Milho sobe quase 2% em Chicago com tensão no Mar Negro e estoques menores
O milho subiu quase 2% em Chicago nesta quarta-feira, impulsionado pela escalada da tensão no Mar Negro e pela redução de estoques globais. Veja como isso afeta o produtor brasileiro e as próximas safras.
Milho sobe quase 2% em Chicago com tensão no Mar Negro e estoques menores
O milho fechou em alta de quase 2% na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quarta-feira, cotado a US$ 6,85 por bushel. A valorização reflete o agravamento da tensão no Mar Negro, que ameaça a exportação de grãos da Ucrânia, e a redução de estoques globais, segundo o USDA.
Por que o milho subiu em Chicago?
A alta do milho em Chicago foi puxada por dois fatores principais. O primeiro é o aumento da tensão no Mar Negro, com relatos de ataques a navios carregados de grãos na região. A Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais de milho, e qualquer interrupção no fluxo pressiona os preços. O segundo fator é a redução de estoques globais, que, de acordo com o último relatório do USDA, caíram para 295 milhões de toneladas, o menor nível em três anos.
Impacto no agronegócio brasileiro
O Brasil, como maior exportador de milho do mundo, sente os efeitos da alta em Chicago. A valorização externa abre margem para preços melhores no mercado interno, mas também acende um alerta para a inflação de alimentos. Segundo a Conab, a safra de milho 2025/2026 deve atingir 125 milhões de toneladas, 4% acima da anterior.
Preços internos acompanham
Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a saca de 60 kg de milho subiu para R$ 82,00, alta de 3% na semana (Cepea). Já no Paraná, a cotação chegou a R$ 79,00. A tendência é de continuidade da alta, enquanto durar a tensão no Leste Europeu.
Perspectivas para as próximas safras
Analistas do setor projetam que, se o conflito no Mar Negro se intensificar, o milho pode testar os US$ 7,00 por bushel nas próximas semanas. No entanto, há um contraexemplo: a safra recorde no Brasil e na Argentina pode limitar os ganhos. O USDA estima uma produção global de 1,2 bilhão de toneladas, o que, em condições normais, manteria os estoques estáveis.
O que dizem os especialistas?
Consultores ouvidos pela Reuters apontam que o mercado está precificando um risco geopolítico que pode não se concretizar. "O prêmio de risco já está embutido no preço. Se houver uma desescalada, o milho pode devolver parte dos ganhos", afirma o analista João Pedro Lopes, da consultoria AgResource.
Perguntas Frequentes
O milho vai continuar subindo?
Depende da evolução do conflito no Mar Negro. Se a tensão persistir, os preços podem subir mais. Mas a oferta global ampla, com safras cheias no Brasil e nos EUA, tende a limitar a alta.
Como a alta do milho afeta o consumidor?
O milho é base da ração animal, então a alta pressiona os preços de carnes, ovos e leite. O efeito chega ao consumidor em 30 a 60 dias.
O Brasil pode se beneficiar?
Sim. O Brasil é exportador líquido de milho. Preços maiores significam mais receita para o produtor e para o país, mas exigem logística eficiente para embarcar a safra.
Qual o papel da Ucrânia no mercado de milho?
A Ucrânia é o quarto maior exportador global de milho, com 25 milhões de toneladas por ano. Qualquer interrupção em seus portos afeta o abastecimento mundial.
O que é a Bolsa de Chicago (CBOT)?
É a principal referência de preços de commodities agrícolas do mundo. Os contratos futuros de milho negociados lá determinam as cotações globais.
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