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Maritacas são pintadas como papagaios para valer mais no tráfico de animais no RJ

ResumoTrês maritacas resgatadas pelo Ibama na Feira de Caxias, em Duque de Caxias (RJ), foram pintadas de amarelo no rosto para simular papagaios e obter maior valor no tráfico de animais. As aves recebem tratamento no Instituto Vida Livre para remoção da tinta e reabilitação.

Três maritacas resgatadas pelo Ibama na Feira de Caxias, em Duque de Caxias, chegaram ao centro de reabilitação com o rosto pintado de amarelo para se parecerem com papagaios, espécie que alcança preços mais altos no tráfico. Os animais estão em tratamento no Instituto Vida Livre

Pedro Henrique Salles
Pedro Henrique Salles Repórter de Trânsito e Infraestrutura · 21 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Maritacas são pintadas como papagaios para valer mais no tráfico de animais no RJ

Três maritacas resgatadas pelo Ibama na Feira de Caxias, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, chegaram ao centro de reabilitação com o rosto pintado de amarelo para se parecerem com papagaios - espécie que costuma alcançar preços mais altos no mercado ilegal.

Além da tinta, os traficantes cortaram parte das penas das asas e da cauda das aves. Os animais estão em recuperação no Instituto Vida Livre, no Horto, Zona Sul do Rio, onde recebem tratamento veterinário e ainda não têm previsão de retorno à natureza.

Por que maritacas são pintadas como papagaios?

A prática é movida pelo valor de mercado. No tráfico de animais silvestres, papagaios são mais caros que maritacas. Para aumentar o lucro, os traficantes pintam o rosto das maritacas de amarelo, tentando enganar compradores.

Segundo o médico-veterinário Lucas Rebelo, a tinta utilizada pode provocar diversos problemas de saúde.

"A tinta, dependendo da tinta que for usada, pode causar intoxicação, alteração hepática e alteração renal. Esses problemas podem aparecer ao longo do período de recuperação."

O veterinário explica ainda que o corte das penas prolonga o tratamento antes da volta à natureza.

"O corte das penas atrasa muito o processo de reabilitação e soltura. É preciso esperar que essas penas cresçam novamente para que as aves consigam voar adequadamente."

Como está a recuperação das maritacas no Instituto Vida Livre?

No viveiro do Instituto Vida Livre, o comportamento das maritacas também chama atenção. Segundo os tratadores, os animais chegam visivelmente debilitados, tanto física quanto comportamentalmente.

"Não é só impressão. Elas realmente ficam tristes porque foram muito maltratadas. Aqui a gente dá carinho, cuida da alimentação, troca as casinhas e faz todo o trabalho para que elas consigam se recuperar", afirma o tratador Roberto Fonseca.

As três aves passam por exames veterinários e seguem sob monitoramento. Uma delas chegou em estado mais grave, cerca de 30 gramas abaixo do peso ideal. Por isso, foi isolada em um ambiente climatizado, equipado com aquecedor para facilitar a recuperação.

Por serem aves jovens e estarem debilitadas, os especialistas avaliam que elas poderiam não ter sobrevivido se permanecessem por mais tempo nas mãos dos traficantes.

O histórico da Feira de Caxias no tráfico de animais

As maritacas foram apreendidas pelo Ibama na Feira de Caxias, em Duque de Caxias, local conhecido pelo histórico de comércio ilegal e maus-tratos contra animais.

Segundo Lucas Rebelo, casos como esse são recorrentes.

"Infelizmente é algo frequente. Recebemos com certa frequência animais pintados para serem vendidos como papagaios, que têm um valor comercial maior dentro do tráfico."

A dimensão do tráfico de animais silvestres no Brasil

Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) mostram a dimensão do problema.

Segundo a entidade, cerca de 38 milhões de animais silvestres são capturados todos os anos no Brasil. Desse total, 9 em cada 10 morrem antes mesmo de chegar ao comprador final, em consequência das condições de captura, transporte e armazenamento.

No Rio de Janeiro, a unidade do Ibama em Seropédica recebeu 7.409 animais apreendidos em 2025. Em 10 anos, o órgão contabilizou mais de 48 mil animais resgatados.

Outro caso de recuperação: ave resgatada na Floresta da Tijuca

Enquanto as três maritacas seguem em recuperação, outra ave atendida pelo Instituto Vida Livre já está próxima de voltar à natureza. Ela foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros nas proximidades da Floresta da Tijuca, também com as asas cortadas e infestada por parasitas, mas sem ter sido pintada pelos traficantes.

Como combater o tráfico de animais?

Para os especialistas, a conscientização da população é uma das principais formas de combater esse tipo de crime.

"Recorrer ao tráfico nunca é uma opção. Para que um animal chegue à casa de alguém, vários outros morreram. E mesmo aquele que sobreviveu sofreu muito para estar ali", afirma o veterinário Lucas Rebelo.

Denúncias podem ser feitas ao Ibama, à Polícia Federal ou às polícias ambientais estaduais. A compra de animais silvestres sem procedência legal alimenta uma rede criminosa que mata milhões de animais por ano.

Perguntas Frequentes

O que acontece com as maritacas pintadas?

Elas passam por tratamento veterinário no Instituto Vida Livre, no Rio, onde recebem cuidados para se recuperar dos danos causados pela tinta e pelo corte das penas.

Por que os traficantes pintam maritacas de amarelo?

Para que se pareçam com papagaios, espécie que tem maior valor de mercado no tráfico ilegal de animais silvestres.

A tinta usada nas maritacas é tóxica?

Sim. Segundo o veterinário Lucas Rebelo, a tinta pode causar intoxicação, alteração hepática e alteração renal nas aves.

Quantos animais são capturados pelo tráfico no Brasil?

Cerca de 38 milhões de animais silvestres são capturados por ano, segundo a Renctas. Desses, 9 em cada 10 morrem antes de chegar ao comprador.

Onde denunciar o tráfico de animais?

As denúncias podem ser feitas ao Ibama, à Polícia Federal ou às polícias ambientais estaduais.

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