceu o tom.
Os bastidores da articulação
Nos corredores do ministério, a leitura é de que Trump joga para sua base eleitoral em ano de eleições legislativas nos EUA. O Brasil, nesse tabuleiro, vira alvo conveniente: é um parceiro comercial relevante, mas sem poder de retaliação imediata que desestabilize a economia americana. A avaliação de técnicos do MDIC é que o impacto direto do tarifaço atinge cerca de US$ 2,5 bilhões em exportações brasileiras, número que pode crescer se houver retaliação cruzada.
A articulação nos bastidores envolve o próprio Alckmin, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o embaixador em Washington. O objetivo é construir uma contraproposta que inclua redução de barreiras não tarifárias e compras governamentais de produtos americanos. 'A mesa está posta, mas o tempo é curto', resumiu uma fonte da equipe econômica.
Impactos setoriais e a conta do tarifaço
O setor de suco de laranja, concentrado em São Paulo, é um dos mais expostos. As exportações para os EUA representam cerca de 30% do total embarcado pelo Brasil. Com a nova tarifa, o preço ao consumidor americano pode subir, reduzindo a competitividade do produto nacional. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) estima perdas de até US$ 400 milhões no ano.
Já o aço brasileiro, que já enfrentava sobretaxas desde 2018, vê o cenário se agravar. A usina de Tubarão, no Espírito Santo, e a Gerdau, no Rio Grande do Sul, são as principais afetadas. Segundo o Instituto Aço Brasil, o setor emprega mais de 120 mil trabalhadores diretos.
O que esperar dos próximos passos
O governo Lula avalia duas frentes: a via diplomática e a Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil pode acionar o mecanismo de solução de controvérsias da entidade, mas o processo é lento, leva em média três anos. Enquanto isso, a equipe econômica prepara um pacote de estímulo setorial para compensar perdas, com linhas de crédito do BNDES e desoneração temporária de impostos.
A decisão de Alckmin de manter a porta aberta à negociação, mesmo sob pressão, é vista como um movimento calculado. 'O Brasil não pode queimar pontes. Trump passa, o mercado fica', disse um assessor palaciano.
Perguntas Frequentes
Alckmin realmente disse que não saiu da mesa de negociação?
Sim. A declaração foi feita em evento público e confirmada pela assessoria do vice-presidente.
Quais produtos brasileiros foram afetados pelo tarifaço?
Aço, alumínio, suco de laranja e calçados estão entre os itens com novas tarifas.
O Brasil vai retaliar os EUA?
O governo ainda avalia. A prioridade no momento é o diálogo, mas a retaliação não está descartada.
Qual o impacto estimado para a economia brasileira?
Cerca de US$ 2,5 bilhões em exportações podem ser afetados, segundo estimativas do MDIC.
O que o Brasil pode fazer na OMC?
Pode acionar o mecanismo de solução de controvérsias, mas o processo é demorado.
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