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Mesmo sem assassinatos há um ano, ex-moradores resistem em voltar a vilarejo que teve saída em massa

ResumoO vilarejo no interior do Brasil, que registrou saída em massa de moradores por violência, completa um ano sem assassinatos. Dados oficiais indicam queda nos crimes, mas ex-moradores resistem em retornar. A confiança na segurança local não se recuperou, apesar da redução dos índices criminais.

Há um ano sem registros de assassinatos, um vilarejo no interior do Brasil ainda enfrenta resistência de ex-moradores para retornar. O êxodo em massa, motivado por onda de violência, deixou marcas profundas. Dados oficiais mostram queda nos crimes, mas a confiança não se recupero

Carmen Lúcia Ferraz
Carmen Lúcia Ferraz Editora de Cidade · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Mesmo sem assassinatos há um ano, ex-moradores resistem em voltar a vilarejo que teve saída em massa

Um ano sem assassinatos. A notícia poderia ser motivo de celebração em qualquer comunidade. Mas no vilarejo de Boa Esperança, no interior do Maranhão, o silêncio das armas não foi suficiente para trazer de volta os moradores que fugiram da violência. O êxodo em massa, ocorrido entre 2022 e 2023, reduziu a população local a menos de um terço do que era. E, mesmo com a trégua nos homicídios, a resistência ao retorno persiste.

O que explica essa desconfiança? Dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a população do vilarejo caiu de 1.200 para 380 habitantes no período. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão confirma que não houve registro de homicídios nos últimos 12 meses. Mas a sensação de segurança, segundo relatos de ex-moradores, ainda não voltou.

A violência que expulsou

Entre 2020 e 2022, o vilarejo foi palco de uma disputa violenta entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas na região. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2022, a taxa de homicídios no município era de 45 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional.

"A gente via barulho de tiro toda noite. Perdi um primo. Não dava para ficar", conta Maria dos Santos, 52, que se mudou para a cidade vizinha com os três filhos. O relato é comum entre os 820 ex-moradores que deixaram Boa Esperança.

A trégua que não convence

Em maio de 2025, a polícia realizou uma operação que prendeu os líderes das duas facções. Desde então, o vilarejo não registra assassinatos. A prefeitura local afirma ter investido R$ 2,3 milhões em iluminação pública e câmeras de vigilância.

Apesar disso, uma pesquisa informal da associação de moradores, realizada em abril de 2026, mostrou que 78% dos ex-moradores entrevistados disseram não pretender voltar. Os motivos: medo de represálias (43%), falta de emprego (28%) e infraestrutura precária (7%).

"A segurança melhorou, mas não tem escola, não tem posto de saúde. O que vou fazer lá?", questiona José Carlos, 45, que hoje trabalha como pedreiro em São Luís.

O que falta para o retorno?

Para a antropóloga Marina Oliveira, da Universidade Federal do Maranhão, a recuperação de uma comunidade após um trauma violento leva tempo. "Não basta reduzir os homicídios. É preciso reconstruir o tecido social, gerar renda, trazer serviços públicos. Sem isso, a volta não acontece", afirma.

A prefeitura anunciou um programa de incentivo ao retorno, com isenção de IPTU por dois anos e prioridade em programas habitacionais. Mas, até maio de 2026, apenas 12 famílias haviam retornado.

O que diz o poder público

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão afirmou, por nota, que mantém rondas periódicas no vilarejo e que não há registros de ameaças a ex-moradores. A prefeitura, por sua vez, informou que estuda a instalação de uma escola municipal e de um posto de saúde, mas sem prazo definido.

A defensora pública estadual, Carla Mendes, que acompanha o caso, diz que muitos ex-moradores temem represálias judiciais. "Há pessoas que foram ameaçadas por facções e não confiam que a polícia possa protegê-las. O trauma é profundo."

Enquanto isso, Boa Esperança segue com ruas vazias e casas abandonadas. A paz voltou, mas a vida, ainda não.

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Perguntas Frequentes

Por que ex-moradores não voltam mesmo sem homicídios?

O trauma da violência passada, a falta de emprego e de serviços públicos básicos, como escola e posto de saúde, são os principais motivos.

Quantos homicídios havia antes da trégua?

Em 2022, a taxa de homicídios no município era de 45 por 100 mil habitantes, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O que o poder público fez para estimular o retorno?

A prefeitura investiu R$ 2,3 milhões em iluminação e câmeras, e oferece isenção de IPTU por dois anos e prioridade em programas habitacionais.

Quantas famílias já voltaram?

Até maio de 2026, apenas 12 famílias haviam retornado ao vilarejo.

Há risco de nova onda de violência?

A Secretaria de Segurança afirma que não há registros de ameaças, mas ex-moradores temem represálias de facções que ainda atuam na região.

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